1ª PÁGINA


Na Igreja de Nossa Senhora de Fátima

Senhor Santo Cristo dos Milagres também em Brampton

O que faz andar toda aquela gente... é a devoção e a fé

Por Fernando Cruz Gomes e Noémia Gomes
Sol Português

Um mar de gente. A paróquia portuguesa de Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Brampton, era o centro de uma "maré viva" de gente que veio de vários pontos do Ontário. Especialmente das cidades mais perto... foram muitos os que se incorporaram na procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Vieram trazidos pela Fé. Ouviram, talvez, também, o chamamento que lhes vem do Passado, das longínquas ilhas dos Açores. Ou o chamamento que já lhes foi transmitido por outros.

Quando, no domingo, olhámos aquela mole imensa de gente... não pudemos deixar de anotar que o Santo Cristo dos Milagres, decerto, não deixou de abençoar as multidões, interessar-se pelos seus problemas, viver, afinal, com todos no decurso dos anos. Para os fiéis, decerto que esta é a mensagem principal.

Até porque, havia por ali muita gente tocada pela mão de Cristo. Um deles é, sem dúvida, Guido Pacheco, um dos organizadores das festividades e o presidente da Comissão de Festas. Quando lhe atirámos com a pergunta sobre o que é o que o faz andar, não deixou de dizer que "foi o milagre que eu recebi, há cerca de 7 anos". Conta mesmo: "quando estive paralisado, afervorei a minha Fé... tive Fé com Ele. E mesmo estando paralisado há quase ano e meio... estou, hoje, aqui, como nada se tivesse passado".

Testemunho vivo... de uma vida

Guido Pacheco afirma: "Foi tudo a ajuda do Senhor Santo Cristo... e eu, até ao resto da minha vida, vou fazer o que estou fazendo para Ele". Palavras que lembram que, de facto, "a Fé é capaz de mover montanhas".

Muitos outros casos, decerto, por ali, naquela procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Até por haver por lá, na procissão, muitos e muitos círios, a lembrar outras tantas promessas, muitas pessoas descalças, em penitência.

Procissão que vai agora no seu terceiro ano. De resto, desde Setembro de 2007, a Paróquia tem uma nova imagem do Senhor Santo Cristo, feita em Braga, e que será uma cópia fiel da que se encontra no Convento da Esperança de Ponta Delgada. Imagem que fica, todo o ano, numa capela lateral do templo.

O padre André Chilmon andava por ali feliz. Até porque tinha consigo, para além de muitos sacerdotes das áreas onde há Paróquias Portuguesas, o Bispo John Boissoneau, que acompanhou todo o percurso, mas ruas limítrofes à igreja de Nossa Senhora de Fátima. Sir Lou Dr, Hurontario, Ray Lawson Blvd e Malta (a rua da igreja) viram passar a procissão.

O padre Libório nunca falta

Uma lenda viva do amor ao Santo Cristo dos Milagres também por lá ia. Talvez menos jovem. Eventualmente a olhar mais para o alto. Era o padre Libório Tavares que, durante umas duas décadas, levou a cabo as mesmas Festas do Santo Cristo na Igreja primeira dos Portugueses no Canadá.

Gostámos de o ver, como gostámos de ver tantos outros sacerdotes que se juntaram à Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, de Brampton, para elevar as preces aos céus.

Como gostámos, ainda antes da procissão, o andor de Cristo ter sido transportado, ainda que por escassos metros, por três homens em cadeiras de rodas.

Três Bandas a acompanhar a procissão, a Lira Portuguesa de Brampton, a Lira Bom Jesus de Oakville e a Banda do Senhor Santo Cristo dos Milagres, de Toronto, que tem a sua sede na vetusta igreja de Santa Maria, onde a devoção ao Senhor Santo Cristo começou há quase 45 anos. A devoção, que veio com os Açorianos da diáspora, entranhou-se em várias cidades do Ontário, como Cambridge, Kingston, London, e Leamington. E em muitos outros pontos do Canadá.

Uma Festa em grande. Religiosa e profana, em simbiose que vem, de resto, dos arcanos da História e das ilhas dos Açores, especialmente de São Miguel. Quatro dias de festividades que fomos acompanhando, aos poucos, quase todos os dias. E que terminaram, afinal, domingo, na parte religiosa, com uma pregação do padre Norberto José Toste Brum, que uma vez mais, a todos empolgou.

