CANADÁ EM FOCO


Canadá/Covid-19:

Número de infecções diárias aumenta vertiginosamente e cresce receio de uma segunda vaga

Com 36.000 mortes e mais de 1,95 milhões de novos casos de Covid-19 no espaço de uma semana, a pandemia continua a alastrar-se por todo o mundo e não dá sinais de esmorecer, cifrando-se actualmente o número de infectados pelo vírus corona em 29,4 milhões, enquanto que o de mortes ultrapassa 932.000, com 21 milhões de pessoas já recuperadas, ou 71,5 por cento do total.

A nível nacional, continuam a surgir indícios de que o Canadá poderá estar à beira de uma segunda vaga de infecções, com o Ontário a registar mais de 200 novos casos diários durante cinco dias consecutivos, por vezes a ultrapassar a casa das três centenas – o dobro e até o triplo do que se registava poucas semanas antes.

Em todo o país o número de infectados aumentou em 4.750 no espaço de uma semana, perfazendo actualmente quase 139.000 casos, enquanto que os óbitos são mais de 9.200, com um acréscimo de 26 falecimentos atribuídos à infecção, mantendo-se a percentagem de recuperados na ordem dos 88 por cento, ou 122.250.

Perante tudo isto, a meio da última semana e em vésperas do início do novo ano lectivo, continuava a incerteza com respeito às datas em que os alunos voltariam ao ensino presencial, e até mesmo virtual, a par da revelação de casos esporádicos de Covid-19 em alguns estabelecimentos de ensino.

Assim, e enquanto que na quarta-feira (9) a Direcção Escolar de Toronto anunciava que a data de início das aulas, prevista para 15 de Setembro, tinha sido adiada para dia 17, para terem oportunidade de orientarem os horários e resolverem problemas de pessoal, em Oakville o director da Escola Pública Oodenawi revelava que um funcionário tinha acusado positivo num teste de Covid-19 efectuado dias antes e aconselhava quem teve contacto como aquele estabelecimento de ensino a isolar-se durante 14 dias.

A somar-se a estas incertezas, o cancelamento das carreiras de autocarros escolares na província continuaram a aumentar, com as empresas a responsabilizarem o medo da pandemia e a falta de condutores pela situação.

Entretanto o Departamento de Saúde Pública de Toronto revelou a detecção de um foco infeccioso com seis casos positivos – um residente e cinco funcionários – no lar de idosos Donway Place.

Em termos económicos, o Banco do Canadá (BdC) anunciou que ia manter a taxa de juro directora nos actuais 0,25 por cento, reiterando a sua intenção de assim continuar enquanto o nível de inflação continuar baixo.

No dia seguinte, o governador do BdC, Tiff Macklem, alertou para o facto de que a actividade económica entre as mulheres, os jovens e as classes laborais com salários baixos estava a recuperar a um nível inferior à média, o que representa uma ameaça à recuperação da economia em geral.

Entretanto o governo federal anunciou a criação de um programa nacional para estimular o empreendedorismo e facilitar a obtenção de empréstimos por parte de empresários negros junto dos bancos canadiano.

Trata-se, destacou o Primeiro-ministro Justin Trudeau, de uma forma de dar resposta às desigualdades que foram expostas pela pandemia e que, segundo o Chefe de Estado, afectou desproporcionalmente a comunidade negra.

Além dos cidadãos de cor, a pandemia afectou também de forma mais intensa aqueles que vivem abaixo do limiar da pobreza, deixando-os economicamente ainda mais atrás do resto da população.

Apesar disso, e segundo o Departamento de Estatísticas nacional, uma nova fórmula adoptada para calcular o que representa pobreza no Canadá sugere que há menos pessoas a viverem abaixo do limiar da pobreza do que anteriormente se estimava, embora aqueles que assim vivem não tenham registado uma melhoria na sua situação.

Na quinta-feira (10), durante uma conversação telefónica conjunta com os primeiros-ministros provinciais, Justin Trudeau concordou em participar numa reunião virtual para debaterem a questão da transferência de verbas do governo federal para os ministérios de Saúde de cada província – pagamentos que os seus homólogos provinciais haviam pedido no dia anterior que fossem aumentados para poderem fazer face às despesas acrescidas pela pandemia.

O Primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, viria a revelar posteriormente que o Ministério da Saúde estava a ponderar opções para eliminar a lista de espera de operações cirúrgicas na província, incluindo a possibilidade de vir a pedir aos médicos cirurgiões para trabalharem ao fim-de-semana, e que o governo tinha disponibilizado verbas destinadas a corrigir a situação.

Doug Ford acusou ainda o sistema de quarentena nacional de ser ineficaz porque as autoridades federais não estão a processar as pessoas que ignoram as ordens para se auto-isolarem.

Enquanto isso, em Kingston, enormes multidões e a proliferação de festas de estudantes resultaram em queixas dos residentes da cidade e pedidos formais de maior cooperação para impedir o alastramento de Covid-19.

Em consequência, as autoridades viriam a encerrar um cais e uma praia, e a emitir multas a quem não cumpria com as regras de distanciamento.

Dias depois, também a unidade de saúde de Middlesex-London declarou um foco infeccioso na comunidade local, depois de cinco estudantes na Universidade Western terem tido testes positivos do vírus corona.

Entretanto, confrontado com a catastrófica situação financeira de grande número de empresas e comerciantes em Toronto, o Presidente da Câmara, John Tory, apelou aos governos provincial e federal para que aumentem o auxílio prestados às empresas do centro da cidade.

Citando especialmente hotéis e restaurantes, o edil referiu a crescente preocupação entre dirigentes empresariais e outros acerca do futuro das baixas nas principais metrópoles canadianas.

