CANADÁ EM FOCO


Canadá/Covid-19: Tendência positiva mantém-se mas peritos acautelam que variantes podem originar uma 3.ª vaga

Pela terceira semana consecutiva o número de novos casos e de óbitos, tanto no Canadá como no mundo, registou um declínio, o que parece sugerir que a segunda vaga de Covid-19 está efectivamente em fase decrescente.

Contudo, os peritos acautelam que com novas variantes a surgirem com cada vez maior frequência a situação pode inverter-se rapidamente e evoluir para uma terceira vaga da pandemia, pelo que é ainda muito cedo para se baixar a guarda.

Desde Outubro que o número de novas infecções semanais não descia abaixo dos três milhões, mas na semana transacta registaram-se "apenas" 2,66 milhões de casos, o que elevou a contabilização total desde o início da pandemia para 109,6 milhões, enquanto que com 84,2 milhões de pessoas que já ultrapassaram a doença a taxa de recuperação subiu para 76,8 por cento.

O número de óbitos semanais, que se tinha acelerado no início do ano, também continua em fase decrescente, com 82.400 mortes registadas desde a semana passada a elevarem o total para 2,4 milhões.

No Canadá foram menos de 20.000 os casos detectados desde a semana passada, o que elevou ligeiramente o total das infecções para 826.500, enquanto que o número de mortes voltou a descer para menos de meio milhar – cerca de metade das médias que se registavam em Janeiro – elevando o total para 21.300.

Por outro lado a proporção de pessoas que tiveram a doença e já recuperaram ascende agora a 93,1 por cento, ou 769.700 casos.

Na última semana arrancou o ensaio clínico de mais uma vacina contra a Covid-19 feita no Canadá.

Segundo o Centro Canadiano de Vacinologia, os primeiros 108 voluntários foram inoculados em Halifax, todos eles adultos saudáveis que receberam a vacina candidata COVAC-2, desenvolvida pela Organização de Vacina e Doenças Infecciosas (VIDO, na sigla em inglês) da Universidade de Saskatchewan.

Este tipo de vacina utiliza proteínas virais purificadas, tecnologia que é já usada para a produção de vacinas contra a hepatite, difteria e tosse convulsa, e esta é a primeira de duas propostas criadas pela VIDO que já chegaram a ensaios clínicos.

No mesmo dia (quarta-feira, 10), o governo do Ontário anunciava que tinham sido administradas até àquela data 412.119 doses das vacinas, com 125.725 pessoas injectadas com ambas as doses necessárias para completar o processo de vacinação.

Enquanto isso, o Primeiro-ministro Justin Trudeau insistia com os governos provinciais para que não deixem os testes rápidos de Covid-19 nas prateleiras, sugerindo que algumas províncias ainda não tinham começado a usar os quatro milhões de testes que tinham recebido do governo federal em Novembro.

Dois dias depois, na sexta-feira (12), o governo do Ontário informou que ia expandir o uso de testes rápidos em escolas, lares de idosos e locais de trabalho essenciais, salientando que, uma vez implementado e em pleno funcionamento, a expectativa é de virem a administrar semanalmente um milhão de testes rápidos ao abrigo deste programa.

O governo provincial, que disse ter recebido seis milhões de testes rápidos desde Novembro e distribuído dois milhões, escusou-se no entanto a especificar a cronologia da implementação do programa uma vez que tudo vai depender do número de testes fornecidos pelo governo federal.

Entretanto, um homem de 29 anos, de Stratford, foi indiciado por ter apresentado um teste de Covid-19 falso no aeroporto.

Segundo a polícia, o teste na realidade tinha indicado positivo mas o indivíduo apresentou-se no aeroporto com um documento que afirmava o contrário.

O homem, cuja identidade não foi revelada, foi posto em liberdade, mas terá de comparecer no tribunal provincial de Brampton no dia 19 de Abril para responder às acusações.

Dando seguimento às inspecções que têm vindo a ser efectuadas a vários locais de trabalho, e após se terem inicialmente concentrado nas grandes superfícies, onde foram aplicadas 218 multas pelo não cumprimento das regras que lhes permitem continuar abertas, o ministro do Trabalho, Monte McNaughton, anunciou que a próxima fase iria abordar armazéns e centros de distribuição na Região de Peel.

