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Poveiros celebram São Martinho com muita música e comida típica

Por João Vicente

Sol Português

"Uma noite de grande alegria, de grande divertimento [...] para bater o pé, para cantar, para dançar, para cantar à desgarrada", foi a promessa da presidente da Casa dos Poveiros para a festa de São Martinho desta colectividade, um animado convívio que sábado (11) se realizou na presença do presidente da Câmara da Póvoa de Varzim e que teve a participação de um grupo de músicos locais e vindos de Portugal.

Com cerca de 1100 pessoas na assistência e os bilhetes esgotados havia já três semanas, pode dizer-se que a festa prometia mesmo antes de começar e se mais lugares houvessem, mais teriam sido vendidos.

Segundo Linda Correia, as papas de sarrabulho e tripas feitas pelas senhoras da casa são um dos factores que atraem muita gente a esta festa anual, que passou este ano a ser celebrada no salão da LIUNA Local 183 precisamente para dar resposta à procura crescente e que o salão dos poveiros, com capacidade para apenas 200 pessoas, não consegue acomodar.

Na sua breve alocução o administrador da "183", Jack Oliveira, elogiou a iniciativa, assim como a presença de muita juventude e agradeceu ao autarca pela hospitalidade que lhe foi demonstrada, a si e à sua comitiva, quando recentemente visitaram Portugal e passaram pela Póvoa de Varzim.

O artista Paulinho do Minho viria a inaugurar o palco com alguns dos temas que compõem o seu primeiro CD, lançado há cerca de um mês, e tal como aventou antes de entrar em palco, referindo a hipótese do público engraçar com a música "É só vinho", em breve estava toda a gente a dançar ao som deste e de outros temas.

O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, que já havia visitado esta colectividade pela primeira vez em 2016 e se comprometeu a voltar este ano para a festa de São Martinho, indicou estar no Canadá numa missão com vista ao fortalecimento das ligações dos emigrantes à sua terra natal.

Nesse sentido destacou o gabinete do emigrante, que indicou tem vindo a estabelecer ligações com as pessoas que estão do lado de cá e que precisam de tratar de assuntos ligados à autarquia, incluindo o abastecimento de água, electricidade, terrenos ou outras dificuldades.

"Nem me dava muito jeito cá vir, com toda a sinceridade – tive eleições no dia 1 e ainda estamos a `montar a Câmara', como se costuma dizer – mas compromissos são compromissos e aqui estou com um enorme gosto e tenho, naturalmente, conversado com muita gente e visitado muitas famílias para perceber do que é que necessitam do nosso lado", acrescentou Aires Pereira antes de citar ainda como exemplo uma senhora que o contactou pelo Facebook pois não conseguia comunicar com a mãe idosa e não tinha lá quem a ajudasse.

Pelas reacções do público, deu para ler nas entrelinhas que esta mudança ao leme do município da Póvoa está a ser bem aceite na diáspora.

"Eu acho que está à vista: os Poveiros gostam do presidente", afirmou Linda Correia, adiantando que "é daqueles que é mesmo o presidente do povo e se calhar também é de onde vem a força que eu tenho ao ver que do outro lado tenho apoio e carinho que realmente – não digo que não tivesse no passado, mas – não estava tão [declarado]".

A festa prosseguiu com cantigas à desgarrada, pelas vozes e acordeões de Pedro Cachadinha e Gonçalo Moreira, que se foram esforçando por arrancar algumas gargalhadas da plateia, amiúde com sucesso.

"É a primeira vez que estou em Toronto e estou a gostar; o povo é cinco estrelas", afirmou Pedro Cachadinha, que descreve a arte da cantiga ao desafio "como um homem que tenha uma namorada e o outro quer-lha roubar; é a mesma coisa [...] com educação e umas brincadeiras pelo meio e pronto, por aí fora".

Considera que em Portugal este estilo musical está a passar por um período baixo, pois a juventude tende a enveredar por outros caminhos e outros géneros musicais, mas aqui e noutras comunidades da diáspora sente que esta arte é mais apreciada e está mais na moda.

De qualquer forma, fez 111 festas este ano, tem a agenda cheia até Abril e já está confirmado para animar esta festa de novo para o ano.

Com apenas 17 anos, o seu colega Gonçalo Moreira já participa nestes desafios musicais desde os 10 e, sendo natural da Póvoa, usou a experiência e o trunfo de estar a "jogar em casa" a seu favor nas rimas que nessa noite foi fazendo.

Mas o serão reservava mais uma surpresa, pois eventualmente juntou-se-lhes em palco Henrique de Lindoso e a partir daí a festa animou ainda mais.

Mais tarde seriam servidas as castanhas assadas, como é da praxe no São Martinho, prosseguindo os festejos pela noite fora.


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