PENA & LÁPIS


Deus e a pandemia

Por Inácio Natividade
Sol Português

Alguns perguntam: "Que é feito de Deus nestes momentos de pandemia?" Esquecem-se que Deus está em toda parte.

Mas se está em toda a parte, porque neste momento de aflição global não nos acode? Até parece dar-lhe um gozo tremendo, dizem.

Somos metodicamente informados de mortes e infecções diárias causadas pela Covid-19 à escala planetária, e a esses números soma-se o desemprego, a pobreza, a angústia e o medo. E para agravar o quadro, a classe média tende a desaparecer caso não haja uma mudança estrutural no capitalismo e na política educacional do governo.

Vivemos numa sociedade pragmática em que tudo o que não tenha qualquer relação com a experiência é desprovido de sentido. Covid-19, poluição sonora, atmosférica e hídrica, donos dos cães que poluem os passeios… sem esquecer todas as outras doenças, algumas crónicas e hereditárias, que nos fazem companhia.

Tanto sofrimento e medos acumulados, e poucas veleidades. Será o mundo ainda local prazeroso de se viver? Ou tudo foi obra de algum verme maquiavélico que decidiu reduzir metade da população mundial para que houvesse menos partilha de bens?

Nunca o homo sapiens, que com inteligência racional criou carros que comunicam entre si, inteligência artificial e a tecnologia de comunicações 5G que está à porta, viveu um desafio superior ao coronavírus.

Mas afinal por onde anda Deus, a quem devemos recorrer quando não parece haver saída?

Primeiro que tudo, é um facto que Deus está em todo lado, portanto ele presencia todo o drama humano que vivemos. Só que Deus não pode actuar sem o nosso consentimento. A fé pode-nos salvar como arma dissuasora em tempos da pandemia. Ajuda a vencer sinuosos labirintos onde habita o medo e o nervosismo causados pela eminência do contágio. O perigo é invisível e o stress adensa quando não se sabe lidar com o perigo da morte que a Covid trás consigo.

Procurar Deus, só em oração. Como cristãos, Ele ensinou-nos o Pai Nosso; aos judeus o Tefilat HaAmidah; e aos muçulmanos a Salá (Salat ou Salah)…

E as vacinas, são produto do homem ou de Deus?

Para serem de Deus tinham de ser só uma. Consenso cientifico? Há muitas vacinas e qualquer delas, até que produza imunidade absoluta, semeará sempre incertezas. Uma cientista-chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) admitiu sexta-feira (12) que as pessoas vacinadas contra a Covid-19 podem eventualmente transmitir o coronavírus, apesar da carga viral ser reduzida com a inoculação.

Há muita incerteza e políticas em torno de qual a melhor vacina. Mas se nos desaproximarmos da ciência, desaproximamo-nos de Deus. Todas as raças e culturas têm direito à sua contribuição no fabrico da vacina. Se com os sete ou oito fabricantes que conhecemos não houve qualquer caso de morte ou hospitalização [em cuidados intensivos] no grupo de vacinação, isto quer dizer que as vacinas funcionam, mas a melhor vai ser aquela que produz imunidade humana absoluta à Covid. Isto é, 100 por cento de certeza.

Será que a vacina ideal já foi criada? Talvez não, mas para lá caminhamos. Para além da importância das medidas de distanciamento e higiene, o uso da máscara é a grande arma de defesa contra o coronavírus.

Mesmo depois de vacinados, devemos manter as precauções: usar máscara, lavar as mãos, manter o distanciamento social. Mesmo tendo uma infecção assintomática, a pessoa não ficará doente porque foi vacinada, mas pode transportar o vírus no nariz e transmiti-lo a outros, segundo a OMS.


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