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Projecto para a nova biblioteca Perth/Dupont apresentado em reunião pública

Por João Vicente
Sol Português

A mudança de local e a ampliação da biblioteca Perth/Dupont, proposta pela vereadora Ana Bailão, foi tema para uma reunião pública que decorreu esta quarta-feira (17) nas actuais instalações e que teve como objectivo consultar os eleitores do distrito sobre o projecto.

A biblioteca em questão foi inaugurada em 1977 na esquina da Dupont e Perth – daí o nome – e seis anos depois sofreu a primeira mudança quando passou para as instalações actuais, situadas no cruzamento da Dupont com a Franklin.

Apesar das obras de renovação efectuadas em 2002, o espaço é limitado, com apenas 1000 pés quadrados repartidos por dois andares, o que dificulta o acesso a pessoas com problemas de mobilidade.

Para darem a conhecer os detalhes do projecto para a nova biblioteca, a vereadora convidou o director de operações das Bibliotecas de Toronto, Moe Hosseini-Ara, os arquitectos Jason Smirnis e David Jensen, da firma Building Arts – à qual foi incumbida a obra – e a responsável pelas Bibliotecas do distrito de Bloor/Gladstone, onde se integra a Perth/Dupont.

Presentes estiveram também Charlie Scott, vice-presidente da firma de empreiteiros Tas, construtora do edifício onde a nova biblioteca ficará instalada – que ajudou a responder a algumas das questões postas pela assistência – bem como a responsável pelo planeamento e implementação de activos fixos das Bibliotecas de Toronto, Susan Martin, e a colega Gail Rankin, gerente sénior de instalações, que foram tomando nota das preocupações e aspirações do público.

Como foi destacado, o objectivo é obter informações e dados para serem avaliados pela administração e pelos arquitectos, por forma a tentar corresponder às expectativas da comunidade local.

A demolição e o início dos trabalhos subterrâneos – ligações à infra-estrutura eléctrica, canalização e esgotos – já teve início na esquina da Dupont e Campbell, mas as obras de construção propriamente ditas, só deverão arrancar em pleno no Verão.

Estima-se que a construção do edifício leve cerca de três anos a completar, após o que começará a proceder-se à instalação da biblioteca, num processo que se prevê demore mais oito a nove meses e que com um custo orçado em cerca de cinco milhões de dólares.

Segundo Ana Bailão, esse montante será financiado em parte pelo empreiteiro desta obra e pelo que erigiu os edifícios situados na esquina da Dupont e Landsdowne, no cumprimento de uma das condições impostas pela Câmara em resposta ao aumento da densidade habitacional nesta zona da cidade.

Entretanto, está-se agora a dar início ao processo de consulta dos moradores da área e aos utentes da biblioteca actual para determinarem quais são as suas necessidades e o que desejam ver nas novas instalações que, segundo foi revelado, ocupará uma superfície com 10.000 pés quadrados no rés-do-chão do edifício.

Face à informação prestada, incluindo exemplos de outras bibliotecas e espaços públicos, e numa tentativa de auscultar o público, foram solicitados comentários da assistência que apresentou um grande número de perguntas e sugestões ao longo da sessão.

Algumas das sugestões eram direccionadas ao próprio espaço em si, no sentido de se incluírem elementos de design e materiais alusivos à relação desta zona da cidade com os caminhos de ferro, além de salas de reunião e cubículos privados, outras centraram-se nos programas e serviços prestados e no conteúdo que será oferecido ao público já que, como alguém salientou como exemplo, existe actualmente uma "superabundância" de revistas de mexericos, mas faltam publicações de cariz mais sério, como sejam a New Yorker ou a Scientific American.

O processo de ampliação da biblioteca Perth/Dupont iniciou-se em 2011, após uma proposta da vereadora Ana Bailão, quando ninguém acreditava sequer que isso fosse possível.

Como explica a edil: "esta é uma das bibliotecas mais pequenas da cidade [...] e há uns anos atrás, quando até se falava em fechar bibliotecas, esta comunidade e eu dissemos `não, não vamos fechar – pelo contrário, precisamos de uma maior, porque a nossa comunidade está a crescer'".

Por isso, afirmou, esta reunião representa um momento "especial" para todos quantos acreditaram que isso era possível e que lutaram por isso.

Agora, com o projecto lançado e vislumbres da sua conclusão já no horizonte, Moe Hosseini-Ara considera que se trata de um claro reconhecimento da visão e do esforço que foram necessários para se chegar a este ponto.

"Se não fosse por si, isto não estaria a acontecer", afirmou o responsável das Bibliotecas de Toronto ao dirigir-se à vereadora luso-canadiana, para a qual pediu uma salva de palmas.

Em declarações à comunicação social, Ana Bailão elogiou o carinho demonstrado pelos residentes em relação a esta biblioteca e deu-lhes crédito por terem identificado a necessidade de a renovar e ampliar, e por terem lutado nesse sentido, referindo ter-se apenas limitado a dirigir esse esforço.

Esta é uma de várias obras de grande envergadura a decorrerem nesta zona da cidade, conhecida por "Junction Triangle", onde ainda este ano vai ser inaugurado o George Chuvalo Centre, localizado na Rua Sousa Mendes – assim designada em homenagem ao cônsul de Portugal em Bordéus que salvou milhares de pessoas dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial – e que será inaugurada também na Primavera.


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