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Quando o Algarve vem ao Alentejo

Artistas e representantes da província mais a sul de Portugal fizeram mostra da sua cultura na sede da colectividade mais alentejana de Toronto

Por António Perinú e Débora Viveiros
Sol Português

Algarve, Faro, Lagos, Portimão, Albufeira, Sagres, Vila Real de Santo António e quantas mais localidades algarvias... amendoeiras em flor, praias, sol, peixe fresco... a faina marítima, o turismo, os verdejantes campos de golfe e o seu imponente Estádio...

O que acima se refere são algumas das localidades, das actividade ou das belezas que compõem a província do Algarve, a mediterrânica região de Portugal cuja fama é lendária em todo o mundo.

Foi um pouco de tudo isto que veio até nós no passado fim-de-semana, quando a Casa do Alentejo de Toronto acolheu uma caravana composta por visitantes do Algarve, dando-lhes palco para que aqui se exibissem e revelassem os talentos e atributos que cultivaram debaixo do brilhante sol algarvio.

Assim se pôde ali apreciar, pela primeira vez em Toronto, o Rancho Folclórico Olhos D'Água, assistir a vídeos sobre a região, escutar a declamação de poesias influenciadas pela vivência algarvia, na voz do poeta e jornalista Arménio Aleluia, e desfrutar da voz de ouro de um novo talento feminino, a multi-facetada cantora e fadista Filipa Sousa.

As refeições servidas nesta Casa durante o fim-de-semana foram reflectivas da cozinha tradicional algarvia e o ambiente cultivado de forma a melhor espelhar as tradições locais. Para isso muito contribuiu a apresentação de um breve historial sobre a província, tarefa que ficou a cargo de Alípio Santos.

Enquanto isso, a exibição de vários vídeos sobre a região deu o toque final na transformação da Casa do Alentejo num reduto também da cultura algarvia.

Neste campo, destaque para "Belezas do Algarve", uma produção da Região de Turismo que demonstra vivamente os tesouros naturais e arquitectónicos do sul de Portugal.

Armando Viegas, na sua capacidade de presidente do Executivo da colectividade anfitriã, destacou os atributos dos elementos que compunham a comitiva visitante e realçou a sua percepção da Casa que dirige como palco para tudo o que de melhor se faz em Portugal e que visita o Canadá.

Foi o caso destes "nossos vizinhos", destacou o dirigente alentejano, referindo-se ainda à proximidade geográfica da "província irmã", como a classificou ao citar a origem desta caravana de artistas.

Conforme foi revelado, a deslocação desta comitiva ao Canadá foi comparticipada pela Câmara de Albufeira, cobrindo o resto das despesas os próprios elementos do grupo.

No decorrer de três dias (sexta-feira, sábado e domingo), houve oportunidade para o público visitante se deliciar com as actuações dos ranchos infantil e adulto da Casa do Alentejo, mas foi sobretudo o rancho visitante que mais cativou as atenções.

Quarenta e um elementos, todos jovens e cheios de vigor, fizeram mostra do folclore de cunho tradicional algarvio, apresentando modas pouco divulgadas entre nós e merecedoras da admiração dos espectadores.

Os Olhos D'Água fizeram-se apresentar com os seus trajos regionais e foram dirigidos pelo presidente e fundador, Anacleto Baptista, que acompanhou o rancho nesta deslocação até nós.

Outro dos intervenientes neste fim-de-semana da cultura algarvia foi o jornalista, poeta, declamador e director do jornal regional Avezinha, Arménio Aleluia.

Para além de responsável pelas apresentações de alguns dos intervenientes, Arménio Aleluia sobressaiu sobretudo na declamação de poemas de escritores naturais do Algarve, destacando a obra de António Aleixo, que considerou "o mais importante poeta do Algarve e do país".

Porém, o ponto alto das participações foi a actuação de uma artista ainda nova no panorama musical português: Filipa Sousa, finalista em 2008 do concurso `'À procura de Talentos" da RTP.

Apesar da sua juventude e ainda curta carreira, esta multifacetada cantora tem-se revelado de grande capacidade, apresentando-se com igual à vontade na canção e no fado.

A juntar às suas deslocações internacionais, que já incluem Espanha e Marrocos, Filipa Sousa soma agora o Canadá onde, ao longos destes três dias, recebeu fortes aplausos do público que assistiu aos espectáculos.

Com forte sentido artístico, comunicativa e simpática, a jovem revelou o seu talento particularmente numa interpretação muito própria do fado `'Maria Lisboa", que lhe mereceu efusivas ovações.

Com o som a cargo de Hélder Rodrigues e a gastronomia entregue à capacidade da chefe de cozinha Antónia Quitalo, o evento decorreu sob os auspícios da Direcção da Casa do Alentejo, com a ajuda, entre outros, de Lúcia Viegas, Rosa de Sousa, Milay Viegas e Bia Fidalgo, que ajudaram a garantir o bom funcionamento das instalações entre toda a azáfama.

No final, o evento pode classificar-se pela soma das suas partes: três dias algarvios, muitos intervenientes, cinco estrelas e uma colectividade alentejana empenhada em mostrar Portugal nas suas componentes regionais.


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