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Casa dos Poveiros celebrou São Martinho com mais de oito centenas de convivas

Apesar das dificuldades originadas pela pandemia, "vivos, dinâmicos, unidos e
felizes, é assim que cá estamos",
afirmou presidente

Por Rómulo Ávila

Sol Português

A noite foi de surpresas, de emoções fortes e de tradições quando, numa organização da Casa dos Poveiros de Toronto (CPT), o salão de festas da LIUNA Local 183 foi palco no passado sábado (12) de mais uma comemoração de São Martinho.

A presidente da colectividade, Linda Correia, afirmou ao jornal Sol Português que já tinha "saudades de organizar uma festa, um evento que promovesse a união e os sorrisos entre as pessoas, entre amigos e família".

"Embora a nossa Casa não tenha uma sede, um espaço seu, estamos unidos, felizes, vivos, dinâmicos e com vontade de dar a volta à situação", afirmou.

Linda Correia admitiu que "a pandemia perturbou as dinâmicas de actividade da casa", e que por isso, "o futuro é incerto", mas "quem sabe um dia voltamos a ter o nosso espaço", acrescentou, esperançada.

"O nosso sonho continua vivo, mas agora estamos focados em trabalhar, em dinamizar e em promover os nossos encontros", destacou.

"Os patrocinadores continuam a ajudar, a nossa comunidade respondeu com uma casa cheia e isso dá-nos força", referiu ainda, formulando votos de que "o tempo nos ajude e que os contextos joguem a nosso favor".

Um dos momentos altos deste serão centrado nas tradições de São Martinho foi protagonizado pelo presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, que se deslocou ao Canadá e que viria a entregr uma importante contribuição financeira para a debilitada colectividade poveira de Toronto.

"Pela quarta vez junto da minha gente", como referiu, considerou esta uma visita "mesmo muito especial", uma vez que "a pandemia afastou-nos e, todos sabemos, a Casa dos Poveiros, passou por uma fase muito complicada".

Aires Pereira asseverou que "no reatar da nossa vida, esta visita vem dar apoio, mostrar que estamos interessados em que esta Casa da Póvoa no Canadá continue de pé, mesmo sem espaço físico" e mostrou-se "confiante que esta gente trabalhadora e lutadora vai dar a volta à situação".

"Fizemos de tudo, lá e aqui, para manter a sede na posse desta Casa, mas não foi possível, para já, pois o futuro era muito incerto", contudo, garantiu quererem "continuar a celebrar aqui, no Canadá, o que nos une a todos lá e cá: a nossa terra, a nossa família e as nossas raízes" e a confirmá-lo revelou ser portador de uma oferta, que entregou num envelope nas mãos de Linda Correia.

Esta, em lágrimas, anunciou o valor do cheque recebido à plateia – 10.000 euros – o que levou a assistência a aplaudir, de pé, a generosidade da autarquia da Póvoa.

Aires Pereira considerou ser "uma pequena ajuda para que a nossa Casa dos Poveiros continue a honrar os seus compromissos e ande de cara levantada, pois esta tarefa, que começou há 38 anos, de unir os emigrantes poveiros, não pode parar".

Posteriormente, e em declarações exclusivas ao jornal Sol Português, o autarca realçou que a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim tem um gabinete dedicado exclusivamente à emigração, para ajudar os que se deslocam à sua terra e precisam de esclarecimentos ou assistência.

"Este Gabinete do Emigrante foi premiado e está disponível 24 horas por dia para ajudar as pessoas" afirmou Aires Pereira, garantindo que "ninguém precisa de recorrer a intermediários, pois o município está lá para ajudar a resolver as questões, sejam elas complexas ou simples".

Como seria de esperar, não faltaram nesta festa as castanhas assadas, já que de um convívio de São Martinho se tratava, mas também não faltaram as tradicionais papas de sarrabulho, as tripas e os rojões.

Não faltou também animação e a abrir a noite, em termos musicais, esteve a dupla de cantares ao desafio constituída por Gonçalo Moreira e Joãozinho Oliveira.

Antes mesmo de subir ao palco, Gonçalo Moreira registou que era a sua terceira vez a cantar no Canadá, afirmando serem "sempre noites memoráveis de alegria e boa disposição".

"Sou poveiro, sou filho da terra e estou bem integrado na comunidade portuguesa, que me recebe sempre com muito carinho", afirmou.

Por sua vez, Joãozinho Oliveira – o seu "adversário ao desafio" – apresentou-se pela primeira vez em Toronto e garantiu sentir-se muito contente por ver a sala cheia, bem como por ter podido encontar-se com familiares que aqui estão emigrados.

"Espero levar novas amizades", referiu, salientando que "aqui sente-se Portugal, pois a saudade faz com que se viva a tradição de uma forma pura e forte".

Lídia Sousa, que actuou depois desta dupla vinda de Portugal continental, enfatizou ser para si "uma alegria enorme cantar para uma sala cheia", ainda para mais fazendo-o "na língua de Camões".

Como afirmou: "ver a nossa gente alegre, a sair, a conviver, a conversar é muito bom. Tínhamos falta destes momentos, de nos ver, de nos tocar, de nos ouvir e de viver a vida na sua plenitude".

Presente neste convívio esteve a nova cônsul-geral de Portugal em Toronto, Sofia Batalha, que se viria a pronunciar para dirigir algumas palavras de circunstância e de agradecimento.

Também Laurentino Esteves, presidente da Assembleia-Geral da colectividade poveira, e a deputada federal Julie Dzerowicz se dirigiram publicamente aos cerca de 800 participantes, destacando ambos a cultura portuguesa e a "força de Portugal no Canadá".

A lutar por manter viva a tradição e a cultura poveira, a CPT continua na missão para a qual foi criada há quase quatro décadas, apesar das dificuldades financeiras que foram intensificadas pela pandemia.

A Direcção está a preparar o seu próximo grande evento, que se realizará em Março, embora ainda sem adiantar detalhes.


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