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Semana Cultural dinamiza Casa da Madeira

Por João Vicente
Sol Português

A 31.ª Semana Cultural Madeirense, cuja inauguração teve lugar na passada sexta-feira (13), tem estado a decorrer na Casa da Madeira de Toronto e conclui amanhã, sábado (21) com um espectáculo com os artistas Dinis Cruz e Décio Gonçalves.

Entretanto, e para a noite de hoje, sexta-feira (20), está marcado ainda um serão dedicado ao fado com Teresa Tapadas, vinda de Portugal, bem como os fadistas locais Tony Câmara e Nancy Costa.

A par destes espectáculos, é possível ainda apreciar mostras que oferecem um leque variado de informação sobre produtos e actividades típicas do arquipélago da Madeira e seus habitantes – desde a literatura ao folclore, passando pelas frutas tropicais, tapeçarias, bordados, cestos e vinhos ali produzidos – uma exposição cujo conteúdo foi organizado em grande parte pelo conselheiro permanente das Comunidades Madeirenses no Canadá, José Rodrigues.

O casal de artesãos Terezinha e João Freitas, que há vários anos tem vindo a marcar presença neste evento, mais uma vez aqui tem estado a demonstrar as artes de cestaria e de bordados.

As suas "barraquinhas" são das que mais atraem visitantes, incluindo entidades oficiais como a deputada provincial Cristina Martins e a vereadora e vice-presidente da Câmara de Toronto Ana Bailão, mas também público de todas a idades, exemplificado por um pequenito elemento do rancho da casa que ali vimos e que assistia fascinado ao trabalho que ia sendo criado por João Freitas.

Apesar de abordar temas comuns às edições anteriores, a exposição deste ano conta com algumas adições, sendo os ecrãs espalhados pelas barraquinhas e que exibem vídeos e imagens alusivas a cada uma o que mais sobressai.

"Tentámos dar um pouco mais de dinamismo a esta exposição adicionando alguns elementos de vídeo, de áudio e de fotografia também", referiu José Rodrigues, indicando que o objectivo é dar "um pouco mais de vivacidade à exposição, mas também a pensar um pouco na geração mais jovem, porque [para a juventude] é uma linguagem bem mais fácil e acessível".

O conselheiro das Comunidades Madeirenses reforçou ainda a tentativa de promover o cartaz turístico e a "marca Madeira" como mais valias adicionadas à exposição deste ano, além dos habituais elementos do património madeirense.

Nesse sentido destacou a boneca de massa, que faz uma aparição nesta mostra do património cultural e da "marca Madeira" e que, como explica, foi uma tradição centenária que se extinguiu e só recentemente foi recuperada pela Casa do Povo de Curral das Freiras.

A boneca, que simboliza fertilidade e fecundidade e, quando acompanhada de um galo, é acrescida pelo simbolismo da pontualidade e do trabalho, foi-lhe oferecida na sua última visita à Madeira pelo autarca de Santa Cruz, por isso José Rodrigues fez questão de incluí-la nesta ocasião, juntamente com uma foto e descrição relativa à já falecida Maria Salomé Teixeira, que foi uma das últimas pessoas responsáveis pela preservação desta tradição, vendendo durante anos as bonecas de maçapão nos arraiais, especialmente na Festa do Bom Jesus de Ponta Delgada.

O certame deste ano conta ainda com uma "barraquinha" onde está exposto material literário oferecido pela Secretaria Regional da Educação e ao longo da semana, e como forma de realçar a gastronomia regional, têm vindo a ser servidos manjares típicos, como o milho frito, o bife de atum à madeirense, o chicharro e a carne de vinho e alhos, entre outros – isto a par de iguarias igualmente apreciadas um pouco por todo o lado, como a caldeirada, o cozido à portuguesa e o bacalhau à Brás.

Para José Rodrigues, trata-se de um esforço embrionário que tem esperança de ver expandir no futuro e estimular outras iniciativas, incluindo mais novidades a apresentar em futuras semanas culturais.

No dia da inauguração (13), a cerimónia do hastear da bandeira que estava prevista realizar-se no exterior da Casa da Madeira viria a sofrer alterações devido ao estado do tempo, com granizo tocado a vento, pelo que os estandartes viriam a desfilar em palco enquanto Jonathan Garcia interpretava os hinos do Canadá, de Portugal e da Região Autónoma da Madeira.

Entretanto, e depois de se ter observado um minuto de silêncio em honra dos sócios da casa e madeirenses falecidos durante o último ano, o fadista, radialista e mestre-de- cerimónias desta ocasião, Luís Ferraz, convocou o presidente da Assembleia-Geral, José de Freitas, a pronunciar-se na expressão de boas-vindas ao público e convidados.

Escutar-se-iam de seguida a deputada Cristina Martins e a vereadora Ana Bailão, que para além das suas palavras congratulatórias ofereceram certificados comemorativos emitidos pelos seus respectivos governos ao presidente do Executivo da Casa da Madeira, Rick Coelho.

Para Cristina Martins, realizações como esta servem "para matar um bocadinho daquela saudade que sentimos do nosso cantinho em Portugal, mas também para deixarmos aos nossos filhos e netos a nossa cultura, tradições, comida, folclore e língua".

Por seu turno, Ana Bailão sugeriu aos jovens da colectividade que convidem também os amigos que não são portugueses a visitarem e a participarem das actividades, realçando que quando realiza reuniões com os moradores da área nas instalações da colectividade madeirense tem imenso prazer em os elucidar quanto ao seu significado, património e cultura.

Impossibilitado de comparecer à inauguração por motivos de saúde, o cônsul-geral de Portugal em Toronto, Luís Barros, incumbiu José Rodrigues de transmitir a sua mensagem de saudação.

O conselheiro das Comunidades Madeirenses no Canadá viria ainda a discursar em seu nome próprio e do cargo que ocupa, encorajando a Casa da Madeira a incentivar a participação dos jovens através de programas elucidativos que vão além do folclore e do artesanato para promover a sua integração na comunidade.

"É importante que criemos eventos que sejam recriações autênticas, legítimas e originais da nossa terra, mas também é preciso criar eventos que lhes digam respeito e ao Canadá, que é o nosso país", afirmou José Rodrigues, num apelo aos corpos associativos para construírem nos alicerces da cultura de outrora, uma cultura "ainda mais rica para o futuro".

Ao brinde com vinho da Madeira e bolo de mel seguiu-se um jantar convívio e, antes da actuação do rancho da casa, ouviram-se ainda as palavras dos presidentes da Direcção e do Conselho Fiscal, Rick Coelho e Miguel Mendonça, respectivamente.

Rick Coelho agradeceu aos directores e voluntários que contribuíram para a realização deste certame, deixando o convite aberto à comunidade para uma visita, enquanto Miguel Mendonça destacou a alegria de um dos fundadores da colectividade, Luís de Mora, que já com 91 anos e saúde precária se alegrou ao tomar conhecimento desta realização, enviando um abraço para todos.

O serão viria a concluir com as actuações do rancho da casa e do cantor Décio Gonçalves, que voltará ao palco amanhã, na festa de encerramento e para a qual está agendado também Dinis Cruz.

Ao longo da semana registaram-se outros concertos e espectáculos com os artistas Mário Marinho e Tony Câmara, assim como com o grupo de concertinas Estrelas do Norte.


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