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Canadá/Covid-19:

Número de novos casos no Ontário
semelhante aos registados em Março

Governo provincial prossegue com segunda fase da reabertura, excepto em Toronto, Peel e Windsor-Essex

Enquanto o número de casos de Covid-19 detectados em todo o mundo aumentava em cerca de 500.000 no espaço de uma semana – ultrapassando agora oito milhões de pessoas e 440.000 óbitos – em termos gerais a pandemia continua em fase decrescente no Canadá onde, no mesmo período, se registou um acréscimo de pouco mais de 3.000 novos casos e 340 óbitos, totalizando-se agora cerca de 100.000 infecções e 8.200 mortes.

Também no Ontário se afirma esta tendência, mesmo em locais onde o surto tem sido mais sentido, como é o caso de Toronto, Hamilton e da região de Peel, pelo que nestes centros não se passou ainda à segunda fase do plano de reabertura do governo provincial que no resto da província está já a ser implementado.

Em meados da semana anterior o governo federal declarou ser sua intenção prosseguir com a aprovação de legislação destinada a prolongar durante mais algumas semanas os programas de auxílio financeiro decretados.

Além de pretender cumprir com uma série de promessas feitas anteriormente, como a atribuição de subsídios a pessoas com deficiências e a expansão do programa de subsídio salarial por forma a abranger também os trabalhadores sazonais e algumas empresas que não se qualificavam, a proposta de lei prevê também fortes penalidades para quem solicitar estes benefícios sem se qualificar.

Esta posição tem sido fortemente criticada como uma ameaça que levará muitas pessoas que deles necessitam a nem sequer tentarem solicitá-los por receio de virem a ser sujeitos, posteriormente, ao apurado escrutínio do governo.

Entretanto, num discurso na Universidade Carleton e transmitido ao vivo para os estudantes finalistas de todo o país, o Primeiro-ministro Justin Trudeau expressou o seu voto de confiança na capacidade dos jovens para enfrentarem os inúmeros problemas com que se deparam o Canadá e o mundo, comparando-os à geração que atingiu a maioridade durante a Segunda Grande Guerra.

"Nenhum estudante pode escolher o mundo em que se forma, mas se pudesse – sejamos sinceros – provavelmente não escolheria o de 2020", afirmou o chefe do governo, ao enumerar alguns dos problemas actuais, incluindo as alterações climáticas, o racismo e a pandemia que se vive no momento.

A esse propósito, e de acordo com dados do governo do Ontário, o número de infectados com Covid-19 nas camadas mais jovens tem vindo a aumentar em algumas zonas na Área da Grande Toronto (AGT), nomeadamente em Hamilton e, especialmente, na cidade de Toronto e na região de Peel.

As unidades de saúde pública têm estado a investigar esta nova tendência com vista a compreender os factores que estão em jogo no que é uma aparente inversão demográfica, agora centrada principalmente na AGT.

No prosseguimento das investigações de negligência em vários lares da terceira idade no Ontário, o governo provincial foi alvo de questões a respeito de uma dessas instituições em Woodbridge onde, alegadamente, um idoso morreu à fome antes da província ter assumido a sua gestão.

Entretanto, na pretérita quarta-feira (10) o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, e a ministra da Saúde, Christine Elliott, tiveram de cancelar a habitual conferência de imprensa diária para se submeterem a testes de despistagem da Covid-19 após o ministro da Educação, Stephen Lecce, ter sido notificado de que tinha estado em contacto com uma pessoa portadora do vírus.

Christine Elliott, que foi vista posteriormente a fazer compras num estabelecimento LCBO, viria a defender-se das acusações ao explicar que tinha tido autorização médica para não se isolar.

Por seu turno, o ministro Stephen Lecce anunciou que também tinha feito o teste de despistagem, tendo-se mantido isolado até receber o resultado (negativo), e agradeceu à equipa médica que o administrou.

Por esta altura, o número de infectados num foco infeccioso que se vinha a espalhar entre os trabalhadores do sector agro-alimentar de Essex – muitos dos quais migrantes – ultrapassava já os 200, com o registo de 38 novos casos.

