PENA & LÁPIS


Lá se foi a peregrina ideia

Por Hélio Bernardo Lopes
Sol Português

A comunicação de 10 de Fevereiro do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa aos portugueses foi muito bem estruturada e nada cansativa, como se impõe numa circunstância como a que estamos a viver, fruto da terrível Covid-19.

Por esta razão, não é importante dissecar o que foi muito claramente expresso pelo Presidente da República aos portugueses. Todavia, há uma nota que se impõe salientar e é a que se prende com a peregrina ideia do Governo de unidade nacional, numa primeira fase, e de salvação nacional, logo um pouco depois.

Como pude já referir, a ideia do Governo de unidade nacional surgiu pela iniciativa de Eduardo Marçal Grilo e de Luís Nobre Guedes. Uns dias depois, João Jardim fez subir a parada, desta vez propondo um Governo de Salvação nacional.

No primeiro caso, que é o que serve de base a este meu texto, Eduardo apontou mesmo – foi a n-ésima vez, sendo n um inteiro muito elevado – o exemplo de Churchill, durante a Segunda Grande Guerra.

Com alguma dose de crença perseverante, Eduardo e Luís vêm esquecendo a cabal singularidade do caso, mesmo nessa época de guerra no mundo. Não deverá existir nenhum outro caso, para lá das usuais coligações de governação, incluindo elas a presença no Governo, ou limitando-se a um suporte táctico fortemente garantido.

Numa atitude claramente defensiva, deitaram agora mão do caso italiano, com o Governo a ser liderado por Mário Draghi, e a receber apoio presidencial e de todo o Parlamento, incluindo de Salvini, agora já convertido ao europeísmo.

Simplesmente, este caso deriva do reconhecimento das qualidades comprovadas do novo Primeiro-Ministro, mas nada garante que o mesmo seja durável, porque esta foi sempre a realidade da vida política italiana.

Como pude já explicar, a seguir-se a materialização da ideia mais explícita de Luís Nobre Guedes – PS, PSD, CDS e IL – o saldo final seria a pré-extinção do PS. Como se deu com o Governo do Bloco Central, deitado por terra, apesar do seu bom trabalho, por Aníbal Cavaco Silva.

Esta ideia de Eduardo Marçal Grilo e Luís Nobre Guedes seria excelente, mas para a Direita e a Extrema-direita, que se veriam livres, a médio prazo, do PS. Seria, finalmente, o triunfo do sonho do PRD.

Foi pena, porque se tratava de uma peregrina ideia. A verdade é que, para já, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa deitou-a para o cesto das novidades inconcebíveis. Resta a esperança: à Direita e à Extrema-Direita não resta outro caminho que não manter uma secreta esperança num volte-face do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

A regra terá de ser: insiste, persiste, insiste...


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