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Covid-19:

Ontário regista menor número de casos desde Abril

Maior parte da Província entra hoje na terceira fase de reabertura

A nível mundial os casos de Covid-19 continuam a aumentar, com 1,4 milhões de novas infecções registadas numa semana, para um total de 13,2 milhões – cerca de 570.000 dos quais faleceram e 7,5 milhões estão já recuperados da doença.

No Canadá os novos casos detectados na semana anterior foram mais uma vez na ordem dos 2.000, o que eleva o total a quase 110.000 infectados – 72.000 dos quais já recuperaram – enquanto que o número de óbitos ultrapassa ligeiramente os 8.800 com a contabilização de mais 88 mortes atribuídas ao vírus corona no mesmo período.

A meio da última semana, o ministro das Finanças, Bill Morneau, apresentou a primeira contabilização das ajudas financeiras que foram decretadas pelo governo federal para ajudar a economia a superar o efeito da paragem económica resultante das medidas de contenção da pandemia.

Os números são elucidativos do impacto que a luta contra a Covid-19 está a ter no orçamento nacional, com as ajudas financeiras directas desde Março cifradas em 228 mil milhões de dólares e o défice, que continua a aumentar, estimado em 343,2 mil milhões até à data.

Segundo os analistas, sem os subsídios que foram criados a economia canadiana teria sofrido uma contracção na ordem dos 11 por cento até ao fim do ano, em vez dos 6,3 por cento que são agora projectados, e o desemprego deverá reduzir em breve para menos de 10 por cento depois de ter atingido 13,7 por cento em Maio.

A nível provincial, o governo do Ontário apresentou um projecto de lei com múltiplas vertentes que pretende estimular a recuperação e propõe alterações em 20 estatutos vigentes em relação a escolas, municípios e o sistema jurídico.

O ministro responsável pela pasta das autarquias, Steve Clark, afirmou na altura que caso o projecto de lei venha a ser aprovado irá introduzir maior celeridade nas avaliações ambientais, novas medidas de protecção aos consumidores e de combate ao desemprego, além da criação de uma nova agência denominada "Invest Ontario" que terá como objectivo atrair mais investimento estrangeiro.

O abrangente projecto de lei inclui ainda uma série de medidas destinadas a impedir a suspensão de crianças nas escolas – desde a pré-primária à terceira classe – que já tinham sido anunciadas pelo ministro da Educação, Stephen Lecce.

A propósito das escolas, tanto o ministro da Educação como o Primeiro-ministro provincial indicaram que a preferência do governo é de que os alunos voltem às salas de aula em Setembro, mas caberá às direcções escolares avaliar as circunstâncias nos seus distritos e determinar qual o melhor modelo de ensino a adoptar.

Dado diferentes zonas da província poderem estar sujeitas a diferentes fases de reabertura, o governo propôs às direcções escolares escolherem entre o regresso às aulas de forma tradicional, a adopção do ensino online ou um misto de ambos, conforme considerarem ser mais apropriado.

Entretanto, e numa semana em que os termómetros marcaram temperaturas consistentemente superiores a 30ºC, veio à tona outro problema com os lares de idosos, já de si fustigados pela pandemia, com a revelação de que alguns não têm ar condicionado ou tinham-nos desligados por receio de que estes pudessem contribuir para espalhar o vírus.

O Primeiro-ministro provincial, Doug Ford, apontou o dedo às empresas responsáveis pelos estabelecimentos e indicou que a situação seria imediatamente avaliada, vindo dias depois a decretar a obrigatoriedade da instalação de sistemas de ar condicionado em todos os lares de idosos no seguimento de uma série de medidas destinadas a corrigir as inúmeras deficiências que têm sido detectadas.

A nível municipal, as autarquias de Mississauga e Brampton juntaram-se a Toronto e à Região de Durham ao declararem a obrigatoriedade, desde sexta-feira (10), do uso de máscaras no interior de edifícios onde forem prestados serviços ao público.

Mississauga indicou que iria adoptar uma abordagem com base na sensibilização do público, acompanhada pela aplicação de multas inferiores a 500 dólares, tanto para particulares como para as empresas que não cumprirem com a regra.

Em Toronto, o contínuo não cumprimento das regras de distanciamento em algumas praias levou a autarquia a apertar a fiscalização em torno da zona designada por "Beaches", situada na zona Leste da cidade.

Durante o fim-de-semana anterior as autoridades tiveram de interromper uma série de festas nocturnas nas praias uma vez que os participantes não só não acatavam as regras que proíbem os ajuntamentos como acenderam fogueiras, beberam em excesso e deixaram lixo espalhado por toda a parte.

Isso levou à proibição de estacionar nos parques da Câmara junto as três praias mais populares às sextas-feiras, sábados e domingos, a partir das 19h00, assim como ao aumento das patrulhas por fiscais e pela polícia.

