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Jovens sem abrigo beneficiam de angariação de fundos para a Covenant House

Por João Vicente
Sol Português

O recém-criado Comité de Amigos da Covenant House realizou na passada sexta-feira (13) a sua primeira acção de angariação de fundos a favor desta organização beneficente que se dedica a auxiliar jovens sem abrigo.

A iniciativa partiu do empresário Victor Tavares e contou com a colaboração do sindicato LIUNA Local 183 que cedeu o seu salão de festas e contribuiu com 10 por cento dos 100.000 dólares que se pretenderam angariar nesta campanha.

Actualmente reformado, Victor Tavares conta-nos que há já vários anos que contribuía com donativos para ajudar a Covenant House depois de ter tido conhecimento do trabalho que esta organização realiza em prol dos jovens desfavorecidos da cidade.

Foi algo que chegou à sua atenção através da acção de Brent Chapman, um empresário que todos os anos dorme uma noite na rua em condições semelhantes aos sem-abrigo para chamar a atenção para o problema e angariar fundos para esta causa.

Sabia assim que estava a contribuir para uma boa causa, mas não sabia ao certo para onde ia o dinheiro, algo que se tornou aparente depois de ter visitado as instalações da Covenant House

Conforme relata, "logo ali surgiu a ideia" para a realização deste evento, que viria a materializar-se com a ajuda de um grupo que se constituiu e que do qual fazem parte também Carlos Botelho, Luís Câmara, Brent Chapman, Bernardino Ferreira, Jack Oliveira, Carlos Teixeira e Wilson Teixeira.

"Não podemos esconder que na nossa comunidade [...] temos os nossos próprios problemas e a Covenant House é uma organização que achamos que merece todo o mérito", afirma este último, destacando que o dinheiro angariado será entregue à organização "para aplicar como melhor achar".

Ainda assim, esta organização luso-canadiana gostaria que fosse empregue em melhoramentos nas instalações da Covenant House, situada ao 20 da Gerrard Street, pois, como explica Wilson Teixeira, "têm uma grande instituição na cidade de Toronto que precisa de melhoramentos constantes em termos de pintura e construção".

Contudo, a organização tem outras necessidades básicas que é necessário assegurar de forma consistente e contínua, nomeadamente alimentar e alojar os cerca de 250 jovens que diariamente procuram os seus serviços, como nos explica a sua directora de comunicações, Josie do Rego.

"Ao prestar essas necessidades básicas, a organização permite que os jovens se concentrem mais no seu futuro", destaca, adiantado que "quando descobri que a comunidade portuguesa se queria unir em prol dos jovens da Covenant House, senti-me muito orgulhosa porque a minha ascendência é portuguesa e queria muito estar aqui para celebrar com todos este feito fantástico".

Josie do Rego esclarece que não existem números que permitam quantificar os jovens da comunidade portuguesa que são auxiliados por esta instituição, mas face à noção de que o choque de culturas acentua o choque de gerações entre pais imigrantes e os filhos criados no país de acolhimento, haverá certamente jovens de origem lusa que acabam a viver na rua – seja por abandonarem voluntariamente a casa dos pais ou porque estes os expulsaram.

Entretanto, outro factor que complica a situação para os jovens no Ontário é a idade em que oficialmente se podem declarar independentes e que nesta província é aos 16 anos, algo que noutras jurisdições só acontece aos 18 anos.

Este facto faz alguma diferença no número de jovens sem abrigo, explica a directora de comunicações, salientando que o governo e outras agências que estudam o efeito de uma mudança na lei actual consultaram a Covenant House para aproveitarem a sua experiência e conhecimentos nesta área.

Há vários anos que a sindical Local 183 tem vindo a ajudar a obra desta organização e esta colaboração com o CACH foi mais um apoio pelo qual Bruce Rivers, director executivo da Covenant House, expressou o seu agradecimento.

O dirigente elogiou também uma outra luso-canadiana, a vereadora e recentemente nomeada vice-presidente da Câmara de Toronto, Ana Bailão, cuja ajuda destacou como "crucial" na abertura no ano passado de um programa destinado a ajudar raparigas vítimas de tráfico sexual.

Entretanto, a propósito da contribuição dada pela "183" a esta instituição de caridade, Carlos Botelho destaca que quando o CACH avançou com a ideia para esta angariação de fundos, propôs ao sindicato que disponibilizasse algumas vagas no seu Centro de Formação Profissional para jovens da Covenant House que queiram aprender ofícios relacionados com o sector da construção civil e que a resposta foi um imediato "sim".

Esta, considerou, é uma mais valia tanto para a organização de caridade como para os jovens que procuram recompor as suas vidas e mais uma ajuda prestada pelo sindicato, que foi também instrumental na venda de bilhetes e mesas para este evento.

Já quase no final da noite, o administrador da "183", Jack Oliveira, subiu ao palco para anunciar um apoio adicional: o sindicato deliberou contribuir com 10.000 dólares para esta causa.

Dado o objectivo da organização, que era angariar 100.000 dólares, com a generosa oferta da "183", um total de 86 mesas vendidas, dezenas de peças arrematadas no decorrer de um leilão silencioso e uma percentagem do lucro dos artigos colocados à venda no vestíbulo do salão, tudo indica que essa meta tenha sido atingida, senão mesmo ultrapassada.

Os responsáveis dizem-nos que ainda não há planos concretos para o ano que vem, mas existe a vontade da parte do comité organizador de dar continuidade a este projecto, podendo os fundos angariados reverter para esta ou para outra causa merecedora.


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