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Bonnie Crombie bate-se por segundo mandato na presidência de Mississauga

Por João Vicente
Sol Português

A presidente da Câmara de Mississauga, Bonnie Crombie, foi alvo na passada segunda-feira (15) de um evento no Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM), em apoio à sua candidatura a um novo mandato.

A edil, que fez carreira como empresária e consultora de relações públicas antes de ingressar na política em 2008, sempre na região de Mississauga – primeiro como deputada federal (2008-2011), depois como vereadora (2011-2014) e por último como presidente da autarquia, desde há quatro anos – falou ao jornal Sol Português sobre a sua recandidatura e o que pretende para a cidade.

Para Bonnie Crombie, Mississauga é uma cidade de eleição – tanto para viver como para trabalhar ou montar uma empresa.

"Quando a Wayfair procurava onde estabelecer a sua sede canadiana, escolheu Mississauga; quando as sopas Campbell deixaram Etobicoke, escolheram Mississauga; quando a Bombardier se mudou, trouxe 2.000 empregos para Mississauga; quando a Tomei se quis aproximar da Mitshubishi Heavy Industries, veio para Mississauga", explica a edil.

"Cruzei-me com a companhia farmacêutica brasileira Biolab numa conferência, eles estavam para ir para New Jersey, falei-lhes sobre o Canadá, recrutei-os, consegui que investissem aqui 56 milhões de dólares na sua sede norte-americana, localizada na Matheson, em Mississauga – tudo isto são boas notícias – e por último a Cognizant, que queria estar localizada no `corredor de inovação', ou seja, queriam Waterloo ou Toronto, e eu disse `preciso de falar com eles, eles querem estar perto do aeroporto e contar com uma população rica em pessoas de culturas diversas, com um alto nível de instrução e capacidade técnico-profissional e isso é Mississauga; deixem-me fazer-lhes uma proposta', e ganhámos 2.000 empregos da Cognizant em Meadowvale".

Infelizmente, refere, a Microsoft decidiu reduzir as suas instalações e mudar-se para a baixa de Toronto, mas com todas estas outras empresas a mudarem-se para Mississauga, Bonnie Crombie considera que o saldo, tanto de empregos como de investimento, continua a ser bastante positivo.

O mais recente exemplo da atracção que Mississauga exerce sobre as grandes empresas é o estúdio da rede de televisão americana CBS.

Segundo a autarca, a companhia começou a pedir informações há cerca de um ano "e nós prestámos um excelente serviço através do nosso Gabinete de Desenvolvimento Económico, respondendo a perguntas, formulando propostas, inquirindo acerca dos requerimentos", refere, antes de acrescentar num aparte: "já agora, tenho outros dois estúdios à procura de espaço em Mississauga".

Quanto aos motivos que levam estas empresas a escolher Mississauga para se fixarem, a líder do município cita "uma cidade vibrante, diversa e inclusiva com uma população altamente qualificada vinda de outros países, onde dois terços dos habitantes têm qualificações pós-secundárias e o governo é estável, os impostos, tanto empresariais como residenciais, são baixos e abaixo da média da grande Toronto", acrescentando ainda factores como a sua localização.

Como destaca, Mississauga está a apenas uma hora de carro da fronteira e a uma hora de voo no "corredor Boston-Washington-Nova Iorque", é servida pelo aeroporto e por toda uma rede de transportes que circunda a cidade, tanto públicos como auto-estradas, caminhos de ferro e acesso ao lago, assim como uma boa qualidade de vida alicerçada por centros comunitários, bibliotecas e complexos desportivos, todos com instalações modernas, além de trilhos para fazer caminhadas a pé ou dar passeios de bicicleta.

A autarca viria também a partilhar estas informações com o público – elementos da comunidade luso-canadiana de Mississauga, e não só – que se dirigiu ao CCPM para lhe declarar o seu apoio e ouvir alguns detalhes da sua campanha.

O encontro, organizado para uma segunda-feira à noite, terá talvez deixado a desejar em termos de número de espectadores, que foi algo reduzido, mas entre as pouco mais de duas dezenas de pessoas que compareceram contava-se o ex-ministro das Finanças do Ontário, Charles Sousa, junto de quem indagámos quais considera as necessidades mais prementes dos portugueses residentes em Mississauga.

Para o político luso-canadiano, apesar do investimento de 1,4 mil milhões de dólares na construção de uma linha de metro de superfície (LRT) ao longo da rua Hurontario, desde o lago Ontário até Brampton, o maior problema que afecta a "região 905" é o sistema de transportes públicos.

