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Na Casa do Alentejo de Toronto:

Comunidade portuguesa celebrou nomeação de Ana Bailão para vice-presidente da Câmara

Por António Perinú e Fátima Martins
Sol Português

A nomeação da vereadora Ana Bailão para vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto foi sexta-feira (13) celebrada na Casa do Alentejo de Toronto a nível comunitário, uma semana depois do anúncio oficial da sua indigitação para o cargo.

A comemoração foi organizada por uma comissão de apoiantes da política luso-canadiana e reuniu cerca de quatro centenas de pessoas no salão nobre desta colectividade.

Ao evento não faltou o presidente da autarquia, John Tory, entre outras entidades dos sectores político, laboral e empresarial, e reflectidas também na comissão organizadora, composta por Lena Barreto, Luís Câmara, Manuel da Costa, Jack Oliveira, Paula Oliveira e Jack Prazeres.

Unidos pela amizade e simpatia que nutrem pela representante do distrito de Davenport na Assembleia Municipal, vários dos participantes viriam a discursar destacando as qualidades que lhe reconhecem e que consideram terem-na levado a atingir este novo patamar na sua carreira.

O encontro, que teve apresentação de Lena Barreto e Jack Prazeres, foi assistido, entre outros, pelos deputados luso-canadianos Peter Fonseca (federal) e Cristina Martins (provincial).

Outro sector com representação particularmente forte foi o laboral, destacando-se o administrador da LIUNA Local 183, Jack Oliveira, e vários elementos do seu Executivo – incluindo Luís Câmara, Bernardino Ferreira, Nelson Melo, Marcello Di Giovanni e Jaime Cortez – o administrador da filial irmã, "506", Carmen Principato, e um dos dirigentes luso-canadianos, Jack Eustáquio, assim como o próprio vice-presidente da LIUNA, Joseph Mancinelli, que seria um dos oradores nessa noite.

Seria precisamente o administrador da "183" e do Conselho Distrital da LIUNA no Ontário (OPDC, na sigla em inglês), Jack Oliveira, o primeiro convidado a discursar dizendo fazê-lo em nome dos mais de 50.000 sócios do sindicato no activo e dos reformados ao elogiar as capacidades e o dinamismo da jovem política.

Seguiu-se Joseph Mancinelli, que apesar de não ser de origem portuguesa acompanha de perto o crescimento da comunidade lusitana e que teceu rasgados elogios ao desempenho de Ana Bailão no cargo de vereadora e em todas as suas actividades que, como disse, lhe mereceram agora este reconhecimento por parte de John Tory.

Seria ele próprio a apresentar o autarca, a quem elogiou pela sua visão para criar uma cidade melhor considerando que dela faz parte também esta nomeação da vereadora luso-canadiana e responsável pela Comissão Municipal de Habitação Social.

John Tory fez uma resenha dos atributos que o levaram a considerar Ana Bailão para a vice-presidência da Câmara adiantando tratar-se de "uma pessoa que tem talento, é dedicada, trabalhadora e se interessa pelas pessoas, e tem capacidade e valor", qualidades que considera necessárias para representar o município.

"Esta é uma das melhores cidades do mundo para viver e a Ana tem a capacidade para dar continuidade" ao projecto que iniciou, concluindo em português com um forte "Viva a vice-presidente Ana Bailão".

As últimas palavras caberiam à homenageada, que escolheu concentrar-se sobretudo nos agradecimentos: à Casa do Alentejo, pela cedência do Salão Nobre, à comissão organizadora dessa noite, aos seus colaboradores, aos que voluntariamente – particularmente na alturas das campanhas – estão ao seu lado, aos familiares, aos amigos e a toda a comunidade.

Tal como diria mais tarde, em declarações ao jornal Sol Português, "nunca pensei chegar a este momento de ser vice-presidente e quero agradecer ao nosso líder, o presidente John Tory", lembrando que "muito do que sei aprendi com a comunidade e isto é o reconhecimento do meu trabalho".

Por isso garantiu: "nunca me vou esquecer de onde vim e estou aqui para agradecer a todos pelo carinho que me deram ao longo dos tempos; aprendi com todos vocês das mais variadas formas e por isso sou a pessoa que sou hoje", deixando "a todos a minha gratidão", concluiu.

