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CCPM:

Talentos locais brilham em Noite de Fados

Por Noémia Gomes
Sol Português

Conhecido como "o salão secreto" do Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM), o salão Jacinto Almeida, localizado na cave do edifício onde a agremiação está sedeada, foi palco na passada sexta-feira (11) de um encontro especial, com jantar e sessão de fados dedicada aos dirigentes que voluntariamente dão o seu melhor para garantir a continuidade desta casa.

Foi, como destacou o seu presidente-executivo, Tony de Sousa, um convívio que pretendeu reconhecer todos aqueles que durante todo o ano trabalham arduamente em prol do clube e que por isso também merecem uma noite de descanso e de descontracção em agradecimento.

Tal como a ocasião, também o jantar foi especial, deixando de parte o menu tradicional das noites de fados e optando antes por uma selecção mais alargada, com camarões, pastéis de bacalhau, queijo, sopa, lulas grelhadas ou bife e ainda torta para sobremesa.

No final da refeição, o presidente apresentou os músicos da designada "Fado House", nomeadamente Hernâni Raposo na guitarra portuguesa, Pedro Joel na viola de fado e Sérgio Santos no contra-baixo, os quais viriam a acompanhar musicalmente os fadistas convidados a actuar.

A primeira fadista em palco foi Jennifer Bettencourt, uma artista nascida em Toronto, com raízes açorianas e do continente, e já bem conhecida na comunidade portuguesa.

A jovem, que começou a cantar fado há 17 anos, confessou à nossa reportagem que um dos momentos altos da sua vida teve lugar em 2016, quando teve oportunidade de cantar fado vadio nas casas de fado de Lisboa, uma recordação que guarda com especial carinho.

Jennifer está actualmente a trabalhar na gravação do seu primeiro CD, um álbum com dez temas: três originais e os restantes fados antigos e tradicionais – "para que não fiquem esquecidos", salientou – e não esconde o seu entusiasmo por este trabalho discográfico que espera ver lançado ainda este ano, em data a anunciar.

No decorrer da sua actuação neste espectáculo. a artista conquistou o público com a sua forma simples e despretensiosa de cantar, interpretando com estilo próprio clássicos como "Meu amor marinheiro", "Ave Maria", "Fadista", "Alfama", "Rosinha dos limões", "O xaile de minha mãe" e "Recusa", entre outros.

Seguiu-se um veterano do fado, Manuel Silva, natural de Corpo Santo, ilha Terceira – Açores, que desde 1991 actua na comunidade portuguesa local, mas que conta já com espectáculos em França e em Calgary.

O seu primeiro álbum, intitulado "A Voz", foi editado em 2012 e, segundo nos revelou, está actualmente a alinhavar um novo projecto, continuando no entretanto a actuar ao vivo sempre que é solicitado.

Antes de dar início à sua actuação, o fadista juntou-se à plateia para cantar os Parabéns ao director João Rodrigues, que nesse dia celebrava o seu aniversário, prosseguindo então com uma selecção de temas extraídos do seu CD, incluindo "Madragoa", "Chuva", "Lamento à mãe" e "Loucura", assim como um tema que gravou e que era cantado pelo saudoso Armando Costa "Rilhas", "Não sei pintar Lisboa".

A dar por concluída a primeira parte do espectáculo, Manuel Silva chamou ao palco um conterrâneo e colega, embora "não propriamente do fado", como destacou.

Tratava-se de Zé Nandes, ex-elemento do agrupamento "Só Forró", agora a solo, e que lançou recentemente um CD, "Coisas nossas, voz da saudade".

Artista, compositor e improvisador, Zé Nandes adapta-se a qualquer estilo musical e nessa noite foi com um fado improvisado que mostrou a sua versatilidade.

Depois de um interregno, a segunda parte do espectáculo abriu com uma guitarrada, que Hernâni Raposo dedicou ao falecido mestre António Amaro.

Nos muitos espectáculos em que o exímio mestre da guitarra portuguesa participava era com "De Coimbra a Lisboa" que iniciava as sessões de fados, um lindo instrumental executado perfeitamente nessa noite pelos músicos Hernâni, Joel e Sérgio.

Os fadistas convidados voltaram ao palco para a segunda parte das suas actuações, sendo de destacar a interpretação do tema "Igreja de Santo Estêvão", na voz de Manuel Silva, e que foi cantado sem microfone, no meio da sala, acompanhado pelos músicos.

O espectáculo terminou com os dois fadistas a interpretarem o clássico "Senhor vinho" em dueto, sob os aplausos do público, coroando assim uma noite que não só serviu de agradecimento aos voluntários do CCPM como mais uma vez destacou o valor e o talento dos artistas locais.


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