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Após dois anos de ausência:

Comunidade portuguesa de Toronto saudou regresso da Parada do Dia de Portugal

Por Luís Aparício (texto e fotos)
e Noémia Gomes (fotos)

Sol Português

Depois de um interregno de dois anos, o troço da Dundas Street West entre a Lansdowne Avenue e o Parque Trinity Belwoods, em Toronto, voltou a encher-se com milhares de portugueses, muitos deles trajados com as cores verde e vermelho da bandeira nacional para assim afirmarem toda a sua portugalidade durante a Parada do Dia de Portugal, que se realizou no último sábado (11).

É certo que o desfile não atingiu os números de participação de outros anos, mas aliado ao facto de estarmos a sair de uma pandemia difícil que deixou marcas no tecido social e económico canadiano, bem como no movimento associativo português, a sua realização foi encarada, num consenso geral, como uma grande vitória.

"Tínhamos uma fé de que era de grande importância tentar fazer algum programa e ainda de maior importância realizar a Parada do Dia de Portugal, aqui na rua Dundas", afirmou José Eustáquio em declarações ao jornal Sol Português.

Para o presidente do Executivo da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO), era importante incentivar a comunidade em geral com um gesto que sinalizasse o regresso aos "velhos tempos" e, principalmente, incentivar os clubes e associações portuguesas depois de uma fase muito complicada.

Além disso, prosseguiu José Eustáquio, a presença em Toronto do presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, veio acrescentar mais valor a esta manifestação de portugalidade e reconfirmar "que esta comunidade é activa e tem um poder enorme, não só aqui, no Canadá, mas também em Portugal".

Augusto Santos Silva, que se deslocou ao Canadá entre os dias 10 e 14 de Junho, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, participou na Parada, mostrando-se sorridente e acenando para os muitos portugueses que o saudavam.

Questionado se esperava esta manifestação de portugalidade e com tantos milhares de portugueses, Augusto Santos Silva foi peremptório: "sim, porque nós sabemos que durante a pandemia, infelizmente, estes eventos públicos tiveram que ser suspensos e, portanto, hoje estamos a renascer para um aspecto muito importante da nossa vida que é a festa, que é a demonstração pública, que é esta unidade entre nós todos".

A segunda figura do Estado Português reiterou ainda a mensagem de que os portugueses que vivem no estrangeiro são parte integrante de Portugal, "com um significado adicional, porque são cinco milhões os portugueses e luso-descendentes que vivem praticamente em todo o mundo".

Apelou aos que estão radicados no Canadá para que nunca se esqueçam de Portugal mas participem também activamente na sociedade canadiana, o que, destacou, "é tanto mais fácil quando Portugal e o Canadá são países tão próximos e tão amigos".

Nesta deslocação ao Canadá, que incluiu a passagem pelas cidades de Toronto (dias 11 e 14 de Junho), Montreal (12) e Otava (13), o presidente da Assembleia da República Portuguesa privilegiou os contactos com as comunidades lusas.

A visita constituiu também uma oportunidade para a realização de um encontro com os presidentes do Senado e da Câmara dos Comuns do Canadá.

Um momento emotivo

Integrado na comitiva que acompanhava Augusto Santos Silva – e na qual se incluía também o cônsul-geral de Portugal em Toronto, José Manuel Carneiro Mendes – estava o novo embaixador de Portugal no Canadá, António Leão Rocha.

"Já ontem tive oportunidade de confraternizar com portugueses na embaixada em Otava e hoje aqui [Toronto] é de facto grandioso, visto que é uma festa emocionante" afirmou o representante do governo português na capital canadiana, adiantando sentir-se "orgulhosíssimo de neste Dia de Portugal estar com tantos portugueses e com uma comunidade efervescente".

A cerimónia de apresentação das credenciais do Embaixador António Leão Rocha à Governadora-Geral do Canadá teve lugar dias antes, a 7 de Junho, evento em que esteve acompanhado pela esposa, por alguns funcionários da embaixada e pelos deputados Alexandra Mendes, Peter Fonseca e Julie Dzerowicz.

No desfile do Dia de Portugal em Toronto, além das entidades oficiais portuguesas, o grupo de dignitários (...)incluía representantes das esferas políticas federal, provincial e autárquica do Canadá.

Um deles foi o ministro da Habitação, Diversidade e Inclusão no governo federal, Ahmed Hussen, que disse à nossa reportagem sentir que era um momento especial poder voltar a participar na primeira Parada do Dia de Portugal após dois anos de pandemia.

Vestido com uma camisola da selecção portuguesa de futebol, tal como fizera da última vez que participou neste evento, o ministro que representa o círculo eleitoral torontino de York South-Weston relembrou que aquele momento é um dos expoentes máximos das celebrações da cultura e história portuguesas, e das contribuições que os luso-canadianos têm dado ao Canadá.

