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"Aprendi muito com esta pandemia",
diz empresário Carlos Martins

Proprietário da conhecida Churrasqueira Martins
explica que o estabelecimento está agora mais
resiliente e preparado para o período pós-Covid

Por Luís Aparício

Sol Português

Proprietário de uma das casas de restauração de renome em Toronto, o empresário português Carlos Martins, no Canadá desde 1987, não esconde que a pandemia de Covid-19 foi e continua a ser um enorme desafio.

Na linha temporal, há um antes para a Churrasqueira Martins, em que "não faltava nada, tinha o meu grupo, estava tudo óptimo", como afirma o empresário; e um depois, em "que tive que aprender a lidar com a pandemia".

Orgulha-se de que embora o restaurante estivesse fechado, "não mandei quase ninguém para casa, só as pessoas que quiseram ir", e conseguiu manter "o pessoal todo aí, a trabalhar com o serviço de takeout".

Foi um período custoso e de muito stress, como admite, principalmente porque perdeu festas importantes como o Natal, a Páscoa e o dia da Mãe, além de comunhões e outras mais que eram sinónimo de casa cheia e um importante encaixe financeiro.

Durante o período mais difícil, chegou a candidatar a empresa aos apoios disponibilizados pelo governo federal para as entidades patronais, uma importante ajuda, principalmente no primeiro ano, para aliviar um pouco a folha de pagamentos e ajudar com o pagamento da renda.

Mas se concorda, até certo ponto, que o governo esteve bem a ajudar as empresas, o empresário deixa alguns reparos ao prolongamento dos subsídios às pessoas, algo que considera estar a ter um efeito negativo na saúde mental e a prejudicar a contratação de pessoal para o sector de restauração e hotelaria.

"Estar a pagar para as pessoas estarem em casa e os negócios estarem a precisar de pessoal e as pessoas não aparecerem porque o governo lhes está a pagar, aí eu não concordo", refere peremptório.

Segundo ele, a situação está a prejudicar mais as pessoas do que a ajudá-las "porque essas pessoas não pensam no dia de amanhã" e, como alerta: "o que o governo está hoje a dar-lhes, amanhã vão ter de devolver".

A precisar de mais alguns empregados, principalmente para a cozinha, Carlos Martins é também de opinião que o governo canadiano deveria olhar mais pelas pequenas empresas e deixá-las contratar trabalhadores vindos de fora do país, quando o mercado de trabalho interno não tem capacidade para colmatar a falta de mão de obra qualificada em determinadas áreas profissionais.

Receio de novo confinamento

Embora o Ontário esteja actualmente na terceira fase do plano de desconfinamento e de reabertura da economia, os casos de Covid-19 têm vindo a subir nas últimas semanas, muito por força da prevalência da variante Delta, altamente contagiosa.

Com toda a sua equipa completamente imunizada, Carlos Martins sabe que está a cumprir com as regras de saúde impostas pela província e a contribuir para o sucesso do plano de vacinação em curso, mas não esconde que teme um novo confinamento e mais encerramentos provocados por uma quarta vaga do coronavírus.

"Claro que tenho receio, isto não está nas mãos do governo, está na mão das pessoas, entre serem vacinadas e não serem vacinadas", aponta, dizendo-se a favor da vacina e da ciência.

Atento ao processo de imunização – ele próprio chegou a promover duas clínicas de vacinação no seu estabelecimento – Carlos Martins considera que o Canadá está actualmente a fazer um bom trabalho: "Começámos mal, mas agora acho que estamos muito bem", refere.

Questionado sobre as lições que todos podemos aprender com a pandemia, o empresário é taxativo: "Aprendi muito com esta pandemia, e tive que aprender porque senão teria morrido" já que como confessa: "se eu não aprendesse a lidar com isto, o meu coração não resistia!"

Mas se teve que aprender a lidar com o stress e a lidar com o que Deus nos deu, o empresário lamenta que muita gente não tenha aprendido nada com esta pandemia e continue a ter uma atitude arrogante e por vezes de desrespeito pelas pessoas que trabalham.

Concentrado em orientar a casa e "pôr isto a trabalhar como deve ser", Carlos Martins deixa uma palavra final de agradecimento a toda a comunidade portuguesa e a comunidade de Toronto, em geral, pelo apoio que lhe tem sido dado ao longo dos 12 anos de existência daquele espaço de restauração.

"Muitos clientes têm apoiado esta casa, agradeço-lhes do fundo do coração, porque sem eles a Churrasqueira Martins não existia".

Em considerações finais, apela para que haja um último esforço das pessoas para se vacinarem contra a Covid-19, para o seu próprio bem, e para a segurança e bem-estar dos familiares e amigos, como destaca.


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