Também o município de Windsor viria a anunciar a expansão de um centro de isolamento e recuperação, inicialmente estabelecido para a população sem-abrigo, com o fim de ajudar os trabalhadores migrantes na região e que tiverem testes positivos de Covid-19.

No que diz respeito a Toronto, a dra. Eileen de Villa, directora dos serviços de saúde da autarquia, indicou que a maioria das novas infecções que estão a ser detectadas afecta sobretudo as pessoas na casa dos 50 anos e não dos 20, como algumas fontes indicam, e destacou o contacto próximo com uma pessoa infectada, em casa ou no trabalho, como o principal vector de transmissão do vírus.

Quanto ao rastreio dos contactos das pessoas infectadas, a médica afirmou terem sido investigados quase 13.000 casos desde que a doença foi detectada na cidade, considerando este um número inusitado para uma agência que nunca antes tinha tido de lidar com tantos casos e tão rapidamente, ao mesmo tempo que tentava compreender melhor a doença.

Entretanto o presidente da Câmara, John Tory, anunciou o lançamento das iniciativas CampTO e SwimTO que considerou permitirem aos residentes aceder a programas e espaços ao ar livre onde se possam refrescar em segurança.

Segundo o edil, as piscinas para nadar e chapinhar, e as praias continuarão interditadas enquanto Toronto não entrar na segunda fase de reabertura, mas a autorização para abrirem, a emitir pelo governo provincial, poderá vir ainda hoje, sexta-feira (19).

Espera-se também que os campos de dia para crianças dos 6 aos 12 anos organizados pela autarquia venham a abrir a 13 de Julho, embora com números reduzidos – apenas 32.000 utentes – estado a informação e as matrículas a serem feitas através do portal toronto.ca/camps.

Também alguns parques de estacionamento da Câmara estão a reabrir para uso do público, tendo na semana anterior reaberto o do jardim de Ashbridges Bay, embora o de Woodbine Beach continue encerrado até notícia em contrário.

No seguimento da semana, o governo federal indicou estar a rever a forma como são geridos os pedidos de imigração e de asilo de refugiados pois prepara-se para um aumento acentuado no período pós-Covid-19.

Além do aumento previsto, após estes terem caído substancialmente em Março, com o encerramento das fronteiras, impõe-se ainda a necessidade de minimizar o contacto cara-a-cara durante todo o processo burocrático.

Um relatório da RBC Economics sugere que a paragem da actividade económica pode travar fortemente o crescimento do país, citando entre outros aspectos os cerca de seis mil milhões de dólares que os estudantes internacionais contribuem anualmente para a economia nacional, só em propinas.

Entretanto, no Ontário foram autorizadas a partir de ontem, quinta-feira (18), as visitas a familiares em instituições de cuidados de saúde a longo prazo e em lares de idosos sem focos infecciosos, embora com algumas restrições.

Os residentes nas instituições de saúde passaram a poder receber uma visita por semana, ao ar livre, enquanto que os que residem em lares voltam a poder receber um número de visitas, a determinar pela administração, tanto dentro como fora do edifício.

Em ambos os casos, porém, os visitantes terão de demonstrar que tiveram testes negativos de Covid-19 nas duas semanas anteriores.

Foi entretanto anunciada a contratação de Cathy Fooks como Provedora dos Pacientes a nível provincial, cargo que se encontrava em aberto há dois anos, desde a tomada de posse do novo governo do Ontário.

O governo provincial passou também a recomendar que os passageiros nos transportes colectivos usem máscaras, medida apoiada pela Comissão de Transportes Públicos de Toronto (TTC, na sigla em inglês) e a MiWay, de Mississauga.

Esta regra terá de ser cumprida a partir de 2 de Julho, com a TTC a indicar que vai retomar a cobrança pelas viagens e os utentes vão poder voltar a entrar pelas portas da frente dos autocarros e eléctricos.

Com respeito à MiWay, a empresa esclareceu que a obrigatoriedade do uso de máscara a partir desse dia, incluindo nas paragens e terminais, não será obrigatória para as crianças com menos de dois anos nem para as pessoas com deficiências ou problemas de saúde que as impeçam de usar esta forma de protecção.