Ao mesmo tempo, e à medida em que Hastings Prince Edward, Renfrew e Kingston transitavam para uma nova fase de reabertura, as entidades de saúde destas regiões procuravam transmitir a mensagem de que os visitantes de outras zonas ainda em confinamento doméstico não são bem-vindas nos estabelecimentos locais.

O director dos serviços de saúde de Kingston dizia mesmo que o novo estatuto que foi conferido à região não significava um convite para receberem visitantes doutras localidades sob fortes restrições, enquanto o seu homólogo de Hastings Prince Edward emitia uma ordem a proibir os estabelecimentos locais de servirem clientes vindos de zonas ainda em confinamento.

Tudo isto se sucede numa altura em que a falta de vacinas continua a ser notícia, não só no Canadá com em todo o mundo.

Em Toronto, a Câmara Municipal anunciou a intenção de imunizar 120.000 pessoas por semana nas nove clínicas espalhadas pela cidade, sujeita à disponibilidade de vacinas, que não há.

O edil torontino, John Tory, esclareceu que estas clínicas serão apenas uma componente da estratégia de inoculação da autarquia, uma vez que, "dependendo do tipo de vacina disponível, antecipamos que a maioria das pessoas venham a recebê-la numa farmácia ou no consultório do seu médico de família".

Na quinta-feira (11) o major-general Dany Fortin, encarregado da distribuição das vacinas a nível nacional, disse que os fornecimentos da Pfizer-BioNTech deveriam começar a normalizar visto a companhia ter confirmado a entrega de quase 1,8 milhões de doses nas próximas quatro semanas.

As remessas serão enviadas em quatro carregamentos distintos, com 403.000 doses esta semana, 475.000 na próxima e 444.000 em cada uma das duas primeiras semanas de Março.

No entanto, o próximo carregamento de vacinas da Moderna será cerca de 30 por cento menor do que se esperava para a semana de 22 de Fevereiro, ou seja, 168.000 doses em vez das 249.000 previstas.

Apesar disso, no dia seguinte (sexta-feira, 12), o Primeiro-ministro canadiano veio a público para anunciar que o Canadá conseguiu adquirir mais quatro milhões de doses da vacina da Moderna e que o director executivo da Pfizer, Albert Bourla, também se comprometeu a cumprir o contrato que estipula o fornecimento até ao fim de Março de quatro milhões de doses da vacina produzida por aquele laboratório.

A partir daí o volume das remessas está previsto acelerar, contando-se com 10,8 milhões de doses da vacina da Pfizer-BioNTech entre Abril e Junho e, segundo Justin Trudeau, conjuntamente, o país deverá receber 84 milhões de doses da Pfizer e da Moderna até ao final de Setembro.

Enquanto isso, e conforme o Ontário começa a abrandar as regras de confinamento, o mais recente modelo que prognostica a propagação do coronavírus identifica a variante do Reino Unido como "uma verdadeira ameaça", que em breve deverá constituir entre cinco a 10 por cento dos casos.

Por esse motivo, vários peritos apelam à adopção de campanhas agressivas de vacinação e à continuação das ordens de confinamento doméstico que consideram irão "ajudar a evitar uma terceira vaga" de Covid-19.

Até ao fim da semana passada tinham sido detectados em oito províncias mais de 429 casos da variante do Reino Unido e 28 da estirpe identificada na África do Sul, mantendo-se um único caso detectado da variante do Brasil.

A situação viria a mudar de figura no domingo (14), quando cinco residentes num edifício em Mississauga acusaram infecção com a variante sul-africana – considerada mais contagiosa e mais grave – o que necessitou a realização no dia seguinte de testes de despistagem a todos os moradores.

A variante sul-africana surgiu ainda em mais um caso em North Bay, no qual o paciente indicou ter estado em contacto próximo com alguém que tinha viajado recentemente.

No sábado (13) o Departamento de Saúde de Toronto anunciou também que tinha sido detectado um caso de infecção por uma das variantes do coronavírus num dos abrigos subsidiados pela autarquia, neste caso numa instituição gerida pelo Salvation Army.

