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O Director Financeiro Internacional em Toronto

"Montepio não é só Banco e está bem implantado em Portugal"

Uma responsabilidade que não rejeita de acompanhar as Comunidades Portuguesas

Por Fernando Cruz Gomes
Sol Português

"É importante que estejam tranquilos, relativamente à solidez da Banca Portuguesa e ao trabalho que a Banca Portuguesa tem feito". É o dr. José Carlos Mateus quem o diz, na conversa – mais do que entrevista – que tivemos, terça-feira, nas nossas instalações. Uma conversa que deu para tudo. Frente à responsável local pelo Escritório de Representação, Elisa Medina Silva – muito elogiada por aquele quadro superior – fomos anotando pedaços da conversa. Que entrou pelo mundo da Banca. Sem perguntas previamente combinadas. Sem respostas a fugir ao tema ou a colocarem-se no "politicamente correcto".

"Obviamente – diz o nosso entrevistado - que a mim cabe-me defender o Montepio, mas mais do que isso, gostava de deixar ficar essa mensagem. Ou seja, que a Banca Portuguesa soube atravessar bem esta crise financeira, mostrou capacidade de enfrentar as dificuldades e está em boas condições para enfrentar, agora, os próximos anos".

Como faz questão de dizer, Portugal é um dos quatro países da União Europeia, que já conseguiu apresentar uma taxa de crescimento positivo no segundo trimestre (a França, a Alemanha, Portugal e a Grécia). E isso parece criar boas perspectivas. Está a dar boas indicações para os próximos meses. "Parece que o pior já está nas nossas costas... Claro que, do ponto de vista da Economia e da Finança, temos de ir ainda com alguma prudência, porque a recuperação não está ainda consolidada".

José Carlos Mateus

E o Montepio? Como está o Montepio?

Para já, o Montepio é a instituição mais antiga em Portugal, o que condiciona tudo o resto que é a actividade do Montepio fora de Portugal. É a mais antiga instituição financeira em Portugal, pois foi fundada em 1844. Curiosamente, é mais antiga que o próprio Banco de Portugal.

"Trata-se de uma instituição muito bem implantada em Portugal, muito sólida. E tem uma presença fora de Portugal muito seleccionada. Isto é, tem uma presença no Continente europeu, para além de Portugal, e tem uma presença no continente americano".

Na América do Norte, está presente em Toronto e em Newark. Porquê? Porque, na óptica do responsável, "o Montepio tem a responsabilidade de acompanhar as comunidades portuguesas". E são precisamente as duas localidades que o Montepio considera estratégicas, a localização no Canadá, em Toronto, e nos Estados Unidos, em Newark. Existe a preocupação de acompanhar a comunidade portuguesa, de lhe satisfazer as necessidades, de criar produtos que correspondam àquilo que o emigrante português necessita. Palavras que significam confiança e... esperança.

Uma Banca de proximidade

Para José Carlos Mateus, o Montepio "não faz banca da saudade", nem essa é a ideia, mas faz uma banca de proximidade. "Quando digo isto, quero dizer que o Montepio não trata o emigrante como um cliente do futuro. Trata-o como um cliente de hoje. Com necessidades actuais. Preocupa-se em oferecer mais do que a simples transferência". Até porque, hoje em dia, a transferência, com os meios tecnológicos de que dispomos, qualquer banco pode oferecer. No Montepio oferece-se o sistema de transferências, também, naturalmente, que foi até o ponto de partida.

"Mas oferecemos mais coisas. Oferecemos produtos que vão muito para além das transferências normais, oferecemos produtos de depósito, de poupança. O Montepio tem uma coisa muito importante e que é única em Portugal. É que o Montepio tem por trás uma associação que é mutualista. Isto mais ninguém tem".

O cliente do Banco pode ser associado mutualista _ "e nós promovemos que seja associado mutualista" – e é, assim, dono do próprio banco. E é um associado, um cliente, um voto. O Banco, segundo José Carlos Mateus, promove valores como a solidariedade, a fraternidade, que são, afinal, valores muito importantes. E às vezes perdem um pouco de validade, mas nos tempos que correm, e com esta crise, voltaram a ganhar importância... "Não estamos portanto fora de moda e acabamos por promover esse apoio à sociedade".

Trata-se de uma instituição que apoia regularmente Escolas, Hospitais, Instituições de solidariedade social. Apoia iniciativas culturais, mecenato, música, Arte. "Existe, portanto, a preocupação de devolver à sociedade uma parte do ganho que temos na actividade bancária".

Importante componente do Mutualismo

Ainda lhe atiramos com a ideia de se pôr na pele de um qualquer emigrante. O que é que o faria bater à porta do Montepio. Era pergunta.

José Carlos Mateus entende que esta componente de Mutualismo é uma componente que é um valor acrescentado. Acha até que por si só é suficiente para cativar e angariar um cliente. É uma componente diferente que nenhum outro Banco Português lhe oferece...

O que é o Mutualismo, aqui e agora?

- Aqui e agora, é importante para o cliente porque promove soluções para o futuro. Pode ter uma solução bancária de curto prazo, mas se quiser uma solução de futuro, de poupança, talvez a pensar na sua reforma, o Montepio consegue oferecer isso através da associação mutualista.

O Montepio seria, assim, bem "atirado para a frente" em relação a outras instituições. Para além disso, e segundo José Carlos Mateus, "o Montepio esforça-se por ter uma oferta atractiva e que seja capaz de competir com os nossos concorrentes". Há, de facto, soluções atractivas em depósitos, boas taxas de câmbio, transferências feitas com eficiência, "tudo o resto o Montepio está na linha da frente e tem essas preocupações. Para além disso, tem esta componente de mutualismo que mais ninguém oferece".

