CANADÁ EM FOCO


Emissões de gás metano por produtores de petróleo são o dobro do que se calculava, segundo novo estudo

Um novo estudo levado a cabo pelo Departamento do Ambiente do Canadá indica que as emissões de gás metano pelas companhias petrolíferas que exploram as areias betumi-nosas do Canadá são quase duas vezes superiores ao que se pensava anteriormente.

Esta revelação poderá vir a complicar as tentativas de reduzir as emissões de gases de estufa nos próximos cinco anos para metade do valor actual, considera o grupo ambien-talista Environmen-tal Defense.

"Esse objectivo não vai ser atingido a menos que os regulamentos sejam significativamente fortalecidos", afirma Dale Marshall, da Environmen-tal Defense.

O metano – considerado um potente gás responsável pelo efeito de estufa – é emitido pelo equipamento (bombas, oleodutos, gasodutos e válvulas) que é usado para extrair e transportar o petróleo e o gás durante as actividades diárias normais e os seus efeitos nas alterações climáticas são cerca de 30 vezes mais intensos do que o dióxido de carbono.

Por esse motivo, tanto a indústria como o governo têm vindo a trabalhar no sentido de conter essas emissões, embora a quantidade de gás que é emitido desta forma tenha até aqui sido alvo de controvérsia.

As estimativas actuais baseiam-se na diferença entre a quantidade de metano que entra no equipamento e a quantidade que resta à saída, mas a pesquisa levada a cabo pelos cientistas do Departamento do Ambiente do Canadá e publicada recentemente no Jornal de Ciência e Tecnologia do Ambiente procurou analisar as quantidades de metano na atmosfera.

Segundo as medições, colhidas em quatro locais diferentes nas províncias de Alberta e Saskatchewan ao longo de oito anos, a previsão anterior de 1,6 mil toneladas surge como uma subestimativa uma vez que as actuais indicam três milhares de toneladas.

"É uma disparidade muito grande", diz o principal responsável pela pesquisa, Doug Worthy, que destaca ser "quase o dobro".

O estudo não aborda especificamente a origem deste metano que não estava a ser contabilizado, mas Doug Worthy considera provável que haja uma ampla gama de fontes e valores.

"Pode haver emissões conhecidas e não declaradas, ou emissões que (a indústria) não é obrigada a declarar", explica o cientista, que acrescenta que "as fontes de metano em torno dos tanques de armazena-mento de petróleo, por exemplo, são subestimadas e podem ser significativas".

A indústria acolheu de bom grado os resultados do estudo pois segundo Jay Averill, da Associação Canadiana de Produtores de Petróleo, o sector "está a trabalhar em estreita colaboração com o governo e os reguladores para continuar a desenvolver um conhecimento mais detalhado das emissões de metano e da sua gestão eficiente".

Como refere, "quanto mais se souber sobre as fontes de emissões de metano, melhor se poderá encontrar formas de as atacar e reduzir".

Para Dale Marshall, as conclusões deste estudo são mais uma prova de que os objectivos previstos nos acordos estabelecidos entre o Departamento do Ambiente do Canadá e as províncias de Alberta e Saskatchewan, segundo os quais as emissões provinciais de metano atingiriam as reduções projectadas por Otava, não serão atingidos.

Segundo ele, os regulamentos federais exigem mais inspecções, fiscalização e reparações de equipamento e é isso que permite detectar mais fugas de gás, ao contrário dos regulamentos provinciais.

Embora Dale Marshall seja da opinião que esta pesquisa veio confirmar um estudo federal que concluiu que o Canadá só conseguirá dois terços da redução de emissões a que se propôs, a porta-voz do ministro do Ambiente afirma que o governo continua empenhado em atingir essa meta pois, "a redução das emissões de metano é uma das formas mais económicas de reduzir a emissão de gases de efeito de estufa no país".

Segundo aquela porta-voz, Otava vai continuar a trabalhar com os seus parceiros da indústria, das províncias e da sociedade civil para monitorizar e rever a eficácia dos regulamentos federais e vai tentar apurar os dados obtidos neste estudo para determinar com mais exactidão as fontes das emissões e emitir um novo relatório no fim do ano que vem.


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