No final da semana o governo do Ontário viria a registar um número recorde de testes de despistagem do vírus corona, 28.335 – a primeira vez que a província logrou ultrapassar a barreira dos 25.000 – ao mesmo tempo que o número de novas infecções detectadas continuava a diminuir.

Dias depois, no domingo (14) as unidades regionais de saúde registavam também o menor número de novos casos diários de Covid-19 dos últimos 80 dias (179) e o menor número de fatalidades desde 29 de Março.

Face a estes resultados, o governo provincial continuou a aliviar as restrições que havia imposto meses antes para conter a pandemia, permitindo agora o alargamento dos círculos sociais além das pessoas que vivem na mesma residência, até um máximo de 10.

As autoridades deixaram claro, porém, que ninguém deveria fazer parte de mais do que um destes círculos sociais.

A medida visa permitir, por exemplo, que os avós possam tomar conta dos netos enquanto os pais trabalham ou que os filhos possam cuidar dos pais idosos nas suas próprias casas.

O governo do Ontário abrandou também as restrições impostas aos casamentos e funerais, que passam agora a poder acolher até 50 pessoas nas cerimónias realizadas ao ar livre, ou um máximo de 30 por cento da capacidade das instalações quando realizadas dentro de portas, continuando as recepções limitadas a 10 pessoas.

Enquanto isso, fora da AGT e arredores o público pôde mais uma vez, e depois de vários meses, voltar a frequentar restaurantes.

O governo provincial indicou ainda que iria investir mais 15 milhões de dólares para reduzir e prevenir focos infecciosos entre trabalhadores migrantes, atribuindo às herdades que os contratam verbas que poderão ir até 7.500 dólares.

Em Toronto, John Tory anunciou que as creches da cidade iriam voltar a reabrir a partir do dia 12 até Setembro, incluindo as 46 que são geridas pelo município.

Uma vez que a província decretou uma redução no número de crianças que são permitidas em cada creche, o edil garantiu que a Câmara estava a tentar priorizar o acesso aos espaços disponíveis, a começar pelos filhos dos trabalhadores de primeira linha.

John Tory indicou ainda que a autarquia tencionava autorizar a reabertura dos mercados agrícolas ao ar livre, considerando-os um elemento-chave na segurança alimentar.

Um dos mais icónicos da cidade, o Mercado de São Lourenço, abriu as suas bancas no exterior no passado sábado (13), tornando-se assim no primeiro dos 22 que deverão retomar à venda ao ar livre nos próximos dias ou semanas.

Foi também no fim-de-semana que a ministra responsável pela pasta do Desenvolvimento Económico Regional, Melanie Joly, reconheceu que cidades como Toronto e Montreal são as que mais têm sofrido com a pandemia e que era preciso fazer mais pelas companhias situadas nas suas baixas citadinas, para que consigam manter as portas abertas durante e depois da pandemia.

Entretanto o governo federal anunciou que passava a ser obrigatória a medição da temperatura nos passageiros que pretendam viajar de avião, sendo proibido o embarque a quem tiver febre.

No início da semana o ministro federal das Finanças, Bill Morneau, anunciou que o governo estava a tentar determinar se as medidas decretadas para a reabertura
da economia iriam afectar homens e mulheres de ma-neira diferente, assim como a forma como eventuais alterações à rede de segurança económica poderiam afectar as comunidades não-caucasianas (não brancas) do Canadá.

Também o governo do Ontário propôs que todas a unidades de saúde da província passassem a recolher dados sobre a propagação do vírus corona com base na raça das pessoas infectadas, após sugestões de activistas comunitários e médicos de que as comunidades não-brancas assim como as mais desfavorecidas estão a ser mais afectadas pela doença do que a população geral.

Algumas dessas unidades, incluindo as de Otava, Toronto, Middlesex-London e Sudbury, já estavam a colher estes dados, que as autoridades esperam venham a ser úteis no combate à Covid-19.

