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Davenport:

Fórum de Segurança informa moradores e fomenta diálogo com a polícia

Por João Vicente
Sol Português

O vereador César Palácio, que representa o distrito 17-Davenport na Câmara Municipal de Toronto, organizou na pretérita quinta-feira (12) mais um fórum sobre a temática da segurança com a participação do chefe da Polícia, Mark Saunders, bem como de responsáveis das esquadras locais.

O encontro decorreu no Centro Comunitário Joseph J. Piccininni e teve por objectivo informar o público e estimular o diálogo sobre questões relacionadas com a criminalidade e segurança nesta zona da cidade, onde reside também um dos principais núcleos da comunidade portuguesa.

A responsabilidade pelo policiamento local é repartida por três esquadras, com a 13 encarregada do maior quinhão – uma área que representa cerca de 75 a 80% do bairro – enquanto as esquadras 11 e 12 zelam por duas porções menores, na periferia.

Os respectivos comandantes – Heinz Kuck (esquadra 11), Ron Taverner (12) e Shaun Narine (13) – compuseram o painel de convidados, além do chefe Mark Saunders, e após a apresentação inicial foram partilhados alguns dos principais indicadores estatísticos da criminalidade local, seguindo-se uma sessão de perguntas e respostas – num processo que durou cerca de duas horas e registou bastante participação da parte do público.

Foram abordados vários índices de criminalidade, desde os homicídios (praticamente inexistentes) ao furto automóvel, assaltos, invasões domiciliares e outros, apresentados pelos analistas de crime de cada uma das esquadras, mas o que mais se destacou foi o facto de que praticamente todos os indicadores da esquadra 13 mostravam um aumento, enquanto nas 11 e 12 se verificou o contrário.

Exemplo notável disso foi a categoria de Agressão Sexual, que na esquadra 13 registou um aumento de 100% no número de casos em relação a igual período do ano passado (Janeiro a Março), com 18 ocorrências no primeiro trimestre deste ano e nove em 2017, ao passo que nas esquadras 11 e 12 se registaram diminuições de 27% e 100%, respectivamente.

Também os crimes de Agressão Física registaram um aumento nas áreas à responsabilidade das esquadras 11 e 13, de 7% e 18%, respectivamente, mas na esquadra 12 houve uma diminuição de 60%.

Foram bastantes as preocupações que o público partilhou com a chefia da polícia, incluindo a necessidade de despoletar situações tensas sem recorrer ao uso de força, bem como questões relacionadas com o uso de perfis raciais, havendo ainda quem indagasse acerca do nível de preparação da polícia para lidar com a legalização do uso de canábis na sociedade em geral e a detecção do uso de esteróides anabolizantes.

Apesar disso, todos receberam resposta às suas perguntas, fosse do chefe da Polícia e dos comandantes, fosse de agentes especializados, ou até do próprio vereador César Palacio que fez questão de referir que após a sessão dedicada a assuntos policiais estaria disponível para responder a questões do foro autárquico.

Num comentário a algumas das questões que ali foram colocadas, o chefe Mark Saunders lamentou que alguns casos excepcionais de interacção negativa com a Polícia recebam tanta notoriedade junto do público, quando diariamente se registam "milhares de interacções positivas" que não recebem o mesmo tipo de escrutínio ou divulgação.

O responsável pelos serviços policiais referiu-se ainda a comentários de que a Polícia de Toronto talvez precise de mais ou melhor treino e formação, esclarecendo que este é um dos departamentos da Polícia mais bem treinados, servindo amiúde de exemplo e modelo para o treino de outros departamentos, de outras jurisdições.

Além de exemplos pontuais, como o assalto a uma sucursal bancária, um surto no número de veículos de marca Toyota roubados através do uso de uma chave-mestra – de que resultou entretanto a detenção de uma pessoa e a subsequente recuperação de quase metade dos 50 carros roubados, muitos deles destinados a Montreal – foi abordada também a questão das invasões domiciliares, no sentido de saber como prevenir este tipo de ocorrências e obter informações sobre as investigações em curso.

O comandante Heinz Kuck respondeu que no caso da sua esquadra as vítimas recebem uma carta no período de 30 dias úteis após a ocorrência, que inclui informações sobre os serviços disponíveis, incluindo o contacto do agente de prevenção do crime que pode visitar a casa ou empresa em questão para analisar e recomendar medidas que possam prevenir outra ocorrência, sendo que disponibilizam também um pacote com informação variada que visa a prevenção deste tipo de crime.

A seu ver, tem de haver uma confluência de factores para que ocorra um crime: um criminoso motivado, um objectivo acessível e falta de cuidado por parte da vítima.

A Polícia tenta dissuadir os criminosos com a sua presença, patrulhando a área, ao mesmo tempo que faz recomendações para melhorar a segurança e procura manter os moradores e as empresas informadas sobre as medidas que devem tomar para se proteger.

Entretanto, e dado que desde 1 de Março as vendas de porta-a-porta passaram a ser ilegais, houve quem pedisse uma acção de informação especificamente destinada aos idosos, que poderão não ter conhecimento disso, ao que o vereador César Palacio informou que vai realizar-se uma campanha nesse sentido, assim como da unidade de crimes financeiros da Polícia, em parceria com uma universidade.

A finalizar, César Palacio agradeceu a todos os intervenientes e ao público, exortando a comunidade a comunicar activamente com a Polícia, ajudando as autoridades no cumprimento das suas funções e mantendo-se participativa nas reuniões mensais que se realizam entre cidadãos, voluntários e representantes da Polícia.

Conforme destacou, a comunicação de situações de que tenham conhecimento mas que não sejam urgentes devem ser feitas pelo telefone 416 808-2222, sendo o 911 reservado apenas para situações de emergência.


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