"É horrível", diz o ex-ministro das Finanças, que ressalta que agora o congestionamento nas auto-estradas se verifica em ambos os sentidos e isso é sinal de que, por muito que se tenha feito, continua a ser preciso fazer muito mais para aliviar o problema.

Continuando a sua conversa com o jornal Sol Português, Bonnie Crombie explica que o município está a crescer muito, mas continua a cumprir as metas estipuladas pela província com respeito à densidade populacional, assim como à disposição desse crescimento em relação à acessibilidade a transportes e serviços – nomeadamente um total combinado de 200 habitantes e empregos por hectare quadrado, com maior intensidade junto às principais vias de transportes.

Isto, segundo ela, vai contra a filosofia inicial de desenvolvimento urbano criado para a cidade há mais de 40 anos, quando, como ressalta, "a gasolina era barata e o sonho era ter uma casa com uma cerca branca no jardim e dois carros à frente da casa".

Agora a tendência é não fazer ruas tão largas e oferecer mais lojas, restaurantes, serviços e instalações públicas, das quais as pessoas possam usufruir perto de casa, preferencialmente deslocando-se a pé ou ao longo das principais vias de transportes.

Existem também planos para concentrar os recursos e a atenção do município na manutenção de habitações acessíveis e na criação de mais moradias em conta, para atrair e manter os residentes da classe média na cidade.

Outra das suas prioridades futuras e algo que, tal como as verbas para a construção da via LRT, diz ter sido possibilitada por Charles de Sousa, é revitalização da zona à beira-lago.

Segundo Bonnie Crombie, foi ele, enquanto ministro das Finanças, que transferiu os terrenos da central eléctrica de Lakeview para a Câmara de Mississauga, assim como os terrenos da refinaria da Imperial Oil, onde estão agora a construir-se duas "comunidades completas e acessíveis a pé".

Serão, como explica, locais onde "se pode viver, investir, ter uma empresa; onde há actividades recreativas, culturais e vão haver instituições educacionais – tudo do que precisa uma família e onde se pode ter uma vida muito completa", algo de que "muito nos orgulhamos".

Daí que a edil não poupe elogios a Charles Sousa, tal como tem muito de bom a dizer sobre a comunidade lusa de Mississauga que diz contribuir muito para a cidade, tanto em termos de actividades beneficente, como culturalmente e através das suas muitas e lucrativas empresas, "mas acima de tudo estão bem integrados na comunidade e gostam de retribuir de diversas formas".

Uma semana antes a autarca diz ter passado cerca de duas horas num supermercado português, realçando que a clientela vinha não só de Mississauga mas de toda a região circundante, incluindo Malton, Brantford e Milton, entre outras localidades, algo que atribui ao espírito empreendedor e à ética de trabalho portuguesa demonstrada pelos proprietários, que conseguiram tornar o seu estabelecimento suficiente apelativo.

Além de Charles Sousa, o deputado federal Peter Fonseca e os empresários Jack Prazeres e Wilson Teixeira são outros exemplo de personalidades de Mississauga que admira pelo seu sucesso e envolvimento em causas e organismos que têm impacto na comunidade.

Cita o envolvimento de Jack Prazeres na Luso Charities e no conselho de administração da Polícia, e de Wilson Teixeira na Comissão de Jogo do Ontário como uma demonstração da vontade dos empresários luso-canadianos de irem além do seu sucesso empresarial e retribuírem de alguma forma para bem da sociedade em geral.

Com respeito ao futuro da cidade, a edil cita que em quatro anos criaram-se ou expandiram-se 430 empresas em Mississauga, geraram-se mais 20 milhões de dólares anuais em impostos empresariais e criaram-se 11.500 empregos.

Neste momento estão a ser construídas 25 torres residenciais, "em larga medida devido ao LRT", refere, considerando-a por isso uma cidade que promete e à qual gostaria de continuar a presidir.

Bonnie Crombie dá ainda mérito aos vereadores e funcionários da autarquia, que diz trabalharem muito bem em conjunto apesar de algumas diferenças de opinião pontuais, ao contrário de outros municípios, motivo porque conseguem chegar a acordo e levar a cidade rumo ao progresso.

"Cada moção é avaliada pelo seu mérito [próprio] e é assim que deve ser", diz a edil.

As eleições autárqui-cas realizam-se esta segunda-feira (22), estando habilitados a votar em Mississauga todos os cidadãos canadianos maiores de 18 anos que residam na cidade, os que não sendo residentes são proprietários ou alugam uma propriedade no município, assim como os cônjuges de não-residentes nessas condições.

Para mais informações visite tinyurl.com/eleitoresaptos.


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