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Escândalo WE continua a reverberar conforme Trudeau pede desculpa

O governo federal atribuiu um contracto no valor de 19,5 milhões de dólares à caridade WE para que esta se encarregasse de administrar os pagamentos a estudantes voluntários este Verão, mas entretanto veio à luz que a família do Primeiro ministro Justin Trudeau, nomeadamente a mãe e o irmão, teriam sido pagos pela WE cerca de 300.000 dólares nos últimos quatro anos para discursarem nos eventos da organização.

Trudeau salienta que a selecção da organização teria partido de funcionários públicos de carreira que a escolheram por correspon-der a uma série de características, entre as quais o facto de ter uma presença e capacidade de actuação a nível nacional...

, assim como experiência a ligar estudantes a posições voluntárias, mas reconhece que dada a proximidade do relacionamento da família deveria ter-se afastado da discussão acerca da atribuição do contrato e por isso emitiu um pedido de desculpas nesse sentido na segunda-feira (13).

"Lamento profundamente ter envolvido a minha mãe nesta situação. Não é justo para ela e eu deveria ter sido ponderado o suficiente para me retirar desta situação", disse o Primeiro ministro, afirmando ainda ter conhecimento de os seus familiares terem sido contratados para discursar pela organização WE, mas dizendo desconhecer o montante que esta lhes teria pago.

Trudeau lamentou ainda que o escândalo criado pelas suas acções tivesse dado cabo dum programa que estava prestes a ajudar milhares de jovens a encontrarem trabalho e que fosse atrasar a participação desses jovens em trabalhos voluntários.

Entretanto a WE, que já tinha contratado 465 pessoas para ajudarem a administrar os 912 milhões de dólares que o governo designou para os salários dos estudantes voluntários a nível nacional, despediu 450 delas, mantendo 15 que tinham sido contratadas a tempo inteiro.

Além da relação estabelecida entre a WE e Trudeau, sua esposa, mãe e irmão, na sexta-feira (10) o gabinete do ministro das finanças, Bill Morneau, confirmou que a filha do ministro também trabalha para a organização de caridade.

Este é o terceiro escândalo a fustigar este governo Liberal com questões de ética, pois já a viagem de Trudeau e sua família para férias na ilha de Aga Khan em 2017 foi alvo de censura, assim como o escândalo SNC Lavalin em 2019.

O gabinete do Comissário Canadiano de Conflito de Interesse e Ética concluiu que Trudeau violou as regras de ética nos dois casos prévios e informou através de um tweet na sexta-feira (10) que as investigações deste género levam cerca de sete meses, portanto só lá para 2021 é que serão reveladas as suas conclusões oficiais em relação ao caso WE, ficando entretanto o caso sujeito à censura dos partidos da oposição e ao tribunal da opinião pública, cujas conclusões serão conhecidas nas sondagens sobre a popularidade de Trudeau e seu governo ao longo das próximas semanas e meses.


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