Também a deputada federal Julie Dzerowicz, que representa o distrito eleitoral com maior densidade populacional de origem portuguesa no país, Davenport, falou num "dia perfeito" para participar na Parada do Dia de Portugal.

"Para mim vai ser especial, não só porque está um dia lindo e há dois anos que não tínhamos a Parada, mas também porque temos a presença de Augusto Santos Silva e do novo embaixador de Portugal no Canadá", observou.

A deputada disse ter tido muitas pessoas a agradecer-lhe pelo seu papel no processo de reconhecimento oficial de Junho como o Mês do Património Português no Canadá, mas considera fundamental agradecer sobretudo às entidades particulares e às pessoas colectivas, entre as quais os clubes e associações portuguesas, que "têm garantido que a língua e as tradições portuguesas se mantêm vivas e estão a ser partilhadas com a sociedade canadiana".

Recorde-se que em 2017 a Câmara dos Comuns, em Otava, votou por unanimidade a aprovação da Lei
M126 que reconheceu Junho como o Mês do Património Português e o 10 de Junho como o Dia de Portugal no Canadá.


Quem também não escondia a alegria que sentia por poder voltar a participar na Parada foi a deputada provincial Marit Stiles, recentemente reeleita em Davenport.

"Vivo nesta comunidade há 25 anos", confidenciou, ao explicar que "o dia da Parada é uma tradição para a minha família há muitos anos, antes ainda de eu ter sido eleita para o cargo de deputada provincial".

Marit Stiles afirmou que "esta é uma comunidade que literalmente construiu a nossa cidade", e apontou os exemplos de sucesso de luso-canadianos em diferentes áreas de actividade observando que "a profundidade desse contributo está a ser reconhecido" durante este mês.

Ainda no grupo de entidades oficiais que participaram no desfile, a vereadora e vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto, Ana Bailão, afirmou ser um sentimento óptimo poder voltar a participar na Parada, "um evento que é feito pela nossa comunidade, para a nossa comunidade e para a cidade em geral", como ressalvou.

A autarca, que depois de 12 anos no governo municipal anunciou recentemente não pretender recandidatar-se nas próximas eleições, destacou também a presença simbólica do presidente da Assembleia da República Portuguesa neste desfile, considerando-o um reconhecimento da força e do dinamismo de uma das grandes comunidades da Diáspora portuguesa.

Manifestação da Portugalidade

Junto dos vários dirigentes dos clubes e associações portuguesas da Área da Grande Toronto (AGT), que reuniram condições para participar na Parada, o sentimento era de que esta manifestação de portugalidade tem de continuar.

Dadas as dificuldades provocadas pelos últimos dois anos, "continuarmos a fazer [a Parada] após a pandemia já é uma grande coisa", dizia-nos Jorge Mouselo.

O presidente do Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM), falou mesmo de uma "batalha ganha" e salientou que isso "mostra que nós, portugueses, não deixamos as coisas morrerem".

Além de repetir a ideia de que "quanto mais juntos estivermos, mais unidos vamos ser", o dirigente do CCPM destacou a presença no desfile do presidente da Assembleia da República Portuguesa, afirmando que ele, por certo, terá ficado bastante surpreendido, porque "em Portugal não se apercebem o quanto nós apoiamos e damos valor à nossa cultura", justificou.

Por sua vez, Valter Ferreira, presidente do Portuguese Cultural Club of Vaughan (PCCV), reconheceu que a
pandemia trouxe uma maior dificuldade ao colectivo que dirige, que perdeu por isso alguns elementos, "mas voltar aqui à Dundas para a Parada era uma coisa que não poderíamos deixar passar", afirmou.

"Este é um momento que nos traz muita emoção", acrescentou ainda o ensaiador daquele rancho folclórico.

A viver um turbilhão de sentimentos, o presidente e ensaiador do Rancho Folclórico da Nazaré, José Mafra, que vai regressar a Portugal, lamentou por o grupo mais antigo da comunidade não ter podido participar na sua máxima força.

A viver uma realidade diferente, a Associação Migrante de Barcelos esteve bem representada na Parada, contando com a participação de elementos do seu rancho folclórico e do grupo de motards Moto Galos - Toronto - Associação Migrante Barcelos.

Em declarações ao jornal Sol Português, o presidente do Executivo, Vítor Santos, salientou que a Parada era "uma boa manifestação da nossa portugalidade" e prova de que "os portugueses [em Toronto] amam a sua Pátria".