Os modelos computorizados indicam que a prevalência da infecção deverá voltar a aumentar no final de Fevereiro, o que duas semanas depois se começará a reflectir também nas unidades de cuidados intensivos dos hospitais.

Para conter o contágio, o governo do Ontário anunciou o adiamento das férias escolares, que normalmente se realizam em Março, para o mês de Abril – de 12 a 16.

Segundo o ministro da Educação, Stephen Lecce, o objectivo é impedir as famílias de viajarem e os jovens de se juntarem naquele que é tradicionalmente um período em que os estudantes procuram as temperaturas quentes das Caraíbas e outros destinos tropicais, e assim tentar travar o alastramento do vírus.

Enquanto isso, na expectativa de um aumento nas remessas de vacinas, no último fim-de-semana o governo provincial tornou pública a nova lista dos grupos considerados prioritários para serem inoculados.

Prestes a completar a campanha de vacinação prioritária nos lares de idosos onde, segundo o governo, todos os residentes que quiseram ser vacinados tiveram a oportunidade de receber pelo menos a primeira dose, os próximos grupos incluem os povos indígenas em comunidades remotas e de alto risco, os idosos com mais de 80 anos, pessoas com problemas de saúde crónicos e os trabalhadores do sector de saúde.

Estes últimos serão classificados em quatro escalões de prioridade: máxima, muito alta, alta e média, consoante o grau de risco nas suas actividades diárias.

O Departamento de Saúde do Ontário viria mais tarde a indicar estar em desenvolvimento um portal para quem pretender marcar a data e a hora da vacinação, assim como de uma linha telefónica para quem não se sinta confortável ou não tenha oportunidade de o fazer online.

A partir de segunda-feira (15) entraram em vigor novas regras também para os viajantes que atravessam a fronteira terrestre entre os EUA e o Canadá e que, salvo para os que tiverem de o fazer por motivos "essenciais", têm de apresentar um teste de despistagem da Covid-19 com resultado negativo, segundo o método PCR, efectuado nas 72 horas anteriores.

Alternativamente, poderão apresentar comprovativo de um teste com resultado positivo, feito entre 14 a 90 dias antes de chegarem à fronteira – período considerado suficiente para que tenham ultrapassado a fase de contágio, mas não tanto que já tenham perdido a imunidade.

A partir do dia 22 as exigências intensificam-se ainda mais, com os viajantes que chegam à fronteira terrestre a terem de se submeter a testes de despistagem obrigatórios, enquanto que os que chegam por via aérea têm de ficar em quarentena durante três dias num hotel aprovado pelo governo, às suas próprias expensas, e submeter-se a múltiplos testes.

Entretanto, passado o fim-de-semana prolongado pelo feriado do Dia da Família, o regresso na terça-feira (16) ao ensino presencial também nas escolas de Toronto viria a ser limitado devido a uma tempestade que depositou entre 20 a 40 centímetros de neve em várias zonas e levou algumas direcções escolares a decretarem o encerramento dos estabelecimentos ou o cancelamento das carreiras dos autocarros escolares.

Enquanto isso o governo provincial e o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, teve mais uma vez de defender a decisão de suspender as medidas mais extremas de confinamento domiciliário na maior parte da província, face às críticas dos que querem que estas continuem.

Alguns peritos de saúde insistem que é demasiado cedo para levantar as restrições, com receio de que isso venha a dar azo a uma terceira vaga, mas Doug Ford afirmou que não hesitará em usar o "travão de emergência" e passar rapidamente as regiões que venham a registar aumentos nos números de infecções a confinamentos mais intensos.

Niagara foi a única região que passou à categoria cinza de confinamento, que é a mais severa, enquanto que todas as outras – a maioria das quais situadas fora da Área da Grande Toronto – se classificam entre o vermelho, o segundo nível mais intenso de confinamento, e o verde, que impõe as restrições mais suaves.

As regiões de Toronto, Peel, York e North Bay-Parry Sound vão continuar sob ordens de confinamento doméstico obrigatório até pelo menos 22 de Fevereiro.


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