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Luso-Canadian Charitable Society:

Novo terraço facilita acesso a actividades ao ar livre para utentes de Peel

Por João Vicente
Sol Português

A partir de agora, os utentes do Luso Support Centre de Peel (LSCP) vão passar a poder desfrutar mais facilmente de sol e ar fresco, graças ao terraço que foi construído neste centro para deficientes e que na passada quinta-feira (9) foi oficialmente inaugurado na presença de várias das entidades, representantes de empresas e particulares que o tornaram possível.

O novo espaço permite "fazer coisas com os nossos utentes que todos nós gostamos e devíamos fazer", esclareceu Heather Grand, directora executiva da Luso Canadian Charitable Society (LCCS), a organização de caridade de raízes luso-canadianas que tem a seu cargo este e dois outros centros para deficientes no Sul do Ontário.

Como destaca, as dificuldades de levar pessoas em cadeiras de rodas ou com dificuldades físicas ou cognitivas a um jardim ou um evento podem ser inultrapassáveis, especialmente para aqueles que, como é o caso de muitos dos utentes do LSCP, têm pais idosos que já de si se debatem com obstáculos físicos e financeiros.

Depois do primeiro centro, no coração de Toronto, o segundo, em Hamilton, foi já construído com um terraço, com o intuito de proporcionar actividades ao ar livre aos utentes, e tem sido um sucesso, revelando-se um dos espaços mais populares no edifício.

Na verdade, refere Jacinta Ribeiro, directora executiva do centro de Hamilton da LCCS, é no terraço que se começa o dia, quando o tempo convida a isso – só passando para o interior quando o calor começa a apertar – e o efeito no bem-estar e auto-estima dos utentes é palpável.

"O nosso até tem um bocadinho em pedra e eles adoram estar a escrever no chão com giz, fazem os seus jardins – ainda há dias colheram lá umas poucas de batatas e depois, todos contentes, foram cozinhá-las" ilustra Jacinta Ribeiro.

Como refere: "Para eles é uma alegria muito grande" poderem dizer "aquela é a minha flor – fui eu que a plantei".

Procurando criar um espaço semelhante para o centro de Peel, o presidente da LCCS, Jack Prazeres, explica que foi apresentada uma proposta junto do Fundo de Apoio IC Savings (FAIS) e que eventualmente foi aprovada, o que permitiu dar andamento a esta obra, oficialmente designada "IC Savings Rooftop Terrace".

O FAIS é uma organização independente, esclarece Fausto Gaudio, presidente e director executivo da instituição cooperativa de crédito e finanças IC Savings, e é composta por um conselho consultivo que tem ao seu dispor 50 mil dólares para atribuir anualmente a uma, ou mais, organizações sem fins lucrativos devidamente registadas e cujos programas ou serviços tenham um impacto directo na comunidade luso-canadiana.

"Temos muitos membros luso-canadianos na nossa união de crédito e queríamos fazer algo pela comunidade luso-canadiana, que nos tem vindo a apoiar ao longo dos anos, por isso lançámos este "Fundo de Apoio" especificamente para a comunidade portuguesa", refere Fausto Gaudio.

O conselho é presidido pelo empresário e radialista Frank Alvarez, coadjuvado por Luís Arruda e Filomena Silveira, e esta foi a primeira distribuição feita pelo fundo – neste caso direccionado na sua totalidade para este projecto, embora a IC Savings já venha a apoiar a LCCS e outras causas há anos.

Segundo Frank Alvarez, os 50 mil dólares anuais do FAIS estão garantidos, mas é possível que esse montante venha a crescer em anos vindouros, em paralelo com a proporção de clientes luso-canadianos da IC Savings, que de momento se cifram em cerca de 15% do total daquela instituição financeira.

O FAIS já tem dois pedidos entre mãos e o conselho consultivo reúne-se no mês que vem para decidir de que forma será direccionada a verba do próximo ano.

Com respeito a este projecto, Armindo Maré e o filho, Gary, foram quem realmente deitou mãos à obra e que, com mais dois funcionários da companhia, Maré's Carpentry and Construction, construíram as estruturas de madeira – tanto o estrado que cobre o telhado, como as caixas decorativas e funcionais de madeira, onde estão as plantas.

A obra começou em Junho e levou cerca de duas semanas a completar, com dias de 12 horas de trabalho, dois deles cedidos por uma cliente cuja filha necessita também de cuidados especiais e que lhes permitiu que atrasassem o seu projecto para poderem acabar o terraço a tempo.

Segundo revelaram, a senhora contactou entretanto o LSCP e a filha talvez vá passar a ser uma utente deste centro.

Entretanto Armindo e Gary deram pela falta de sombra no terraço e ofereceram um gazebo, o que decerto torna o espaço ainda mais prático e agradável.

Segundo Heather Grand, o terraço vai passar a ser usado de imediato mas vão ainda avaliar qual a melhor forma de dividir o espaço para dele extrair o máximo proveito.

Durante o resto do Verão e no Outono determinar-se-á como é que os utentes gostam de usar o espaço, dedicando, por exemplo, uma área para bowling, criando um percurso para caminharem, ou outras iniciativas.

Na Primavera, os canteiros elevados "vão ser plantados com ervas aromáticas vegetais, frutos e outras coisas que eles depois possam usar nas aulas de cozinha", uma das iniciativas destinadas a dar-lhes "competências para a vida", refere a directora executiva, que adianta que gostaria ainda de ver as ervas aromáticas serem adicionadas a óleos que possam depois vender nos eventos da LCCS.

Em primeiro lugar, porém, é preciso determinar o espaço necessário para as cadeiras de rodas, de modo a que estas se possam movimentar e os seus utentes possam tirar partido do espaço, sendo ainda apontados como essenciais zonas onde os utentes possam simplesmente conversar e interagir entre si.

"Vamos perguntar-lhes do que é que eles gostam, o que é muito importante, e aprender com isso", conclui Heather Grand.

Entretanto, apesar desta e outras iniciativas de sucesso por parte da LCCS, o contributo da comunidade lusa continua a ser necessário para dar resposta às despesas de funcionamento e de manutenção diárias, já que a organização está praticamente dependente de donativos de empresas e particulares.

Segundo apurámos, a instituição procura agora angariar fundos para colmatar, de preferência num futuro próximo, uma lacuna que afecta a vida dos utentes, muitos deles de forma profunda.

"Temos utentes já com 40 e 50 anos" refere Jack Prazeres, chamando a atenção para a idade avançada dos pais desses utentes e para a dificuldade que têm em tomar conta dos filhos, e destacando que a próxima etapa é criar um centro onde possam pernoitar já que, no momento, os centros da LCCS apenas podem prestar-lhes cuidados durante o dia.

"Alguns já estão em lista de espera há sete e 10 anos", realça ainda, salientando que se não conseguiram, "depois acabam por ficar numa casa para a terceira idade".

Para evitar esse destino e dar algum alívio aos pais, a LCCS está já em conversações com proprietários de terrenos, sendo que esta próxima fase irá necessitar de espaço para um complexo com pelo menos 32 quartos, idealmente em Toronto ou arredores, junto a uma carreira de transportes públicos.

Entretanto, o presidente da LCCS solicita a quaisquer pessoas interessadas em ajudar ou contribuir "seja de que forma for" para que contactem a organização já que, como refere em relação a este novo projecto, "se o concluíssemos hoje, já era tarde".


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