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Recepção de Ano Novo atrai multidão à Câmara Municipal de Mississauga

Por João Vicente
Sol Português

A "levée", ou recepção de Ano Novo, durante a qual os cidadãos se encontram cara-a-cara com os seus governantes, é um costume que teve início na corte de Luís XIV e que chegou ao Canadá através do governador da Nova França, nome pelo qual se designava o que é hoje a província de Quebeque.

Daí se espalhou ao resto do país e também no município de Mississauga esta tradição já vai com 40 anos ininterruptos, permitindo o contacto entre residentes e a presidente da Câmara, vereadores e convidados de honra, incluindo representantes dos serviços de polícia e bombeiros.

Assim foi que no domingo (13) a actual presidente da autarquia, Bonnie Crombie, acolheu com pompa e circunstância uma multidão de constituintes que quase encheu por completo as bancadas da galeria pública na Assembleia Municipal.

Como é hábito, o cortejo de convidados de honra foi encabeçado por um tocador de gaita de foles e por uma dezena de "cavaleiros de Colombo", organização católica beneficente.

Coube ao pregoeiro da cidade, Stephen Travers, a tarefa de dar as boas-vindas ao povo e proclamar a abertura oficial do evento, após o que a mestre-de-cerimónias (MC), Caroline Marful, se apresentou, dando a conhecer um pouco do seu percurso académico e envolvimento cívico antes de pedir a todos para que se levantassem para o hino do Canadá.

A sua interpretação ficou a cargo da cantora e compositora Heather Christine, residente nesta cidade, após o que a MC procedeu à apresentação dos convidados de honra, a começar pela autarca e prosseguindo com os vereadores: Stephen Dasko, Karen Kras, Chris Fonseca, John Kovac, Ron Starr, Matt Mahoney e Sue McFadden.

As apresentações incluíram também o chefe dos bombeiros, Tim Beckett; os deputados federais Sven Spengemann e Omar Alghabra; os deputados provinciais Kaleed Rasheed e Rudy Cuzzetto; o chefe interino da polícia de Peel e o sub-chefe, respectivamente, Christopher McCord, e Marc Andrews; bem como a directora do banco alimentar de Mississauga, Meghan Nicholls.

Antes de se darem início aos discursos, a poetisa laureada Pujita Verma, também ela residente neste município, foi chamada a declamar um poema da sua autoria, composto especialmente para a ocasião.

A edil de Mississauga fez então a sua declaração pública, começando por reconhecer que a cerimónia se realizava no que fora em tempos território da tribo Mississauga, junto ao rio Credit, desejando de seguida um feliz Ano Novo em várias línguas, incluindo em português.

Bonnie Crombie centrou a sua mensagem de Ano Novo em torno da inclusão e aceitação dos que procuram uma nova vida no Canadá, declarando que em Mississauga "não se constroem muros mais altos, mas sim mesas mais compridas" e afirmando que "devemos reafirmar os nossos valores e o nosso empenho na humanidade".

Contudo, e criticando o fosso cada vez maior que separa ricos e pobres na nossa sociedade, incluindo na sua cidade onde declarou que cerca de 15% da população vive abaixo do limiar da pobreza, a edil chamou a directora do banco alimentar, o chefe dos bombeiros e a mascote do banco alimentar, "Donny" – que representa um saco de donativos – para anunciar o resultado de uma campanha de angariação de alimentos e donativos.

Segundo indicou, graças aos esforços e donativos dos cidadãos de Mississauga, dos grupos e organizações locais, e das igrejas, mesquitas e sinagogas que participaram, foram angariados durante a quadra festiva 650.300 dólares e mais de 183 toneladas de alimentos, fazendo subir o total conseguido nos últimos quatro anos para mais de um milhão de dólares e 500 toneladas de comida.

Por seu turno, no discurso de agradecimento a directora do banco alimentar salientou que a necessidade não diminui ao longo do ano, apelando por isso aos seus concidadãos para que se lembrem de continuar a ajudar com donativos.

Bonnie Crombie aproveitou para terminar o seu discurso apelando ao civismo e espírito de compaixão e empatia que todos podem expressar através de sorrisos e simples gestos de cortesia, como abrir uma porta ou limpar a neve da entrada da casa de um vizinho idoso ou doente.

Seguiu-se então um convívio entre as entidades oficiais e cidadãos, que contou com música de fundo a cargo do duo River North, composto pelos artistas Heather Christine e Matt Zaddy.

Aproveitámos para indagar junto de Bonnie Crombie sobre o que considerou os principais destaques de 2018 e o que se avizinha em 2019 para Mississauga.

A autarca manifestou-se particularmente orgulhosa do que considera um nível de impostos abaixo da média dos que são cobrados na Área da Grande Toronto, acrescentado que tem sido possível encontrar cerca de 4 a 5 milhões em poupanças todos os anos.

Entretanto, indicou estarem a construir-se novos projectos de habitação de renda acessível e que o município tem vindo também a atrair investimento e empresas, do que resultam mais postos de trabalho.

Com respeito ao crescimento da cidade, que considerou estar a decorrer de forma "responsável", Bonnie Crombie salientou o desenvolvimento da zona marginal e da rede de transportes da cidade, que será acrescida de uma nova linha de metro à superfície cuja construção deverá arrancar dentro de cerca de um ano.

Para 2019, considera fundamental manterem-se concentrados nessas prioridades, designadamente: "acessibilidade a todas as bolsas, transportes públicos, postos de trabalho, prosperidade e crescimento", concluiu.

Tal como muitos dos que ali se deslocaram nesse dia, Lovemiel aguardou na fila durante quase duas horas para poder conhecer pessoalmente a edil.
Segundo indicou à nossa reportagem, o seu objectivo era perguntar-lhe qual o seu plano para manter a cidade acessível a pessoas que ganham apenas salário mínimo.

Entretanto, entre as centenas de pessoas encontrámos também um casal brasileiro, Camila e Gustavo Viana, que não sendo cidadãos se encontram aqui a estudar e que nesse dia acompanharam amigos canadianos ao evento.

Segundo Camila, no Brasil também há recepções públicas, mas "lá acontecem com um grande vulto de pessoas, então é muito difícil chegar perto das autoridades – aqui é bem legal sentir essa proximidade do público com a autoridade".

Esse sentido de proximidade continuou no exterior do edifício, desta feita na pista de patinagem localizada na Celebration Square para onde a presidente da Câmara se dirigiu depois, para gáudio de muita gente, especialmente de muitas fãs de palmo e meio que a abraçavam e para ela olhavam como se fosse uma princesa da Disney.


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