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Canadá/Covid-19: Peritos alertam que pandemia grassa sobretudo entre os não vacinados e jovens

Tal como na semana anterior, o número de infecções de Covid-19 no Canadá nos últimos sete dias cifrou-se em cerca de 30.000, mas os óbitos continuaram a registar aumentos significativos, atingindo quase duas centenas (198) numa semana.

No Ontário registou-se uma ligeira redução no número de infecções nos últimos dias, que reduziram a média semanal de 732 para 722 casos, mas as autoridades não consideram a queda significativa e com o recente regresso dos alunos às aulas, destacam ser ainda cedo para se poder determinar a progressão da pandemia.

Efectivamente, esta semana viria a ser revelado haver já quase meio milhar de casos de Covid-19 nas escolas públicas da província.

Destes, 168 foram anunciados na quarta-feira (15), quando o número de casos activos aumentou para 476, entre alunos e funcionários – uma taxa de crescimento na ordem dos 30 por cento por dia, com base nos cinco dias anteriores.

Com quase 5.000 estabelecimentos de ensino na rede de escolas públicas, o Ministério da Educação indicou que 390 dos infectados são alunos, 66 são funcionários e 20 não foram identificados.

De acordo com as Direcções Escolares de Toronto e Hamilton, 167 dos casos ocorreram em escolas sob a sua jurisdição, um aumento significativo face aos 109 que indicavam estar activos na véspera e os 50 que registavam no domingo (15) à noite.

Em Toronto, a responsável pelos serviços de saúde da autarquia, dra. Eileen de Villa, considerou a propagação da doença nas escolas "a principal preocupação" daquele departamento.

Contudo, e embora indicasse que os casos têm vindo a aumentar "consistentemente", destaca que era algo já "esperado, dada a infecciosidade da variante Delta e a população de alunos com menos de 12 anos, que, devido à sua idade, não podem ainda ser vacinados".

Se as escolas têm ou não um impacto significativo na propagação da pandemia continua a ser fonte de intenso debate entre os próprios peritos, que oferecem conclusões contraditórias.

Entretanto, e à medida que a taxa de vacinação continua a aumentar, vários especialistas lembram que a pandemia afecta sobretudo os não vacinados, grande parte dos quais são jovens.

No Ontário, a percentagem da população com mais de 12 anos que está vacinada é de 78,4 por cento, com 85 por cento parcialmente imunizada (uma dose).

Os números são semelhantes em Toronto, onde o Departamento de Saúde Pública confirma que três em cada quatro residentes estão devidamente inoculados contra o coronavírus.

O governo do Ontário indicou que irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para elevar a percentagem de vacinados para 90 por cento, objectivo pretendido também pela autarquia torontina cujo presidente da Câmara, John Tory, disse há muito ser "a meta" pretendida.

Tanto o autarca como a dra. Eileen de Villa ressalvam que os números demonstram claramente que a probabilidade de contrair a doença entre a população não vacinada é "sete vezes maior", destacando a chefe dos serviços de saúde que o nível mais elevado de infecções se regista entre os jovens dos 20 aos 29 anos de idade.

Com base no número de infecções que foram registadas na quarta-feira (15), 447 dos 593 casos envolvem pessoas que não estavam vacinadas ou não tinham completado o processo de imunização.

Em termos demográficos, 95 são crianças com menos de 12 anos, 54 são jovens dos 12 aos 19, e 253 estão na casa dos 20 aos 29.

Também as hospitalizações mostram a discrepância entre vacinados e não vacinados, sendo que dos 346 pacientes que a meio da semana se encontravam internados devido à Covid, 311 não tinham apanhado a vacina ou estavam apenas parcialmente imunizados.

Entretanto, as províncias de Alberta e Saskatchewan estão a braços com um surto de Covid-19 que alguns responsáveis pelos hospitais consideram poder levar os respectivos serviços de saúde "ao ponto de ruptura".

Impulsionada pela variante Delta, a pandemia está a assolar de forma particularmente intensa a região centro e oeste do país, onde ainda há pouco o desconfinamento havia sido decretado, à medida em que a taxa de vacinação aumentava acentuadamente.