Entretanto, novos desenvolvimentos no caso dos lares da terceira idade viram a Autoridade Reguladora do Ontário revogar a licença da Rosslyn Retirement Residence, onde ocorreu o pior surto de Covid-19 em Hamilton – 14 mortes e 60 pessoas hospitalizadas quando as instalações foram evacuadas, a 15 de Maio.

O Sistema Hospitalar de Scarborough foi indicado para tomar conta do lar Extendicare Guildwood, onde quase um terço dos seus 169 residentes faleceram com Covid-19, e a Polícia de Peel confirmou estar a investigar alegações de maus tratos no centro de cuidados continuados Camilla Care Centre, em Mississauga – uma das instituições deste género com maior número de mortes por Covid-19.

Após uma série de números mais positivos, durante o fim-de-semana foi indicado terem-se detectado mais seis focos infecciosos em lares de terceira idade.

Dados publicados pelo Ministério da Saúde revelavam a existência de 69 focos infecciosos nos 626 lares do Ontário, com um total de 1792 residentes falecidos.

Apesar disso, esta terça-feira (16) as unidades regionais de saúde do Ontário registaram o período mais longo com menor número de novos casos de Covid-19 detectados desde Março, uma média de 231 casos diários nos últimos sete dias.

Os dados continuaram a satisfazer as autoridades que declararam que a partir de hoje, sexta-feira (19), todas as regiões do Ontário passam à segunda fase da reabertura, à excepção de Toronto, Peel e Windsor-Essex.

Segundo o plano de recuperação económica do Ontário, porém, esta fase contém numerosas especificações e directrizes para os sectores que estão autorizados a retomar ou a expandir a sua actividade.

Entre estas destacam-se as que são dirigidas a bares e restaurantes e que citam a proibição de cantar e dançar nas esplanadas e áreas ao ar livre, onde os clientes se podem reunir actualmente em pequenos números, assim como a proibição de cantar nas creches, prática que é igualmente desencorajada nos locais de culto religioso e que foram autorizados a reabrir na semana passada.

Com o aproximar do Dia do Canadá, cujos festejos oficiais foram cancelados, as autoridades federais fizeram saber que o público vai ter à sua disposição uma verdadeira cornucópia de vídeos, actividades manuais e até um aplicativo de animação quadro-a-quadro para celebrar o feriado nacional em casa.

À falta da habitual cerimónia e das festividades junto ao Parlamento em Otava, o departamento Heritage Canada, que tem a seu cargo o planeamento dos eventos oficiais de 1 de Julho, convocou um naipe de artistas cujas actuações poderão ser acompanhadas online, incluindo Alanis Morissette, Avril Lavigne, Sarah McLachlan e o cantor Corneille.

Entretanto, Justin Trudeau anunciou que o subsídio CERB seria prolongado por mais oito semanas e que a fronteira com os EUA permaneceria encerrada durante pelo menos mais um mês, até 21 de Julho.

Por último, no que diz respeito à pesquisas de vacinas e tratamentos para a Covid-19, cientistas da Universidade de Oxford anunciaram ter descoberto o primeiro medicamento que foi comprovado ajudar a reduzir o número de mortes provocadas pelo vírus corona, após uma série de ensaios clínicos que envolveram 6.000 pacientes.

O esteróide dexamethasone, um composto anti-inflamatório bem conhecido e de baixo custo, parece ter ajudado nos casos mais graves, reduzindo a mortalidade em cerca de 35 por cento nos pacientes ligados a ventiladores e em cerca de 20 por cento nos que receberam tratamento com oxigénio, embora não tenha sido detectado qualquer efeito nos que não precisaram de apoio respiratório.

Dias antes, a firma AstraZeneca firmou um acordo com a Aliança Inclusiva de Vacinas para fornecer 400 milhões de doses duma vacina experimental contra a Covid-19 à Europa.

A aliança, constituída pela Alemanha, França, Itália e Holanda, conta receber a vacina, que está actualmente a ser testada pela Universidade de Oxford, até ao fim do ano.

Entretanto a firma Johnson & Johnson diz estar a acelerar os ensaios clínicos da sua própria vacina – uma das mais de 130 actualmente em desenvolvimento – tendo planeados testes clínicos para a segunda quinzena de Julho.


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