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Polícia investiga alegação de que idosos foram impedidos de sair dos quartos em lar da terceira idade

A Polícia Regional de Durham abriu uma investigação à entidade operadora de um lar de idosos em Courtice, no Ontário, após uma denúncia de que teriam sido retiradas as maçanetas das portas dos quartos dos residentes que aparentemente tinham tido testes de Covid-19 positivos.

Segundo o agente George Tudos, porta-voz da Polícia Regional de Durham, a denúncia foi recebida na tarde de sexta-feira (12), a propósito da Residência de Reformados White Cliffe Terrace, situada a cerca de 60 quilómetros a Leste de Toronto.

A empresa Verve Senior Living, que gere aquela instituição privada, emitiu um comunicado no mesmo dia onde confirmava que "um pequeno número" de maçanetas tinham sido removidas de suítes localizadas na secção de residências assistidas do lar.

"Foi uma violação dos nossos protocolos e práticas", refere no comunicado David Bird, presidente e director executivo da Verve Senior Living, que garante que "assim que tomámos conhecimento do incidente, todas as maçanetas das portas dos residentes foram imediatamente reinstaladas".

Segundo refere, o gerente da instituição foi imediatamente suspenso assim que a empresa tomou conhecimento do ocorrido.

"Não há desculpa absolutamente nenhuma para retirar as maçanetas das portas – nunca. Nós nunca trancamos nem impedimos a livre circulação dos nossos residentes", garantiu.

A polícia escusou-se a revelar mais detalhes da investigação oficial, mas o seu porta-voz indicou que, caso se determine a ocorrência de algum crime, poder-se-á então considerar a apresentação de acusações formais.

O incidente foi tornado público na sequência duma reportagem exclusiva da emissora CityNews, que cita informações fornecidas anonimamente por um funcionário que alega que um gerente da casa de repouso mandou a equipa de manutenção remover as maçanetas das portas das suites para evitar que alguns residentes com Covid-19 andassem livremente pelas instalações.

Segundo o denunciante, a situação durou vários dias, prendendo os residentes nos seus quartos até que um funcionário da sede da empresa descobriu a situação e reclamou.

No entanto, a emissora nacional CBC News não conseguiu corroborar as alegações do funcionário de forma independente.

De acordo com o portal da Região de Durham, aquela instituição de idosos declarou um surto de Covid-19 a 15 de Janeiro, que foi declarado extinto a 4 de Fevereiro.

David Bird, por sua vez, disse que caso um residente tenha deficiências cognitivas e não entenda por completo as medidas em vigor para ajudar a combater a propagação do coronavírus, seriam postos em prática outros protocolos, como a colocação de faixas de segurança, alarmes localizados e sinais de Stop.

Um dos residentes de White Cliffe Terrace, que pediu para não ser identificadoo, disse ter-se sentido chocado, frustrado e perturbado com a notícia, salientando que os residentes com demência vivem no andar onde as maçanetas foram retiradas e já estão protegidos de deambular pelas instalações.

"Acho que tentaram fazer o melhor que podiam... foi apenas uma péssima decisão que tomaram", disse.

Entretanto, o Ministério dos Idosos e dos Serviços de Acessibilidade do Ontário declarou que este tipo de acção é "completamente inaceitável e não será tolerado", revelando ter já entrado em contacto com a Autoridade Reguladora dos Lares de Idosos (RHRA, na sigla em inglês) para garantir que a situação é devidamente investigada.


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