Um Sacerdote que veio de São Miguel

Logo na sexta-feira, 11. às 7 horas da tarde era uma Missa pelos doentes. O celebrante, o padre Norberto Brum, haveria de ser, também, o pregador das festividades. Um pregador que traz a "lição estudada", no melhor sentido do termo, já que veio de São Miguel, onde a procissão e as festas – ainda que em Maio – têm ainda mais força e mais ânimo. Era a inauguração da nova Capa, Resplendor, Ceptro e Relicário do Senhor Santo Cristo.

E as palavras do sacerdote pregador haveriam de cair bem em quantos estiveram concentrados na Missa primeira das Festas deste ano.

No sábado, era a mudança da imagem da sua capelinha para o interior do templo. Primeira uma pequena procissão em volta da Igreja. Uma procissão que teve, desde logo, o acompanhamento de duas Bandas, uma local, a Lira de Brampton, e outra, de Toronto, a do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

E mesmo que a gente, no domingo, fosse muito mais, a verdade é que a procissão da mudança da imagem teve muitos e muitos presentes, que ficaram logo para a Missa então celebrada, antes do arraial, com que se fecharam todos os dias das festividades. Bem ao exemplo de São Miguel.

A verdade é que a comunidade de expressão portuguesa residente na cidade de Brampton, esteve em foco, por ocasião das mais lindas festas em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Gente de Brampton e de várias outras zonas (designadamente Toronto). Fé e devoção do povo.

De facto, os dias 11, 12, 13 e 14 de Setembro foram dias de muita fé. De muita devoção para com Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Na segunda-feira dia 14, pelas 18 horas da tarde, o já tradicional cortejo de oferendas, e logo a seguir, a celebração da Santa Missa de Acção de Graças.

Após a Missa, procedeu-se às habituais arrematações e ao arraial, com o concerto pela "Banda Lira de Brampton" e espectáculo.


Um conjunto de boas-vontades

A verdade é que na Igreja de Nossa Senhora de Fátima multiplicam-se as iniciativas da fé. Não fora isso e não haveria, decerto, tantas presenças a integrarem-se na procissão. O pendão era o primeiro, sim. O pendão de abertura. E Vimos de tudo um pouco. As Bandas. Os Romeiros da Igreja local. Irmandade do Divino Espírito Santo, de Brampton. A Casa dos Açores, com a presença designadamente do seu presidente, Carlos Botelho. Carmelitas, Legião de Maria, Grupo de Oração Carismática Sagrada Família, Grupo Bíblico, Movimento de Casais e Grupo de Preparação para o Matrimónio. Grupos que, por norma, funcionam na Igreja. Mas há mais. Grupo de Jovens e entre eles os estudantes universitários (com capa e tudo). Grupo Os Alegres. O Rancho Folclórico de Brampton. Etc., etc.

O pendão do Senhor Santo Cristo dos Milagres à frente. Com muita gente descalça. Com centenas de opas. O padre André. Anjos, muitos meninos e meninas vestidos de Anjos. Kniths of Columbus. Muitas promessas e muitos círios. Tudo a dar a entender que a procissão foi bem organizada.

Os Arraiais

A parte religiosa contada... há que partir para a parte profana. A exemplo do que se passa em toda a parte onde as Festas do Santo Cristo entram nos hábitos das gentes. Logo na sexta-feira, depois da abertura da iluminação – e que bonita ela estava! – música com o DJ Electrosound. E o TNT também.

No sábado, vimos, com prazer Mario Marinho, a cantar como ele sabe. A entusiasmar as plateias que se fizeram, desde logo, no largo fronteiriço à parte detrás da Igreja. Vimos a Stephanie Tavares, uma senhora artista, a ganhar o seu espaço em cada espectáculo que faz. O mesmo para Jessica Amaro, que vai ganhando as esporas de grande amazona nesta arte de saber cantar.

Tony Melo e o seu conjunto Starlight entrou, naturalmente, na dança. Já não o dispensam neste género de festas populares.

Vimos muitos e bons artistas. Sábado e domingo. Lucy e Bela. Helena Abrantes. António Oliveira. Os Alegres (divertidos como sempre).

Depois... os Grupos Folclóricos. Tudo a condizer com as grandiosas Festas do Santo Cristo que Brampton (Português) está a fazer cada vez maiores e mais grandiosas.


Voltar a Sol Português