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Mais de 10.000 canadianos tiverem morte medicamente assistida em 2021

Há mais canadianos a optarem por terminar a vida recorrendo à morte medicamente assistida, revela o terceiro relatório anual sobre assistência médica na morte (MAID, na sigla em inglês) emitido pelo governo federal.

Os dados mostram que em 2021 morreram 10.064 pessoas com assistência médica, um aumento de 32% em relação ao ano anterior.

Segundo o relatório, 3,3% dos falecimentos no país em 2021 foram medicamente assistidos. Tendo a taxa sido maior em províncias como o Quebeque, com 4,7%, e Colúmbia Britânica, com 4,8%.

"Está a crescer incrivelmente rápido", escreveu o professor de Direito da Universidade de Toronto, Trudo Lemmens, que foi um dos elementos do Painel de Especialistas do Conselho das Academias Canadianas sobre Assistência Médica na Morte, num e-mail à CTV News.

Na sua observação, algumas regiões do país igualaram ou superaram rapidamente as taxas de morte medicamente assistida que se registam na Bélgica e nos Países Baixos, onde essa prática é permitida há mais de duas décadas.

Os defensores da MAID, porém, dizem que esta realidade não é surpreendente uma vez que os canadianos estão a ficar mais confortáveis com a morte medicamente assistida e crêsm que os números crescentes venham a estabilizar.

"A expectativa sempre foi de que (a taxa de mortes MAID) andará em torno dos quatro a cinco por cento, como na Europa", diz o dr. Jean Marmoreo, médico de família em Toronto e provedor deste tipo de assistência médica para os que a ela pretendem recorrer para terminar a vida, acrescentando que "provavelmente", acabará por rondar essa percentagem.

O relatório utiliza dados recolhidos da documentação enviada por médicos, enfermeiros e farmacêuticos em todo o país respeitante às solicitações de morte medicamente assistida que foram feitas por escrito.

Entre as conclusões, destaque para o facto de que todas as províncias registaram aumentos nas mortes MAID – que variaram entre 1,2 por cento (Terra Nova e Labrador) 4,8 por cento (Colúmbia Britânica) dos óbitos.

Houve mais homens (52,3 por cento) do que mulheres (47,7 por cento) a terem morte medicamente assistida, enquanto que a idade média foi de 76,3 anos;

Sessenta e cinco por cento das pessoas atendidas com morte assistida tinham cancro. Doenças cardíacas ou derrames foram citados em 19 por cento dos casos, seguidos por doenças pulmonares crónicas (12 por cento) e condições neurológicas como Esclerose Lateral Amiotrófica - ELA (12 por cento);

Pouco mais de dois por cento das mortes assistidas foram oferecidas a um grupo mais novo de pacientes: aqueles com doenças crónicas, mas que não estavam a morrer da sua condição, com nova legislação em 2021 a permitir um acesso ampliado à MAID.

Os documentos mostram que 81 por cento dos pedidos escritos para MAID foram aprovados.

Treze por cento dos pacientes morreram antes que a MAID pudesse ser fornecida, com quase dois por cento a retirar o seu pedido antes que o procedimento fosse oferecido.

Quatro por cento das pessoas que fizeram pedidos por escrito para assistência médica viram a sua pretensão rejeitada. O relatório diz que alguns foram considerados inelegíveis porque os avaliadores sentiram que o paciente não estava a candidatar-se voluntariamente à MAID. A maioria dos pedidos foi negada porque os pacientes foram considerados mentalmente incapazes de tomar a decisão.

Mas outros países com programas estabelecidos há muito tempo rejeitam muito mais pedidos de morte assistida, disse Trudo Lemmens, citando dados que mostram que 12 a 16 por cento dos requerentes nos Países Baixos vêem os seus pedidos negados.


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