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Fado regressou à Casa das Beiras de Toronto

Por Luís Aparício

Sol Português

Após um longo interregno, voltou a ouvir-se cantar o fado na Casa das Beiras de Toronto, onde na passada sexta-feira (12) duas vozes da velha guarda do universo fadista e a nova "boneca do fado" na comunidade portuguesa levaram novamente a canção nacional.

A noite de Fados – ao que tudo indica a última a ter lugar nas actuais instalações – deu início às actividades de Outono-Inverno do clube beirão após o levantamento das restrições impostas para travar a pandemia de Covid-19.

O presidente da colectividade, Bernardino Nascimento, entretanto, esclareceu que a Direcção ainda vai continuar na actual sede até Junho do próximo ano.

"Pensávamos que esta noite de fados iria ser a despedida dos eventos aqui nesta casa, derivado à pandemia", dizia-nos o dirigente, acrescentando que "como as coisas ficaram melhores e podemos dar continuidade aos nossos eventos, vamos continuar aqui" ainda por mais algum tempo, antes da mudarem para novas instalações.

Segundo referiu, a Direcção espera poder realizar uma Semana Cultural Beirã já na nova sede, em Setembro do próximo ano, e incluir no programa mais uma grande noite de fado, uma tradição desde há muitos anos.

Durante a introdução dos artistas que iriam preencher a primeira parte do espectáculo de sexta-feira, António César, no papel de mestre de cerimónias, prometeu que seria "uma noite inesquecível da canção", recordando que, dentro de dias, a 27 de Novembro, "o fado faz 10 anos desde que deixou de ser só português" e foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Mário Jorge, um dos veteranos da antiga geração de fado na comunidade portuguesa, abriu a noite de gala, acompanhado em palco pelos músicos Manuel Moscatel (guitarra) e Januário Araújo (viola).

À nossa reportagem o fadista confidenciou que a última vez que cantou em público foi em Alfama (Lisboa), "já vai para três anos", acrescentando estar feliz com este convite e pela oportunidade de voltar a cantar numa casa que bem conhece e para um público que aprecia este estilo musical tão caracteristicamente português.

Prometeu também fazer uma "pequena alusão" a Amália (Rodrigues) durante a sua actuação, interpretando um dos fados que a tornaram famosa, especificamente o "Avé Maria Fadista" porque, como realçou, "todo o mundo fadista está a celebrar o centenário do nascimento da Amália e eu não quero deixar passar esta pequena oportunidade".

Jennifer Bettencourt, a segunda artista a entrar em palco, confessou que já tinha saudades de cantar nos clubes, e que aproveitou esta pausa na actividade fadista para "praticar e trabalhar" a sua actuação.

A jovem luso-canadiana, que canta o fado de forma alegre e teatral, é já um nome a seguir na nova geração de fadistas e ao longo dos últimos anos tem-se apresentado em centros culturais e em noites de fado especiais, tendo o privilégio de abrir espectáculos para artistas consagrados como Rodrigo Costa Félix, Marta Pereira da Costa e Nathalie Pires.

Actualmente a preparar o lançamento de um álbum de estreia para o próximo ano – repleto de favoritos da música tradicional e alguns originais, como destaca – considera que "vai ser um bom trabalho", tendo para isso seleccionado "fados que gosto e quero cantar", enfatizou.

Coube a João Brito, grande entusiasta e artista dedicado ao fado, fechar a primeira parte do espectáculo, que acabaria por não contar com a participação de Fátima Ferreira, como estava inicialmente previsto, dado a fadista ter sofrido um revés no seu estado de saúde que a levou a dar entrada no hospital.

Além do fado, a noite serviu também para cumprir a tradição do magusto de São Martinho com a degustação de castanhas e um "copinho" de jeropiga.

A Direcção da colectividade, entretanto, promove amanhã, sábado (20), um novo convívio, desta feita com o rancho folclórico, que prepara o regresso aos ensaios depois de um longo período de inactividade devido à pandemia.


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