PENA & LÁPIS


Correspondente de Portugal:

Um sinal do tempo que passa

Por Hélio Bernardo Lopes
Sol Português

Como teria de dar-se, o caso da presença de António Costa e de Fernando Medina na Comissão de Honra da Candidatura de Luís Filipe Vieira continua a ser conversa para os vencidos do poder político destes dias, plenos de sede pelo poder. É um sinal do tempo que passa, por cá e pelo mundo, onde uma coisa sem real dimensão oblitera completamente os riscos, para os americanos e para o mundo, de uma possível reeleição de Trump.

No meio desta barulheira, quem acabou por ter razão foi Luís Filipe Vieira, porque, em boa verdade, eu também não recordo um grau de luta política sem limites como a que está hoje a ser vivida ao redor deste caso das eleições benfiquistas.

Eu poderia estar aqui a desenvolver muito mais esta questão, mas prefiro operar com o leitor um jogo, digamos assim. Neste sentido, imagine o leitor que lia no seu jornal o facto que tem estado na base da polémica gerada até aqui ao redor da decisão benfiquista de António Costa e de Fernando Medina, através da lista completa do tal meio milhar de concidadãos nacionais que a subscreveram. Assim, coloco três questões.

Em primeiro lugar, como reagiu o leitor ao facto de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, ter também sido membro de uma comissão idêntica, mas com Jorge Nuno Pinto da Costa no lugar de Luís Filipe Vieira, sendo que, ao que creio, até fará parte de uma qualquer estrutura de referência do Futebol Clube do Porto?

Pois, eu arrisco responder pelo leitor: leu, talvez tenha referido o acontecimento com alguém, conhecido ou amigo, mas mais nada.

Em segundo lugar, imagine o leitor que era Marcelo Rebelo de Sousa a estar presente nesta lista da tal comissão de apoio à candidatura de Luís Filipe Vieira, e que não estavam lá António Costa nem Fernando Medina. Acredita que a nossa grande comunicação social, tal como os dirigentes políticos dos partidos, reagiam como se tem agora visto?

Pois, eu arrisco voltar a responder pelo leitor: claro que não, com o tema a ser olhado com sorrisos e a terminar nesse mesmo noticiário!

E, em terceiro lugar, imagine o leitor que as televisões e os dirigentes partidários não ligavam a este facto, dele tomando o público conhecimento através de notícias correntes, longe das capas dos jornais. Pergunto: o leitor, ao saber da notícia, até com a lista dos subscritores da tal comissão de honra, ficava indignado com a presença de António Costa e Fernando Medina como apoiantes da candidatura de Luís Filipe Vieira à liderança do Benfica?

Pois, eu volto a arriscar responder pelo leitor: bom, nem ligaria a tal facto, muito menos se mostrando com a tal indignação referida pelos vencidos da política, alimentados com a basta oferta de tempo de antena por parte das nossas televisões.

Creio ter sido muito clarificador com este meu jogo com o leitor, até porque o meu objectivo é mostrar que este caso é do mesmo tipo do apoio subliminar da nossa grande comunicação social a Trump, ou do modo como se tem tentado passar a ideia de que a vacina russa é quase nada, ao passo que com as ocidentais tudo é ouro sobre azul.

Este caso ao redor dos nossos concidadãos António Costa e Fernando Medina só existe pela mesma razão que não existiu com Rui Moreira, nem existiria nas condições hipotéticas atrás mencionadas. E assim como o leitor se deve cuidar com a Covid-19, deve também evitar enfiar barretes...

O que agora é terrível, se fosse com Marcelo, bom, mereceria um sorriso. E já agora: André Ventura também subscreveu a lista? Porque se o fez, o silêncio ao redor do caso mostrará, então, um tentativa da grande comunicação social em o defender. Portanto: está lá André, ou não? O que sabe disto o leitor?


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