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Dia do Armistício celebrado com menos restrições

Por Luís Aparício

Sol Português

Respeitando o uso de máscara e com a simbólica papoila ao peito, os canadianos voltaram na passada quinta-feira, (11) aos cenotáfios e monumentos nacionais dedicados aos mortos das Grandes Guerras, para lembrar e prestar homenagem àqueles que lutaram e fizeram o sacrifício supremo ao serviço do país.

As cerimónias do Dia do Armistício deste ano contrastaram fortemente com as do ano passado, quando os organizadores desincentivaram o público de comparecer pessoalmente nas cerimónias devido à segunda vaga de Covid-19, que então grassava, optando por realizações virtuais.

Este ano assinalou-se também o centenário da papoila como símbolo nacional do Armistício, inspirado no célebre poema "In Flanders Fields", de John McCrae, pelo que nas suas declarações o Primeiro-ministro Justin Trudeau fez questão de destacar que, mesmo 100 anos depois, a icónica flor vermelha continua a ser um símbolo inconfundível de um período sombrio.

As celebrações realizaram-se com algumas restrições ainda em vigor, dado a pandemia de Covid-19 continuar a representar uma ameaça, sendo obrigatório o uso de máscaras e o cumprimento dos requisitos de distanciamento aos que assistiam presencialmente.

Em Otava, a Royal Canadian Legion voltou a cancelar o tradicional desfile dos ex-combatentes, que no passado viu veteranos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia marcharem ao lado dos que participaram em conflitos e operações militares mais recentes.

Pelo segundo ano consecutivo, algumas filiais da Legião em todo o país evitaram também os eventos presenciais, devido à pandemia, levando muito mais público a assistir às cerimónias locais na televisão ou online.

Celebrações no
Queen's Park

Em Toronto, um grande número de espectadores voltou a reunir-se nos terrenos junto ao Parlamento do Ontário para a segunda celebração do Dia do Armistício em pleno período de pandemia, com os oradores a destacarem a actuação dos militares canadianos em conflitos internacionais e os seus préstimos em território nacional durante a luta contra a Covid-19.

O primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, observou igualmente terem-se já passado 20 anos desde os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, que destruiriam as torres do World Trade Center, em Nova Iorque, e o início da missão militar canadiana no Afeganistão.

O chefe do governo provincial prestou também homenagem àqueles que lutaram na Primeira e na Segunda Guerra Mundial, nas guerras da Coreia e do Golfo, e em "incontáveis" missões para a preservação da paz em todo o mundo.

"O Dia do Armistício é a ocasião em que todos os ontarienses prestam homenagem e honram a memória dos que se sacrificaram por nós, e mostram a sua gratidão aos heróis que ainda caminham entre nós", disse Ford.

A ministra do Património, Desporto, Turismo e Indústrias Culturais do governo do Ontário, Lisa MacLeod, destacou o trabalho desenvolvido por elementos das Forças Armadas que prestaram ajuda e ouviram os relatos de testemunhas oculares a respeito das condições nos lares da terceira idade no Ontário, duramente atingidos por surtos mortais de Covid-19 no início da pandemia.

O brigadeiro-general Peter Scott, da 4.ª Divisão Canadiana, pronunciou-se também durante um discurso em que destacou esses esforços nos lares que prestam cuidados de saúde a longo prazo e noutras situações nas linhas da frente da luta contra a pandemia.

Como realçou ainda, os elementos das Forças Armadas tiveram um papel importante também na implementação do plano de vacinação em comunidades remotas indígenas, sem esquecer a ajuda que disponibilizaram aos hospitais do Ontário.

Liga dos Ex-Combatentes Portugueses (Núcleo do Ontário) não participou este ano

Habitualmente, os representantes da Liga dos Ex-Combatentes Portugueses – Núcleo do Ontário estão presentes nas cerimónias no Queen's Park.

Este ano, porém, e após debaterem o assunto, decidiram que não estavam reunidas as condições necessárias para a sua participação nas celebrações do Dia do Armistício.

Em declarações ao jornal Sol Português, o actual presidente, António Letra, explicou que ainda tentaram indagar sobre essa possibilidade, mas a resposta dos organizadores das celebrações no local não foi a mais favorável, citando como argumento das restrições ainda em vigor.

António Letra sublinha que, apesar da ausência do grupo, estas celebrações do Dia do Armistício têm "um significado profundo para os ex-combatentes do núcleo" porque representam "um gesto que os nossos veteranos merecem".

São também, como destaca, "uma maneira de os honrar e dizer `obrigado' pela participação e pelo contributo que deram à vossa nação, e, no caso específico dos portugueses, que deram à nação de Portugal".


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