O Director Financeiro do Montepio, José Carlos Mateus, ladeado por Elisa Medina Silva, representante do escritório em Toronto e o jornalista do SP

Até onde pode ir o Montepio?

Às vezes, uma instituição mesmo financeira, cresce, cresce e... arrisca-se a ficar parada no tempo, E por isso a pergunta: até onde pode ir o Montepio?

- Primeiro, em termos de negócio, o Montepio... nós, quando falamos no Montepio, pensamos no Banco. Mas, na realidade, o Montepio é um grupo financeiro. Ou seja, fornece serviços bancários (oferta bancária) mas tem também seguros, através da Lusitânia, tem fundos de investimento, através da Montepio Gestão de Activos, tem fundos de pensões através da Futuro, "tem, também, aquilo que estamos agora a desenvolver, que são as Residências Montepio, já a pensar num sector com mais idade e que precisa de uma oferta específica". Portanto, o Montepio, enquanto instituição, não é só um Banco.

Registe-se que, em termos de localização, a preocupação do Montepio não é estar em todo o lado. A preocupação é mesmo estar restrito a localizações onde estão comunidades portuguesas com relevância. No Canadá, o escritório chefiado pela Elisa Medina Silva, tem estado sobretudo concentrado na zona do Ontário, mas há a ideia de alargar essa actividade, tendo em conta o facto de existirem comunidades portuguesas importantes fora de Toronto e neste momento não estarem a ser cobertas pelo Montepio.

Uma "aposta ganha"

Há indicações de que a presença em Toronto "é uma aposta ganha". Primeiro, como nos diz, "pela comunidade portuguesa que nos tem apoiado, que tem um negócio que justifica estarmos cá, que nos cria expectativas de futuro e perspectivas de desenvolvimento. A equipa que tem estado à frente do escritório é uma equipa boa, que tem sabido desenvolver o negócio e que nos dá confiança para que tudo se desenvolva no futuro. E, como lhe disse, para avançar para outras localizações. O escritório de Toronto é um escritório que o Montepio classifica como estratégico (...) para desenvolver actividades".

Como que em provocação, atiramos com a ideia de que, um dia, poderá haver a ideia de pensar que o escritório não faz sentido.

"Não. Neste momento, não há razão de espécie alguma para pensar assim. Pelo contrário, a razão da minha vinda cá foi, para além de ter um primeiro contacto com o escritório... foi para motivar a equipa a desenvolver a actividade, em termos de produtos e em termos de localização. Neste momento, as empresas têm de ser prudentes e racionais e, portanto, não valia a pena estar a concentrar esforços em actividades e em sentidos que não vejamos que sejam viáveis e, portanto, entre nós, não é esse o caso".

Montepio não apanhou "pancada" da crise

Crise. Falamos em crise. Será que o Montepio apanhou muita "pancada"?

José Carlos Mateus diz, desde logo, que o Montepio não apanhou e, de uma forma geral, a Banca Portuguesa não apanhou. Lembra que a Banca Portuguesa é uma Banca com uma componente de intermediação financeira muito importante. O negócio tradicional de depósito é ainda muito importante, é a componente nuclear.

"A Banca Portuguesa, em geral, e o Montepio, em particular, não foi uma Banca que tenha tido um envolvimento significativo em sub-prime, em obrigações estruturadas em produto de risco e, portanto, no próprio mercado accionista e o que aconteceu foi que, durante o período das `vacas gordas' em que houve instituições internacionais que conseguiram ter grandes rentabilidades, a Banca Portuguesa não acompanhou essas instituições".

E agora tivemos uma situação de grande complexidade... invertida, em que tivemos grandes Bancos internacionais a desaparecerem ou a serem absorvidos por outros bancos, como foi o Lehman, que desapareceu mesmo... e Banca Portuguesa não teve problemas. Não sabemos se se lembram... mas há precisamente um ano deu-se a falência de um grande banco na América. O banco chamava-se Lehman Brothers. E a sua queda ia provocando o colapso geral do sistema financeiro internacional.

Banca Canadiana incólume e a Portuguesa... quase

Ainda falámos no caso canadiano, em que a Banca passou incólume. José Carlos Mateus explica que, em Portugal, houve uma situação quase similar à do Canadá, ainda que em escala mais pequena. Ou seja, o Governo Português actuou em boa hora, com dois programas, um de apoio à liquidez dos bancos e um de apoio ao capital.

"O programa de apoio ao capital de 4 biliões de Euros não foi utilizado por nenhuma instituição portuguesa e não se perspectiva que seja utilizado. O programa de apoio à liquidez foi usado por alguns Bancos Portugueses. O Montepio não lhe tocou, por não ter sido necessário, e os Bancos que o usaram... usaram-no por um período muito específico de tempo muito limitado... e neste momento já não o estão a usar, também já não é necessário".

Ainda fomos andando à volta das funções de um Director Financeiro Internacional do Montepio. Os filhos – uma rapariga de 13 anos, um rapaz, de 9 e um rapaz de 5 – são capazes de não entenderem ainda muito bem a missão do pai. Mesmo assim, o do meio – por acaso do Sporting e na escola de futebol "enquanto ele quiser", como diz o pai – é que se interessa mais pela profissão do pai. Sente-se de algum modo fascinado pelo mundo da Finança, da Banca, do dinheiro, das notas e das moedas. "Mas ainda está naquela idade em que os pais ainda são super-heróis".

No fundo... no fundo... José Carlos Mateus, que começou noutra instituição financeira antes de rumar ao Montepio é responsável também pelo escritório de representação no Canadá. Está satisfeito com o desempenho da gerência. E está a pensar... novas localizações. Novos avanços.


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