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Cônsul-geral retoma tradição de recepção no Dia de Portugal

Por Luís Aparício

Sol Português

O cônsul-geral de Portugal em Toronto retomou uma tradição institucional de longa data, interrompida durante a pandemia, ao convidar elementos da comunidade portuguesa para um cocktail por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

"Era muito importante para mim poder reatar uma tradição a que a comunidade estava habituada", disse José Manuel Carneiro Mendes em declarações ao jornal Sol Português.

"Mas" – apressou-se a acrescentar – "gostaria de frisar que mesmo que essa tradição não existisse, eu próprio, como cônsul-geral, faria um ponto de honra de pelo menos iniciá-la".

O evento de sexta-feira (10), que juntou grande número de entidades públicas, dirigentes associativos e outros elementos da comunidade na Casa do Alentejo de Toronto (CAT), abriu com os hinos do Canadá e Portugal, entoados por crianças de várias nacionalidades que estão a aprender a língua portuguesa.

Foi um momento especial que deixou o diplomata orgulhoso.

"Senti o meu coração quente quando vi aquelas crianças com camisolas onde estava escrito "Eu falo português" (...) cantarem o hino de Portugal com aquela fibra e com emoção", afirmou.

Nas palavras proferidas durante a recepção, o cônsul salientou que a comemoração do Dia de Portugal permite reflectir sobre três vertentes diferentes, que passou a elaborar.

Em primeiro lugar, disse o diplomata, "ao celebrarmos o Dia de Portugal, estamos a celebrá-lo como qualquer português; trata-se de algo muito próprio, muito sentido, que é a nossa Pátria, a nossa portugalidade, as nossas tradições, a nossa cultura e o nosso orgulho em sermos portugueses".

Após convidar todos a visitarem a exposição que se encontrava naquele local e que apresentava uma edição antiga dos Lusíadas, a obra de poesia épica do escritor Luís Vaz de Camões e a primeira epopeia portuguesa publicada em versão impressa, o diplomata prosseguiu.

Celebrar Camões significa também comemorar a
língua portuguesa, afirmou, fazendo referência a outro grande escritor português, Fernando Pessoa, quando, como citou, "ele dizia: `a minha Pátria é a Língua Portuguesa'".

O diplomata lembrou ainda que somos compatriotas de uma língua com
250 milhões de falantes, a mais falada no Hemisfério Sul, por isso defende que a língua portuguesa é não
apenas um instrumento cultural, mas também um instrumento de comunicação com um vasto potencial que permite colocar em contacto vários países e nacionalidades.

"Mas para isso precisamos de aprender o português, por isso os pais precisam de dizer aos seus filhos que vão à escola aprender o português" exortou, destacando que "existe a oferta, mas terá de haver mais procura".

Por fim, debruçou-se sobre a celebração das comunidades portuguesas, que constitui a terceira vertente do nome oficial do feriado do Dia de Portugal.

"Isso significa que não apenas nós, comunidade, estamos aqui a celebrar o
Dia de Portugal e a portugalidade, mas toda a portugalidade nos está a celebrar a nós", afirmou, considerando que esse facto reconhece "que somos uma parte do nosso veículo de afirmação como portugueses; como Diáspora".

Com isso em mente, pediu a todos que não tenham receio de se afirmar, cívica e politicamente, que saiam da sua zona de conforto e se dêem mais à sociedade de acolhimento, neste caso uma sociedade multicultural que tem aberto os braços aos portugueses.

O cônsul leu ainda uma mensagem do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, a "felicitar quem traduz, no seu quotidiano, as razões do nosso orgulho comum".

Tendo chegado ao seu conhecimento o exemplo da compatriota luso-canadiana Ema Dantas, de Toronto, que rumou e alcançou o ponto mais alto do planeta, o monte Evereste, levando a bandeira portuguesa em nome da igualdade de género e dos direitos das mulheres, o presidente da República felicitava-a pela conquista, recordando que, como ela, muitos outros portugueses e luso-canadianos levaram alto e longe o nome de Portugal e as causas que todos partilhamos.

"É por isso que não podia deixar de saudar a iniciativa e capacidade de superação, enviando o meu agradecimento a Ema Dantas, e também a todos os compatriotas que nos ajudam a celebrar, materializando no seu trabalho, na sua solidariedade, na sua fraternidade, a razão de ser do nosso dia, o Dia de Portugal", leu o cônsul a finalizar a missiva presidencial.

O convívio social na sede da CAT incluiu canapés e degustação de vinhos portugueses, bem como o sorteio de um bilhete duplo de ida-e-volta da TAP Air Portugal, do Canadá para Portugal.


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