1ª PÁGINA


Exibição de Danças Pascais no Centro Cultural Português de Mississauga

Por Noémia Gomes
Sol Português

O Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) abriu as portas no passado domingo (16) para um almoço convívio e apresentação das tradicionais danças pascais, espectáculos inspirados pelas danças carnavalescas e que na Páscoa constituem uma importante forma de entretenimento na cultura popular terceirense.

Volvido o luto quaresmal, a repetição dos folguedos carnavalescos no domingo de Páscoa equivale à melhor forma de expressar alegria, sendo as danças propositadamente ensaiadas para reflectir o espírito da época.

Geralmente apresentam temas em que sobressaem os dramas e a vida familiar, mas também, e em tom jocoso, abordam o quotidiano, que surge geralmente nos bailinhos como uma derivação mais ligeira da dança de espada ou pandeiro.

No domingo, após o almoço e com o salão do CCPM repleto, coube ao presidente do Executivo, Tony Sousa, apresentar a primeira dança que ali viria a actuar nessa tarde, uma peça criada pela "prata da casa" e que se intitulava, muito apropriadamente, "Bailinho de Mississauga".

Com enredo escrito por Rui Garcia e puxada pelo jovem de 12 anos Nicholas Mendes, a dança foi ensaiada por Rogério Mendes, com música do próprio grupo, que apresentou uma comédia em que o tema era a caça aos patos.

Já que se "encontravam" na Terceira, também se cantaram "as velhas" – cantigas de escárnio e maldizer populares – lindamente interpretadas por adultos e por dois pequenitos de sete e oito anos, o que no final motivou Tony Sousa a pedir uma grande salva de palmas para a juventude que está envolvida nestas tradições.

A segunda dança, também do CCPM, foi uma peça clássica de espada, ensaiada por Gil Costa, com o título de "Vidas amarguradas".

Liderada por Brian Brasil, escrita por João Mendonça e com coreografia e guarda-roupa de Kayla Toste, este drama relatou a vida de uma família com uma filha doente que luta pelo direito de morrer.

Só que a jovem acaba por se salvar graças à doação dos órgãos da irmã, que entretanto morre num acidente – um drama apropriado a este estilo de dança de espada e que a muitos emocionou.

A seguinte dança de varinha veio do Graciosa Community Centre e apresentou como título "O que será o futuro".

Liderada pelas mestras Alisha Melo, Chantel Costa, Jessica e Olívia da Silva, com letra de João Mendonça e música de Brian Pacheco, o enredo revolveu em torno de uma mãe solteira que se preocupa com o filho, que quer ver casado mas que "não é muito inteligente".

Recorrem então a um vidente para desvendar o futuro, que não se apresenta muito risonho... até que começam a pagar.

Também de varinha foi a dança vinda do Bar Caloura, que contou com os mestres Mark Fernandes e José Maria, e teve música de Bruno Silva e Rúben Martins.

Intitulada "As aflições do João" foi escrita por Mark Fernandes e nela o personagem principal, João, tem problemas com a sua vida sexual e recorre à curandeira da rádio e ao padre para resolver o problema – que acaba por ser cisma, o que se revela "pior do que a doença".

Haveriam mais quatro danças nessa tarde, sendo a seguinte da autoria do grupo Amigos da Terceira, com tema e cantigas de Armindo Amarante, ensaiada por Francisco Borba e puxada por Bruno Amarante e Diogo de Sousa.

A história relatava as peripécias de um grupo de jovens que tentam organizar um baile na Igreja de Santa Helena e para o qual tinham de escolher um tema, procurando atrair gente nova e representar as freguesias da ilha Terceira.

A sexta e última dança a que assistimos era proveniente de Hilmar Vale de S. Joaquim, na Califórnia, e tratou-se de um bailinho de senhoras, liderado pela mestra Cathy Rocha e com 29 elementos, intitulado "O velho já acordou".

Foi introduzido por Fátima Maciel, que apresentou todos os intervenientes, personagens e músicos daquele grupo constituído por pais e filhas, e o enredo girou em torno de vizinhas mexeriqueiras e de um casal.

Na peça, o par tenta deixar o pai idoso em casa sozinho para ir às danças de Carnaval, mas têm que mentir ao velho e dizer-lhe que vão ao médico – só que não o conseguem enganar.

Viriam ainda a actuar mais duas danças: o Bailinho das Senhoras 2017, liderado por Luísa Fraga e filha e com o título "Com elas é que são elas", da autoria de Tiago Clara; e a dança dos Amigos das Tradições da Terceira intitulada "Gente tola e toiros, paredes bem altas", com letra de Roberto Picanço, tendo Bruno Fisher como mestre, música de Manny Ramos e ensaiada por José Ramos.

Além destas estiveram ainda presentes duas outras danças provenientes dos Estados Unidos, mas que não viriam a actuar no CCPM por não poderem esperar pela sua vez dado terem outros locais onde eram esperados.


Voltar a Sol Português