No dia seguinte, a autarquia anunciou o prolongamento do período durante o qual os bares e restaurantes vão ser autorizados a ocupar a primeira faixa da estrada frente aos seus estabelecimento como área para esplanadas, podendo recorrer a aquecedores portáteis para conforto dos clientes e assim usufruir deste espaço durante mais algum tempo.

O prolongamento da licença abrange cerca de 700 estabelecimentos de restauração na cidade.

Alvo de redobradas acusações de que o governo não teria agido com celeridade para proteger os canadianos da pandemia, na sexta-feira (11) Justin Trudeau veio a público para afirmar que o governo federal se começou a preparar para uma possível pandemia assim que recebeu o primeiro alerta sobre um misterioso grupo de casos de pneumonia na China, na véspera de Ano Novo.

Apesar disso, o Primeiro-ministro enviou grande número de máscaras e outro equipamento protector para a China, o que posteriormente resultou em faltas no país que tiveram de ser colmatadas com a importação de material da China, a par do esforço redobrado de empresas canadianas e americanas – incluindo muitas que viriam a alterar as suas linhas de produção, direccionado-as para o fabrico deste género de equipamento.

Por seu turno, a Dra. Theresa Tam defendeu o "muito trabalho" que se realizou em Janeiro e Fevereiro, incluindo a preparação de laboratórios para a realização de testes de despistagem de Covid-19.

Segundo a directora dos serviços de saúde pública do Canadá, o risco de transmissão manteve-se baixo até meados de Março, altura em que a situação mudou rapidamente, com grande parte do país a ser colocado em estado de confinamento no espaço de uma semana.

Com a revelação de mais um aumento no número de casos de Covid-19 detectados no Ontário, para níveis que já não se registavam desde Junho, o primeiro-ministro Doug Ford apelou mais uma vez ao público para que evite grandes aglomerações.

O governo provincial anunciou também a criação de um portal dedicado a manter os pais e encarregados de educação a par de focos infecciosos que sejam detectados nas escolas da província.

O portal – que pode ser acedido em: ontario.ca/page/covid-19-cases-schools-and-child-care-centres – já mostrava 13 casos na manhã de sexta-feira (41 alguns dias depois, maioritariamente funcionários) e segundo o governo vai ser actualizado diariamente e incluir um sumário das infecções detectadas assim como informações mais detalhadas.

No fim-de-semana o Departamento de Saúde Pública da Região de York confirmou um novo foco infeccioso na Participation House de Markham – instituição que cuida de adultos com carências físicas e/ou cognitivas e onde durante a primeira vaga da pandemia se registaram 97 casos e faleceram seis residentes.

Enquanto isso, o Departamento de Saúde Pública de Peel confirmou um surto de Covid-19 numa empresa de Mississauga, onde foram detectados 60 casos positivos, embora escusando-se a revelar o nome da companhia.

No domingo (13), e pelo terceiro dia consecutivo, o Ontário registou mais de 200 novos casos de infecção, mais do dobro do que se registava pouco mais de uma semana antes, o que levou o director da rede de hospitais da University Health Network, Kevin Smith, a pronunciar-se para criticar o que considerou os hábitos cada vez mais "desleixados" da população.

Como destacou, o "desleixo" pode levar à intensificação do ressurgimento do vírus, referindo-se especificamente às pessoas que usam a máscara no queixo ou nem chegam a cobrir o nariz, bem como as que não cumprem com as regras de distanciamento e participam em festas e eventos sociais com grande número de outros participantes.

No início da semana, três ministros federais advertiram os cientistas nacionais que pesquisam vacinas e tratamentos para a Covid-19 para que tomem precauções adicionais para prevenirem o furto ou a destruição das suas pesquisas por agentes estrangeiros mal intencionados.

Entretanto a Direcção Escolar de Toronto adiou mais uma vez o começo do ensino escolar online, desta vez para 22 de Setembro, com a sua homóloga católica a fazer o mesmo, mas para dia 21.

Na terça-feira (15) o Ontário atingiu o quinto dia consecutivo com mais de 200 novos casos diários – 313 só na véspera, altura em que se detectaram também 10 testes positivos em escolas na Área da Grande Toronto, quando vários estabelecimentos de ensino marcavam o primeiro dia de aulas presenciais deste ano lectivo.

Doug Ford voltou a reiterar a possibilidade de estarmos perante uma segunda vaga da pandemia, o que poderá levar a que seja decretado novo período de confinamento.

Face a isto, o governo Conservador propôs alterar as regras da legislatura para mais rapidamente poderem aprovar leis e tomar medidas que sejam consideradas urgentes, algo que foi desde logo apelidado pela oposição Neo-democrata de tentativa de apoderamento de poderes a coberto da pandemia.

Conta-se que a proposta para que seja votada uma proposta-de-lei por dia – de terça a quinta-feira – venha a ser aprovada no Outono, dada a maioria Conservadora no Parlamento.

Entretanto, os governos provinciais estão a tentar aumentar a capacidade de efectuarem testes de despistagem por se estarem a registar grandes filas em vários pontos do país, com longas horas de espera nas clínicas face a um aumento súbito na procura pelos testes e no número de casos positivos, o que leva as autoridades a recearem que a temida segunda vaga já tenha chegado.

No Ontário o Dr. David Williams, director dos serviços de saúde pública, afirma que a província está já a preparar-se para gerir as longas filas em antecipação da chegada da época fria.

O processo envolve adicionar mais clínicas de despistagem, ao mesmo tempo que se implementam medidas que permitam ao público aguardar a sua vez no interior, em segurança, apesar da pandemia.


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