No final a luso-canadiana entregou a John Tory uma camisola da selecção portuguesa, personalizada com o nome do autarca.

Entretanto, tivemos oportunidade de trocar impressões com a vereadora que candidamente nos disse sentir-se "lisonjeada, obviamente", por uma nomeação que é inédita no Canadá e na América do Norte, mas que considerou "um reconhecimento" do que tem vindo a fazer e da sua "ética de trabalho".

Ainda assim, é algo que nunca pensou pudesse vir a acontecer.

"Obviamente, uma pessoa reflecte nestas ocasiões. No meu caso, se alguém me dissesse quando eu cheguei a este país que isto ia acontecer, eu dizia que isso era impossível", acrescentando que isso só "demonstra que felizmente viemos para um país onde estas coisas são alcançáveis por qualquer um de nós".

Considera que tudo vem do seu colectivo de experiências e que essas passam maioritariamente pela comunidade portuguesa, onde chegou em 1991, com 15 anos de idade, e onde desenvolveu toda uma gama de actividades, incluindo como cronista do jornal Sol Português, fundadora da Luso-Can Tuna – a única tuna portuguesa na diáspora e que perdura ainda, duas décadas depois – e presidente da Federação de Empresários e Profissionais Luso-Canadianos (FPCBP, na sigla em inglês).

Nesse entremeio chegou a passar algum tempo em Portugal, ao serviço da Embaixada do Canadá em Lisboa, antes de regressar a Toronto onde a política viria eventualmente a cativar a sua atenção.

Durante cinco anos "estive a trabalhar com o Mário Silva, quando era vereador da cidade de Toronto – aliás, na altura em que trabalhei para o Sol. Pouco tempo depois fui também presidente da Associação de Estudantes de Universidade de Toronto, fui presidente do Working Women Community Centre (…) tudo coisas que muito me orgulharam fazer. Estive também no banco, na altura era o Milénio BCP, depois comprado pelo BMO [Banco de Montreal] e estive lá bastantes anos".

É todo este conjunto de experiências que a levam a afirmar a sua apreciação pelo que aprendeu no seio da comunidade portuguesa.

"Sinto-me e fico contente por poder comemorar hoje a minha nomeação como vice-presidente da Câmara Municipal de Toronto com a minha comunidade" porque "eu sinto sinceramente que sou fruto desta comunidade"

"Eu cresci no meio da comunidade, no meio do associativismo, no meio da comunicação social, cresci no meio disto e o que eu aprendi do envolvimento comunitário e de organização foi o que esta comunidade me ensinou, e portanto eu sinto – e espero que a comunidade também sinta – que isto é uma vitória para ela, porque foi a comunidade que me transmitiu as características que eu tenho hoje", destacou.

Essa capacidade "foi-me atribuída pelas organizações que nós temos, e eu também gostava que eles sentissem que isto também é deles. É o trabalho de inúmeros voluntários na nossa comunidade, na nossa comunicação social para manter a nossa língua, [apresentar] assuntos importantes e manter a comunidade informada".

Quanto ao futuro? "Só Deus sabe", responde com uma gargalhada.

"As oportunidades surgindo, eu tenho-as agarrado", responde pragmática. "E quando agarro é porque sei que vou fazer um bom trabalho e empenho-me a 100 por cento".

Agora "há certas pastas que são importantes e eu quero fazer uma diferença na cidade de Toronto (…) seja em termos de transportes, habitação", mesmo reconhecendo que "por vezes é frustrante" não poder concretizar tudo o que se idealiza, mas ainda assim, "fazer esses melhoramentos são coisas que me movem e fazem com que eu trabalhe cada vez mais".

Quanto a uma hipotética corrida à presidência da Câmara, "se essa oportunidade me surgir só o tempo o dirá, embora também dependa das condições de vida que nós tenhamos em termos familiares e outras", responde.

"Mas concorrer a presidente da Câmara de Toronto não é uma tarefa fácil e só se consegue com o grande apoio de muitos voluntários e de uma grande comunidade".

"Se essa oportunidade surgir", garante, "será esta a primeira comunidade a que venho bater à porta, para saber se está comigo ou não".


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