CANTINHO DA POESIA


Aprendiz

Por José Ribeiro de Sousa

Não! Assim não queirais!

Desse modo não vou convosco agora
nem noutra qualquer hora.
Não quero ir pela vida fora
engrossar aquele grupo de jograis
dum rebanho de crentes cegos e leais.

- A quem tudo tirais:
Suor e sangue, amor e alegrias,
vontade própria e isenta de fobias,
prazer e até bem-estar de raros dias...

- A quem só apontais:
Submissão, servilismo e obscura sorte,
a lei egoísta e cega do mais forte,
a vida em dor sofrida e o céu na morte...

- A quem aconselhais:
Trabalho, humilhação, subserviência,
pobreza arrastação e penitência
e o fantasma do inferno na sequência...

- A quem tudo levais:
Com dízimos, primícias e promessas,
obrigações, indultos e outras peças,
e até o dom de corpos e inocências...

...e tudo em troca de indulgências!

- Não! Assim não! Jamais!

Maceira 1950


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