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Convívio animado e surpresas marcam 19.º aniversário da Associação dos Amigos de Rabo de Peixe do Ontário

Por João Vicente
Sol Português

Volvidos quase 20 anos desde a sua fundação, a Associação dos Amigos de Rabo de Peixe do Ontário (AARPO) celebrou no pretérito sábado (14) mais um aniversário num encontro que ficou marcado pela alegria e algumas surpresas.

A apresentação do programa das festividades esteve a cargo de Durval Ferreira, que começou por pedir um minuto de silêncio em memória de todos os rabopeixenses que faleceram desde o ano passado.

Escutaram-se de seguida os hinos de Portugal e do Canadá, interpretados por Courtney Flor, e ouviu-se ainda o hino da vila de Rabo de Peixe antes de se proceder à bênção de acção de graças.

A oração foi feita pelo padre José Cláudio Andrade Silva, que veio expressamente de Rabo de Peixe para participar neste encontro e que aproveitou a ocasião para lembrar que não se estava ali apenas para alimentar a barriga, mas também a amizade.

Por isso mesmo, o pároco dirigiu a sua bênção também àqueles que, embora longe, vivem nos corações de cada uma das pessoas ali presentes.

Um dos objectivos deste encontro anual é angariar fundos e canalizá-los para organizações beneficentes em Rabo de Peixe, onde são empregues para comprar cabazes de Natal que vão dar um pouco de alento às pessoas mais necessitadas da vila.

Graça Couto, sócia da AARPO há 11 anos, tem vindo a preencher as funções de tesoureira mas este ano assumiu a presidência depois de Artur Macedo ter indicado que não pretendia continuar no cargo.

Como nos conta, isso iria pôr fim à associação e a tudo o que ela representa e faz por quem mais necessita.

"Fico muito emocionada" com a situação dos mais carenciados, diz-nos, destacando que

ao vê-las "emocionadas e a agradecer, vejo que transformamos um bocadinho a vida delas" e isso "foi o que me fez continuar" e assumir o cargo máximo, refere.

No salão Gerry Gallagher da LIUNA Local 183, onde a festa tem decorrido nos últimos oito ou nove anos, reuniram-se nessa noite "apenas" 700 pessoas, número que ficou aquém das cerca de nove centenas que já compareceram em algumas das edições anteriores, mas que Graça Couto explica apontando para o maior número de eventos que este ano estavam a decorrer simultaneamente e que levaram o público a dispersar-se por outros salões da comunidade.

Na sala registava-se uma proporção bastante grande de crianças e jovens, dando a entender o estado salutar desta tradição, mas, como nos diz a presidente, isso "infelizmente não se reflecte na Direcção".

Talvez daí advenham alguns dos problemas de continuidade que já começam a manifestar-se, à medida em que os mais velhos se vão saturando e pedindo alívio dos cargos, como fez Artur Macedo que exerceu a presidência durante seis anos e é agora o tesoureiro.

Junto ao bar era possível apreciar uma exposição de fotografias de Rabo de Peixe, históricas e actuais, da responsabilidade de Jaime Machado, que passou 25 anos sem visitar a sua terra natal.

Com esta mostra pretendeu "dar um pouco de brilho" à vila onde nasceu mas também dá-la a conhecer tal como ela é hoje em dia, porque, como destacou à nossa reportagem, há mais pessoas que como ele desconheciam a evolução que se tem registado em Rabo de Peixe.

"A gente toma uma vida nova, o nosso coração fica cheio [e] vimos a compreender que a vila em que nascemos não é a vila de hoje" diz-nos com saudade na voz.

Jaime Machado esteve um quarto de século sem voltar a Rabo de Peixe, mas desde então já lá levou os filhos e passou a visitar a vila anualmente, por vezes até mais do que uma vez por ano, e faz questão de mostrar como ela é hoje em dia na esperança de convencer outras pessoas a não se afastarem por tanto tempo.

Como salientou, as fotos estavam à venda e o dinheiro angariado seria entregue ao padre José Cláudio Silva, "para rezar uma missa pelos emigrantes do Canadá, da América e do mundo".

Presentes neste encontro estiveram o presidente da Casa das Beiras, Bernardino Nascimento, o vereador da Câmara Municipal Brampton, Martin Medeiros, e comitivas representativas das Associações de Amigos de Rabo de peixe de Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, e de Montreal, que foram reconhecidas nas pessoas dos respectivos presidentes, Nick Flor e Diane Borges.

Recorde-se que a AARPO realiza algumas das suas actividades, bem como as reuniões do Executivo, na Casa das Beiras de Toronto, uma parceria que já existe há alguns anos e é de tal forma sólida que Bernardino Nascimento considera que a organização rabopeixense faz parte da colectividade beirã pois, como salienta, "às diferenças culturais e regionais sobrepõe-se uma profunda camaradagem".

Várias "sereias" viriam a ser reconhecidas ao longo da noite pelo seu trabalho e dedicação, uma delas com o título de Rabopeixense do ano de 2017, que foi concedido à funcionária consular e presidente do PSD de Toronto, Paula Medeiros – distinção que dedicou ao pai, José Medeiros, ali presente.

Após toda a direcção da AARPO ter sido reconhecida, assim como os patrocinadores, incluindo o jornal Sol Português, foi altura de começar o espectáculo e a banda Unique Touch não perdeu tempo a transmitir alegria a todos aqueles corações e a encher a pista de dança.

A surpresa maior viria depois, quando o marido da presidente, Leonardo Couto, presenteou a esposa com um ramo de rosas e a serenou ao som do tema de Nilton César, "Receba as flores que lhe dou".

Tal foi a recepção que até teve direito a bis, escolhendo terminar com "Canoas do Tejo".

Lídia Sousa deu continuidade ao espectáculo com temas animados do cancioneiro popular e fez ainda um dueto com o padre José Cláudio na interpretação do tema "Segura na mão de Deus".

Mas haveria ainda mais uma surpresa essa noite na voz de Rosa Maria, que aqui se deslocou vinda dos EUA com o grupo de Nova Inglaterra e que interpretou alguns temas para divertimento de todos.

Antes dos Unique Touch voltarem a animar o serão, que se prolongou noite dentro, o bailinho tradicional tomou conta da pista de dança com várias dezenas de pessoas a participarem nesta divertida recriação de uma tradição regional, circulando numa grande roda em redor dos músicos.


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