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Vigília amanhã em memória das vítimas de Pedrógão Grande e dos incêndios que lavram em Portugal

A Associação de Vitimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG) lançou esta semana um convite para que os portugueses, em qualquer parte do mundo, se juntem a eles amanhã, sábado (21), numa vigília em memória dos que pereceram vitimas dos incêndios em Portugal.

Até à data já morreram mais de 40 pessoas, o que totaliza mais de 100 mortes, juntamente com a tragédia de Pedrógão Grande, e a inimaginável destruição atinge valores incalculáveis, em termos materiais e humanos.

A emissora CHIN tem estado a divulgar a iniciativa, que terá lugar às 13h00 (18h00, em Portugal) e para a qual o público é convidado a participar, podendo fazê-lo em suas próprias casas, nas igrejas ou qualquer local onde o espírito os mova.

Ana Costa, da AVIPG, enviou o apelo para quem desejar acompanhá-los nesta vigília numa missiva que a seguir transcrevemos.

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Sábado, 17-6-2017 – 64 mortos + 3 mortos;

Domingo, 15-10-2017 – 37 mortos + 4 mortos;

Um país que fecha ao final de semana, mas que não vai de férias.

Um país sem foco, sem razão e que não nos faz rir.

Um país que nada faz quando engolido por chamas.

Um país de percas, que perde o passado e o futuro e perde também o presente, este presente que nos foi dado e que tem nome. Chama-se terra. Chama-se árvores. Chama-se animais, e depois de muitos outros nomes maravilhosos, chama-se Pessoas, chama-se Vida.

Um país que perdeu risos, que perdeu amor, que perdeu confidências, que perdeu colo.

Um país que perdeu paz. Um país que já não é seguro…

Um país onde um perdeu o outro, e quem fica?

Ficámos nós, ficámos só nós, e queremos reunir os que ficaram, outros países amigos e que tão solidários foram, outros continentes, se conseguirmos lá chegar….

Queremos, todos juntos, fazer uma vigília, com o número de mortes sob forma de velas acesas, em homenagem às vítimas, aos nossos heróis, pela coragem e perseverança, pela determinação e pela esperança que mantiveram até perecerem, que lutaram até não conseguirem mais.

Queremos silenciar os ruídos que o fogo deixou. Queremos que, em silêncio, sejamos ouvidos, e queremos que as vozes dos grandes não nos façam perder mais tempo.

Porque, como disse o nosso respeitoso Presidente da República, não há tempo a perder.

Até porque já perdemos tempo de mais…

– Ana Catarina Costa


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