CANADÁ EM FOCO


Governo autoriza aquisição da transportadora Transat A.T. pela Air Canada

O governo federal aprovou a compra da linha aérea Transat A.T. Inc. pela transportadora nacional Air Canada, sujeita ao cumprimento de uma série de termos e condições que considera "serem do interesse dos canadianos".

"Dado o impacto devastador da pandemia de Covid-19 na indústria aérea, a proposta de compra da Transat A.T. pela Air Canada trará maior estabilidade ao mercado de transportes aéreos do Canadá", afirmou o ministro dos Transportes, Omar Alghabra, em comunicado à imprensa.

Segundo o ministro, as condições impostas visam "apoiar a futura competição internacional, as ligações [aéreas] e proteger os empregos" no sector, dizendo-se confiante de que as medidas tomadas "vão beneficiar os viajantes e a indústria como um todo".

Entre as condições impostas pelo governo destacam-se a obrigatoriedade da sede da firma e da marca permanecer no Quebeque; a exigência de incentivar outras linhas aéreas a fazerem as rotas da Air Transat para a Europa; garantir que os contratos de manutenção das aeronaves permanecem no Canadá, dando prioridade ao Quebeque em relação às outras províncias; iniciar novas rotas dentro de cinco anos; e comprometer-se a destacar 1.500 funcionários para a nova empresa de viagens que surge desta fusão.

O acordo estipula ainda que, uma vez que a Transat passe a ser uma subsidiária da Air Canada, terá de prestar atendimento aos clientes em ambas as línguas oficiais, inglês e francês, em todo o país.

O governo federal indicou também que vai "continuar a ter em conta as necessidades" dos clientes da Air Transat que continuam à espera de ser reembolsados pelos voos que foram cancelados devido à pandemia, situação que considerou essencial para se poder negociar um resgate financeiro com as empresas de aviação.

A decisão não foi recebida com agrado por todos na indústria canadiana de aviação e de imediato se ouviram protestos de linhas aéreas concorrentes da Transat.

Segundo o presidente e director executivo da WestJet, Ed Sims, "quando os canadianos voltarem a querer explorar o mundo e a reunir-se com a família e os amigos, vão encontrar menos opções e tarifas mais altas".

O seu homólogo da Flair Airlines, Stephen Jones, destacou que a companhia se opõe "fortemente à fusão" e que "esta redução adicional na competição na indústria de aviação canadiana sublinha a necessidade de uma verdadeira transportadora de custo ultra-baixo e independente como a Flair" indicando esperar poderem "trazer a competição de volta à indústria".

Apesar disso, nem todos criticam a fusão das duas empresas e o director executivo da Sunwing já havia afirmado o mês passado que esta seria boa para o Canadá porque ia ajudar a Air Canada a competir internacionalmente com companhias aéreas estrangeiras.

"A menos que queiramos o Canadá totalmente controlado por transportadoras estrangeiras, temos que a permitir", disse na altura ao jornal Globe and Mail.

"O nosso principal receio, e aquilo a que devemos estar atentos, é que as companhias aéreas europeias e internacionais tirem quota de mercado às companhias aéreas canadianas [e] esta é uma forma de as defender", afirmou.


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