Dias depois, o presidente da Câmara de Toronto, John Tory, anunciou que a proibição da realização de festas públicas e festivais na cidade iria continuar até ao final de Setembro, o que irá afectar mais uma série de eventos de renome, incluindo a maratona Scotiabank e a Nuit Blanche que, posteriormente, viria a indicar ter planos para ser celebrada de forma virtual.

A autarquia divulgou ainda o lançamento do programa "DriveTO", que se propõe oferecer, temporariamente, acesso a várias formas de entretenimento em modelo de drive-in, incluindo filmes e emissões desportivas a realizar em locais como o Ontario Place e outros.

No final da semana, as entidades oficiais da região de Windsor-Essex apelaram aos governos provincial e federal para que assumissem o comando da luta contra os focos infecciosos que têm deflagrado entre os trabalhadores migrantes nas herdades locais indicando ser uma situação que requer um nível de coordenação superior ao que as autarquias podem oferecer.

O presidente da Câmara de Windsor, Drew Dilkens, afirmou que "há alturas em que a mão esquerda não sabe o que a direita está a fazer" e que "apesar de todos localmente estarem a dar o seu melhor, este tipo de situação requer um nível de coordenação diferente, dada a sua complexidade".

Segundo o autarca, é fundamental garantir que não há lacunas e deu como exemplo o facto de que se os trabalhadores migrantes que têm testes positivos têm de permanecer isolados num hotel, devem existir mecanismos para lhes levarem as refeições para que não tenham de sair dos quartos.

Metade dos novos casos de Covid-19 detectados no Ontário no dia anterior (86 de 170) envolveu trabalhadores migrantes alojados em herdades daquela região.

Entretanto, a equipa de futebol Toronto FC, que estava prevista defrontar o D.C. United no domingo (12), viu a partida ser adiada para o dia seguinte depois de um dos seus jogadores ter tido um resultado "inconclusivo" no teste de despistagem de Covid-19 e um jogador do D.C. United ter tido resultado positivo.

O jogo, inserido no torneio "MLS is Back" (a MLS está de volta) viria ser disputado na manhã de segunda-feira (13) no campo de treinos ESPN, na Flórida – de que resultou um empate, 2-2 – mas sem os jogadores em questão, que foram submetidos a novos testes.

No início da semana a questão da reabertura da fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos da América (EUA) voltou à tona com a realização de conversações bilaterais entre os chefes de estado.

O Primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, disse ter falado com o presidente americano, Donald Trump, e indicou que ambas as nações iriam fazer uma declaração conjunta antes do actual acordo expirar, na próxima semana.

Contudo, no dia seguinte fontes governamentais indicaram que o mais provável seria chegarem a um acordo mútuo para manterem a fronteira encerrada a viagens "não essenciais" durante mais um mês.

Entretanto, Justin Trudeau indicou que o subsídio salarial dirigido às empresas afectadas pela Covid-19 seria prolongado até Dezembro, decisão que foi bem acolhida pelas organizações empresariais embora algumas manifestassem a opinião de que é necessário alterar os critérios para tornar o programa acessível a um maior número de entidades patronais.

O próprio governo parece reconhecer que são necessárias mudanças pois referiu já que as regras poderão vir a ser alteradas para que as empresas não tenham receio de perder o subsídio caso registem algum crescimento ao retomarem a sua actividade.

Segundo o Departamento de Estatísticas do Canadá, os hábitos de consumo dos canadianos mudaram tanto devido à pandemia que a metodologia que era utilizada para contabilizar o nível de inflação deixou de ser fiável.

Assim, e após aquele departamento ter comunicado uma descida de 0,2 por cento no índice de inflação em Abril em relação ao ano anterior e de 0,4 por cento em Maio, indicou que uma avaliação mais detalhada revelou que os canadianos estavam a gastar mais em coisas que não tinham tanto peso no índice de preços ao consumidor – que acompanha a inflação – e menos nas que mais pesavam nesse cálculo.

Após ajustar a fórmula para, segundo um porta-voz, a colocar em linha com a realidade do consumo durante a pandemia, o departamento chegou à conclusão de que o nível de inflação em Abril e Maio foi, respectivamente, 0,0 e -0,1 por cento.

Entretanto, face ao que são actualmente os menores números de novos casos de infecção por Covid-19 desde Abril, o governo do Ontário indicou ser sua intenção dar seguimento ao processo de reabertura da economia.

O Primeiro-ministro Doug Ford anunciou que grande parte da província iria passar à terceira fase a partir de hoje, sexta-feira (17), o que inclui a reabertura das salas interiores em restaurantes e bares, bem como de ginásios e cinemas, à excepção da Área da Grande Toronto e de Hamilton, assim como de algumas zonas no sudoeste do Ontário que permanecerão na fase dois.