Contudo, com o ritmo de inoculações "estagnado", o número de infecções levou os hospitais a trabalhar no limite das suas capacidades, segundo o dr. Cory Neudorf, que dirige o Departamento de Saúde de Saskatchewan e que considera que a situação pode servir de lição para o resto do país.

"Conforme aprendemos com as outras vagas, quanto mais cedo agirmos quando se vê surgir uma nova onda, melhor será a resposta que podemos dar à situação", afirmou.

Esta semana, a responsável pelos serviços de saúde de Alberta, dra. Deena Hinshaw reconheceu ter sido um erro levantar o desconfinamento durante o Verão, algo de que se arrepende "profundamente", afirmou durante uma conferência de imprensa.

A média de infecções em Alberta a 1 de Julho, quando o governo decretou que a província estava "aberta para o Verão", era de 53 casos diários e continuou a diminuir até finais do mês quando, de repente, aumentou para 61.

A 1 de Agosto contabilizavam-se já diariamente 178 infecções, no início de Setembro 1.082 e esta quarta-feira (15) foram confirmados 1.434 casos.

Segundo o dr. Paul Parks, presidente dos serviços de urgência da Associação Médica de Alberta e clínico na cidade de Medicine Hat, "os pacientes que recorrem aos serviços médicos, na sua maioria, não estão vacinados" e embora "felizmente muitos possam ser mandados para casa […] são cada vez mais os que precisam de ser hospitalizados".

Para dar resposta ao influxo de infectados, o hospital onde exerce tem vindo a cancelar ou a adiar operações – à semelhança do que aconteceu já noutras zonas do país, incluindo no Ontário – ao mesmo tempo que transfere pacientes para outros hospitais espalhados pela província, mas o médico receia que não seja o suficiente.

"É por isso que pedimos aos nossos governantes para que façam alguma coisa para se implementarem medidas sanitárias localizadas" e "ao público para que dê o seu contributo, use máscara, evite grandes ajuntamentos e se faça vacinar – precisamos de ajuda", concluiu.

Entretanto, e de volta ao Ontário, enquanto o governo se prepara para implementar o novo certificado de vacinação que será necessário apresentar para aceder a serviços e visitar estabelecimentos considerados não essenciais, algumas empresas mostram-se receosas de poderem vir a ver-se confrontados por clientes beligerantes.

Esta semana foram revelados mais alguns detalhes do programa de certificação, incluindo o aplicativo que virá a ser usado pelos estabelecimentos para confirmarem o estatuto de vacinação dos clientes e que deverá estar pronto em finais de Outubro.

Até lá, restaurantes, cinemas e ginásios, entre outros, vão ter de depender dos documentos que lhes forem apresentados como comprovativo, incluindo cópias do recibo de vacinação ou uma licença média que os isenta, deixando muitos incertos sobre exactamente que tipo de documentos devem aceitar.

Larry Isaacs que preside ao grupo de bares The Firkin Group, interroga-se a respeito da admissibilidade de certificados emitidos por outros países, enquanto que outros questionam que tipo de documentos podem comprovar se o cliente está isento da vacina por motivos médicos.

Não existe, até à data, um documento oficial aprovado para esse efeito, o que deixa os empregados que terão de interrogar os clientes numa posição particularmente vulnerável.

Como destacam alguns peritos em Direito Laboral, estes funcionários vão ficar numa posição em que têm de agir quase como seguranças, enquanto que os responsáveis pelas empresas se debatem entre evitar serem multados por não fazerem cumprir a lei e zelarem pela saúde e segurança dos seus funcionários.

A ministra da Saúde, Christine Elliot, indicou esta semana que qualquer funcionário que se sinta ameaçado por clientes que não queiram obedecer à exigência de apresentar documentação deve imediatamente ligar à polícia.

"Queremos que liguem para o 911 logo que possível, para que os nossos agentes possam comparecer e dar-lhes assistência", salientou, acrescentando no entanto não preverem que a situação dê origem a um aumento significativo no número de chamadas.


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