Um desfile pleno de emoção e saudade

A Parada começou à hora prevista (11h00) e abriu com a interpretação dos hinos do Canadá e de Portugal pela Banda do Sagrado Coração de Jesus, da paróquia de Santa Helena.

Com o "coração cheio" por voltarem a participar neste desfile após dois anos sem se realizar, a vice-presidente Sónia Cabral falou-nos de uma "grande vitória" da comunidade portuguesa por ter conseguido autorização para realizar este evento e de "um ganho para a nossa cultura e para a nossa raça".

"Além disso" – destacou – o facto da banda "seguir à frente da Parada, faz elevar ainda mais o orgulho por ser portuguesa e participar neste desfile".

Junto do público que se aglomerava ao longo do trajecto para assistir ao desfile de carros alegóricos e dos participantes era palpável o sentimento de saudade das tradições portuguesas, mormente desta Parada.

Era o caso de Margarida Pereira que com um cachecol de Portugal ao pescoço nos disse que é seu costume assistir a esta celebração há já muitos anos e que não queria (...) perder agora a oportunidade de voltar "a matar saudades de Portugal".

Também João Pires, há mais de meio século no Canadá, nos destacou o "orgulho muito grande" que sente pelo "nosso Portugal".

"Acho que toda a gente estava à espera deste dia", indicou por sua vez Maria Ferreira, que nos confidenciou assistir a este desfile há três décadas.

Apesar de admitir que esperava mais gente, acrescentou que o regresso da Parada numa altura em que se começa finalmente a retomar alguma actividade, depois de dois anos de confinamentos, era ainda assim motivo de grande satisfação e significa que "nunca nos esquecemos que somos portugueses".

Para Ana Pinto, que nos disse estar no Canadá há mais de 30 anos e confidenciou que há muito não assistia à Parada, este ano fez questão de estar presente para proporcionar à filha a oportunidade de vivenciar o grande desfile anual.

"Depois de dois anos difíceis para todos, é bom ver agora os portugueses novamente juntos para festejar a Pátria", frisou.

Entre os carros alegóricos participantes no desfile, destaque para um que transportava uma "réplica" do Saturnia – iniciativa do rancho folclórico Províncias e Ilhas de Portugal, de Hamilton – representando desta forma o navio que a 13 de Maio de 1953 chegou ao Cais (Pier) 21, em Halifax, na província de Nova Escócia, (...) com o primeiro contingente de portugueses com documentos oficiais de imigração, muitos deles provenientes dos Açores e da Madeira, bem como alguns vindos de Portugal Continental.

Ao encerramento da Parada do Dia de Portugal seguiu-se a habitual homenagem aos voluntários, cerimónia que se realizou junto ao monumento que lhes foi dedicado em Toronto e que se encontra instalado no parque Trinity-Bellwoods.

Homenagem aos Pioneiros no High Park e Tributo a Camões

Por Luís Aparício

Sol Português

A Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO) voltou na passada quinta-feira (9) a cumprir a tradição de prestar homenagem aos pioneiros da imigração portuguesa para o Canadá junto ao monumento erguido em sua honra no High Park de Toronto.

"Achamos que esta é uma das cerimónias mais importantes para homenagear os nossos pioneiros que chegaram a Halifax em 1953, no dia 13 de Maio", como referiu Laurentino Esteves, que presidiu à cerimónia realizada na véspera do Dia de Portugal e durante a qual foi observado um momento de silêncio pelo falecimento recente de dois pioneiros, ambos naturais dos Açores.

O conhecido activista comunitário lembrou que ao longo dos anos, infelizmente, vários desses pioneiros têm vindo a partir, pelo que, como sublinhou, "nós teremos a responsabilidade de continuar o legado que eles nos passaram; ou seja, manter a cultura e as tradições, e a Portugalidade viva entre nós".

Presente neste evento e a fazer questão de tentar proferir algumas palavras em português, o deputado provincial Chris Glover, recentemente reeleito no círculo eleitoral de Spadina_Fort York, fez referência ao pioneirismo e à coragem dos portugueses que imigraram para o Canadá há quase 70 anos e não deixou de aludir às contribuições da comunidade luso-canadiana para o tecido social e económico do país.


Também o cônsul-geral de Portugal em Toronto, José Manuel Carneiro Mendes, viria a pronunciar-se durante o evento para realçar a importância da participação da comunidade nestas iniciativas, que são, como enfatizou, "uma forma de nos afirmarmos nesta sociedade de acolhimento".

"Este monumento é uma prova de que esta comunidade chegou aqui, instalou-se, e teima em afirmar-se e em dizer que tem orgulho em ser portuguesa", lembrou o diplomata, que fez questão de realçar ainda a necessidade de "continuar esta gesta dos pioneiros e apoiar o movimento associativo aqui no Canadá".

