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Semana de Portugal 2018:

Sem pretendentes à presidência, ACAPO anuncia comissão ad hoc

Por João Vicente
Sol Português

À semelhança do que se tem verificado noutras instituições comunitárias, também a Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO) está a atravessar uma crise de liderança depois da realização de duas Assembleias-Gerais sem que surgisse alguém interessado em assumir a presidência desta organização de cúpula.

Por esse motivo, na terça-feira (17), numa conferência de imprensa na Galeria dos Pioneiros Portugueses, foi dada a conhecer a comissão ad hoc que este ano vai levar a cabo as celebrações do Dia de Portugal.

Apesar de já por várias vezes ter indicado a sua intenção de deixar a presidência da ACAPO, José Eustáquio citou o filho e o tempo que tirou à família para dedicar à organização como motivos que o levaram finalmente a abdicar do cargo.

Permanecerá envolvido, revelou, mas apenas como um dos elementos da comissão, que será encabeçada por Kátia Caramujo e inclui Laurentino Esteves, David Ganhão, Cristina Galrão, Joe Andrade, Nelson Martins e Meghan Pereira.

Para já, o objectivo é manter os habituais eventos que caracterizam a Semana de Portugal, embora a esta altura ainda não saibam qual será o cartaz de artistas para o espectáculo do Dia de Portugal, nem o local onde se realizará.

Segundo Kátia Caramujo, são pormenores que estão ainda a ser delineados e que serão dados a conhecer no dia 13 de Maio, na cerimónia que marca o arranque oficial da Semana de Portugal 2018, convocada para as 11h00 da manhã, também na Galeria dos Pioneiros Portugueses.

O espectáculo será no dia 10 de Junho, consistirá de apenas uma noite de concertos – em vez de três, como nos últimos anos – e o festival de folclore vai continuar a realizar-se.

Quanto aos artistas, Kátia diz que há uma possibilidade de vir alguém de Portugal, mas neste momento não está nada decidido, assim como não sabem ainda quem serão os talentos locais que irão estar em palco.

Segundo adiantou, estão a esforçar-se por conter as despesas, até porque, como viria a explicar José Eustáquio, o custo do Parque Earlscourt na última edição foi "muito agressivo" e além disso estão ainda a tentar disputar em tribunal uma multa que lhes foi imposta o ano passado por excesso de barulho depois das 23h00.

O que se sabe é que a habitual homenagem aos pioneiros decorrerá novamente no High Park, no dia 3 de Junho, junto ao Padrão dos Descobrimentos ali localizado, e que no jantar de gala da Aliança, marcado para dia 5 de Maio, no salão Gerry Gallagher da LIUNA Local 183, voltarão a ser entregues prémios de mérito e bolsas de estudo.

Entretanto a cerimónia do hastear das bandeiras vai realizar-se no dia 8 de Junho, enquanto que a Parada terá lugar no dia 10, entre as 11h00 e as 13h00, no percurso habitual, seguindo-se a homenagem aos voluntários junto ao monumento no jardim Trinity-Bellwoods.

Este ano a Câmara está a pedir que a ACAPO acarrete com a despesa que envolve o destacamento dos polícias que irão estar de serviço ao longo do percurso, uma quantia que poderá rondar os 3.000 dólares e que a comissão está a tentar evitar ter de pagar, embora, caso não seja possível, considere que os subsídios do governo permitirão cobrir esse encargo.

A falta de presidente é uma situação inédita para a ACAPO e por isso Kátia Caramujo confessa-se um pouco nervosa, embora declare a sua confiança na equipa que a rodeia.

A chefe da comissão apela por isso ao apoio da comunidade para os eventos deste ano, incluindo voluntários, e lança o repto de que, se alguém quiser formar uma nova Direcção, deve comunicar com a organização.

Até porque "seria interessante ter novas caras – pessoas com novas ideias para fazerem novos projectos connosco", acrescentou.

A próxima Assembleia-Geral para tentar eleger corpos gerentes vai realizar-se após o término do ano fiscal da ACAPO, em Setembro, altura em que, caso ninguém queira tomar as rédeas da organização, é possível que se fechem as portas.

No entanto, Kátia Caramujo afirma que em princípio esta comissão irá tentar manter viva a organização, nem que seja com a realização das comemorações num formato minimizado.


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