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Casa das Beiras

Contributo dos sócios destacado no primeiro convívio do ano

Por João Vicente
Sol Português

No passado sábado (13) o destaque na Casa das Beiras de Toronto foi para os sócios, a quem foi dedicada a primeira festa do ano como reconhecimento do papel que desempenham no sucesso alcançado pela colectividade.

Foi há 17 anos que esta associação evoluiu a partir do Clube Académico de Viseu para a actual designação, mais abrangente, passando a acolher sob o seu tecto os naturais e simpatizantes das três regiões beirãs portuguesas – Alta, Baixa e Litoral.

Desde então, o apoio e a dedicação dos sócios e voluntários tem vindo a fazer desta Casa uma das de maior destaque no panorama cultural e associativo luso-canadiano de Toronto, facto que esta festa assinala e celebra anualmente.

Curiosamente, e contando com mais de 400 membros – cerca de metade dos quais com quotas em dia – foi com alguma tristeza que o presidente da colectividade beirã, Bernardino Nascimento, registou a continuada falta de adesão a este convívio anual que visa, precisamente, destacar e agradecer aos próprios sócios, uma vez que ao todo deveriam estar pouco mais de cem pessoas presentes.

A noite foi estruturada de forma simples, com um jantar gratuito para os sócios, seguido de música ao vivo e da entrega dos prémios do Concurso de Pesca da Casa das Beiras.

Logo que findou a refeição subiram ao palco Filipe Marques e José Florival, que constituem o Duo Raça Latina, e passaram a debitar música de baile, ora mais lenta, ora mais mexida, mas sempre a puxar pelo público.

Entretanto trocámos impressões com Bernardino Nascimento, que nos confessou não saber ao certo a que se deve o facto deste convívio habitualmente ter tendência a registar uma afluência menor do que a maior parte das outras festas que organizam ao longo do ano.

No entanto, aventa a hipótese de estar enraizada numa mentalidade antiquada pois, como explica: "antigamente os sócios diziam `eu não vou à festa do sócio para não ser acusado de só ir [ao clube] quando vou comer de graça', e talvez tenha alguma coisa a ver com pessoas que ainda pensem dessa maneira – o que está errado", afirma.

O dirigente da Casa das Beiras, cujo sexto mandato na presidência termina em Fevereiro, diz-nos que gostaria de ver surgir outra liderança para dar novo ímpeto à colectividade.

Em princípio não se vê a prosseguir no cargo e garante que "de forma nenhuma" se envolveria nas decisões de quem tomar as rédeas à casa, embora prometa que também não iria virar as costas, disponibilizando-se para aconselhar ou auxiliar – caso necessitem e lho peçam.

"Se vier uma ideia diferente, uma imagem diferente da minha, que já ando aqui há muitos anos, talvez possa haver uma mudança nisto", afirma Bernardino Nascimento, que se considera "preocupado, até certo ponto" com a falta de pessoas que tomem um papel activo na organização.

Embora sempre esperançoso de que surja alguém para lhe dar descanso, confessa que "nos anos todos" em que esteve envolvido – tanto enquanto foi Académico de Viseu como desde que passou a Casa das Beiras – nunca houve quem apresentasse uma lista para substituir uma Direcção em exercício de funções, consistindo as eventuais sucessões de processos longos e envolvidos.

"Há seis anos fizemos cinco Assembleias-Gerais para arranjar uma Direcção", recorda, acrescentando que foi quando decidiu candidatar-se à presidência pois achou que o que estava a acontecer era demasiado arriscado para a organização e para tudo o que se tinha conseguido até ali.

Entrou para o cargo com a intenção de prestar serviço à Casa durante dois anos... e já lá vão seis.

Num balanço do mais recente mandato que agora termina, salienta como pontos altos a Semana Cultural, que este ano foi um pouco diferente do costume, a formação da Confraria Saberes e Sabores Grão Vasco, e declara o seu orgulho pelo envolvimento da colectividade em três angariações de fundos para as vítimas dos incêndios em Portugal – a última das quais organizada pela própria Casa – e que resultaram em muitos milhares de dólares entregues directamente às pessoas afectadas.

Quanto ao futuro, acha que se deve atrair mais juventude à Casa e reconhece o valor da propriedade que lhes serve de sede, mas é da opinião que talvez seja demasiado grande e por isso se devesse considerar passar para um local "com melhores condições, menos trabalho e menos despesas".

A seu ver, isso poderia ajudar a atrair mais facilmente quem tomasse conta da Direcção pois como estão as coisas é necessário organizar eventos pelo menos quinzenalmente, por forma a satisfazer as necessidades financeiras da organização.

O Concurso de Pesca que se realiza no Verão é uma das iniciativas que ajudam a dinamizar esta casa e os seus associados, e na noite de sábado procedeu-se à entrega dos prémios aos vencedores do torneio 2017, que mais uma vez foi organizado por Fernando Maia.

Aproveitando um intervalo na actuação do duo convidado, os pescadores foram chamados a receber os seus troféus, sagrando-se à cabeça da classificação geral Manuel Costa, que foi também premiado pela maior quantidade de peixe.

Seguiram-se-lhe os pescadores Ramiro Courela, Armando Costa, Jorge Lima, José Baeta, Miguel Silva, Luís Vieira, Jorge Moreira, Fernando Rodrigues – também premiado pelo maior peixe – e Manuel Vieira, que completaram as restantes posições na tabela geral.

Quanto às senhoras, a vencedora foi Alexandra Lima, com Sofia Lima e Maria Neiva a ocuparem respectivamente a segunda e terceira posições, enquanto Kyle Lima venceu na categoria de jovens e Daniel e Ryan Flores ocuparam os primeiro e segundo lugares da categoria de crianças, respectivamente.

A próxima realização da Casa das Beiras será a comemoração do seu 18.° aniversário no dia 3 de Fevereiro, no salão nobre do sindicato LIUNA Local 183, uma noite de gala que irá contar com actuações da artista local Tânia Barbosa e do artista Luizinho de Portugal.


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