A concluir a cerimónia, foi colocada uma coroa de flores junto ao padrão dos Descobrimentos que serve de marco da presença dos portugueses no Canadá e de homenagem aos pioneiros.

Tributo a Luís de Camões

No final da tarde teve ainda lugar o tributo ao poeta Luís de Camões, cerimónia que decorreu na praça Camões, em Toronto com a participação de Kátia Caramujo, presidente do Conselho de Presidentes da ACAPO.

Durante o evento, o coordenador do Ensino de Português no Canadá, José Pedro Ferreira, referiu que aquele momento era uma oportunidade especial para honrar Portugal – "o país que pulsa no meu coração", como fez questão de sublinhar – mas que como cidadão português e como representante do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, era para si "um verdadeiro privilégio poder honrar Luís Vaz de Camões, o maior poeta nele [Portugal] nascido, e a instituição que com o nome do poeta se ocupa de divulgar e promover essa mesma língua", a "nossa língua portuguesa", destacou.

Na sua acepção, a maior honra que podemos prestar ao poeta "é a leitura dos seus versos, hoje e sempre".

José Pedro Ferreira referiu ainda que no Canadá há cerca de 80 escolas e 11 universidades com oferta de aulas de português nos vários níveis de ensino, e que estas são frequentadas por cerca de 4.700 alunos.

Contudo, lembrou que "podemos ser muitos mais a falar a língua que o poeta nos deixou" e incentivou o seu
uso diário nas conversas em família e entre amigos,
especialmente junto dos mais novos, nascidos já neste país.

O coordenador justificou a necessidade de preservar esta herança linguística com uma máxima literária: "Uma língua que não se fala, morre; um poeta que não se lê, cai no esquecimento".

À semelhança do que havia sucedido horas antes, durante a cerimónia no High Park, as entidades oficiais procederiam à colocação de uma coroa de flores junto ao busto de Luís Vaz de Camões.

Homenagem aos voluntários:

Augusto Santos Silva enaltece os "500.000 embaixadores de Portugal" a viver no Canadá

Por Luís Aparício

Sol Português

O presidente da Assembleia da República Portuguesa destacou em Toronto a dimensão da representação lusófona que se radicou neste país, sublinhando que "isso significa que temos 500.000 embaixadores de Portugal a viver no Canadá".

Augusto Santos Silva, que se deslocou ao Canadá entre os dias 10 e 14 de Junho por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, participou no evento de homenagem aos voluntários no parque Trinity-Bellwoods, cerimónia que marcou o encerramento da Parada do Dia de Portugal, realizada no sábado (11).

Falando às várias dezenas de pessoas que se aglomeraram junto ao monumento, Augusto Santos Silva sublinhou que "por causa do trabalho dos voluntários, por causa deste magnífico evento que nos permite a todos reunirmo-nos aqui na maravilhosa cidade de Toronto, podemos dizer: há aqui portugueses, há aqui grandes amigos de Portugal, por isso, aqui também está Portugal".

Sem se deixar perturbar pelos pingos de chuva "abençoada" que na altura começavam a cair, ainda que de forma breve, o presidente da Assembleia da República recordou a importante decisão que tomou há dois anos de se candidatar ao Parlamento, em representação de um dos círculos da emigração portuguesa.

"Agora que sou presidente do Parlamento, isso significa que, pela primeira vez", o cargo é desempenhado por "um deputado que representa os portugueses que vivem fora de Portugal", frisou.

Augusto Santos Silva observou que Portugal tem cidadãos seus a viver em 185 países espalhados pelo mundo, e é um país que, actualmente, acolhe cidadãos estrangeiros oriundos de mais de 170 nações, pelo que "Portugal e o mundo confundem-se".

Nas palavras que dirigiu em inglês, salientou que Portugal e o Canadá podem estar longe geograficamente, mas estão muitos próximos um do outro em termos de cultura, de política e de diplomacia.

"E sei do que falo porque, durante quase sete anos, fui o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal e tive o prazer de trabalhar ao lado do Primeiro-ministro canadiano".

O presidente da Assembleia da Repúbli-ca Portuguesa deu ainda nota das boas relações bilaterais entre os dois países, destacando as trocas comerciais, ainda numa fase de crescimento, e os laços diplomáticos, que, afirmou, "estão fortalecidos".

A finalizar a cerimónia, o representante do governo português participou na colocação de uma coroa de flores no Monumento ao Voluntariado Luso-Canadiano, inaugurado em 2001 durante a visita de Estado do então Presidente da República, Jorge Sampaio, ao Canadá.

O grupo coral Mariano, fundado em 2011, entoou os hinos do Canadá e de Portugal.


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