Segundo o chefe do governo, estas regiões reabrirão mais tarde desde que o número de novos casos de Covid-19 se mantenham baixos e os oficiais de saúde pública locais dêem o seu consentimento.

Antes que o Ontário voltasse a autorizar a reabertura das salas interiores dos bares e restaurantes, o vice-director dos serviços de saúde do Canadá, dr. Howard Njoo, fez questão de se pronunciar e salientar que ir a um bar "beber uns copos com os amigos" continua a ser uma actividade de alto risco nos tempos que correm.

O médico advertiu que passar longos períodos de tempo num ambiente fechado, em contacto relativamente próximo com outras pessoas, acarreta um risco de contágio pelo vírus corona mais alto do que acontece ao ar livre.

Esta situação já se verificou no Quebeque onde passou agora a ser obrigatório o uso de máscaras em toda a província e foram impostos limites nas horas de abertura e no número de clientes que são permitidos nestes estabelecimentos, após ter sido descoberta a ligação entre nove bares e mais de 30 novos casos de infecção.

Entretanto, um relatório elaborado por um comité de senadores tornado público no final da última semana conclui que o país está mal preparado para enfrentar uma segunda vaga de Covid-19.

O comité de assuntos sociais do Senado afirma que o governo federal precisa urgentemente de se concentrar nos lares da terceira idade, onde tem ocorrido o maior número de focos infecciosos e de mortes, alertando ainda para a vulnerabilidade dos idosos com baixos rendimentos a uma segunda vaga do vírus.

No que foram as primeiras observações sobre a resposta à pandemia feitas por este comité – que se espera venha a apresentar um relatório mais detalhado no final do ano – os senadores salientaram ainda que as reservas de equipamento de protecção não foram bem geridas ao longo dos anos e foram insuficientes quando o surto de Covid-19 deflagrou no país.

Por seu turno, o governo do Ontário indicou estar a par da possibilidade de uma segunda vaga do vírus no Outono e embora não tenha revelado detalhes dos planos para a combater garantiu que o sistema de saúde se encontra agora melhor preparado do que quando a pandemia primeiro deflagrou.

Os hospitais já vinham a alertar para uma potencial segunda vaga, na época das gripes e das constipações, indicando que isso irá pôr à prova a capacidade dos serviços de saúde e que este alerta mais do que se justifica numa altura em que a província avança para a terceira fase de reabertura.

O Concelho dos Sindicatos Hospitalares do Ontário avisou estar a preparar uma série de acções políticas e jurídicas, incluindo a realização de breves interrupções laborais em resposta ao eventual prolongamento dos poderes de emergência do governo provincial, o que mais uma vez iria resultar na suspensão do seu acordo colectivo de trabalho.

Entretanto as medidas de contenção da pandemia continuam a pesar nos orçamentos municipais, que atingem défices históricos.

Em Toronto, John Tory anunciou que as poupanças em salários e combustível originadas pela redução em alguns serviços – como os que são prestados pelos guardas de cruzamento que normalmente ajudavam as crianças a atravessar a estrada durante o horário escolar – permitiram que o défice de 1,9 mil milhões de dólares que era projectado para a autarquia tenha sido reduzido em 513,7 milhões.

Contudo, a menos que os governos provincial e federal contribuam com verbas adicionais, a autarquia terá de efectuar "cortes drásticos" nas próximas semanas nos programas e serviços que presta, realçou.

Desde Abril que os edis de várias cidades têm vindo a pressionar os níveis superiores de governação para que lhes concedam urgentemente verbas para equilibrarem as contas e John Tory diz não haver agora muito mais tempo até Toronto se ver obrigado a fazer cortes e/ou aumentar significativamente o imposto predial.

O Departamento de Estatísticas do Canadá anunciou na passada sexta-feira (10) que a economia tinha criado um milhão de empregos em Junho, conforme as empresas encerradas pela pandemia começaram a reatar a sua actividade.

Contudo, os despedimentos em vários sectores continuam, sobretudo no ramo das viagens que tem sido profundamente afectada pela paragem económica e pelas medidas de contenção da pandemia.

Tal como já o haviam feito várias transportadoras aéreas, a Autoridade dos Aeroportos da Grande Toronto anunciou que o Aeroporto Internacional Lester B. Pearson iria eliminar vários empregos – 500 no total, o que representa 27 por cento da sua força laboral – em consequência da acentuada redução do tráfego aéreo.

O aeroporto, actualmente com um número de viajantes comparável ao que se observava em 1996, vai tentar que esta redução seja conseguida através da saída voluntária de alguns empregados, do despedimento de outros e da eliminação de vagas que estavam por preencher.

Dias antes a companhia ferroviária Via Rail, também ela a braços com cortes nas carreiras e menos procura, anunciou o despedimento temporário de 1.000 trabalhadores sindicalizados, com efeito a partir do dia 24 deste mês.


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