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Paróquia de Santa Helena:

Demonstração de fé à portuguesa saiu à rua em procissão de Sexta-Feira Santa

Por João Vicente
Sol Português

A procissão de Sexta-Feira Santa da paróquia de Santa Helena saiu à rua por volta das 19h00, já o sol quase se punha.

Momentos antes, enquanto no interior o serviço litúrgico chegava ao fim, Américo Rego ajudava com os últimos preparativos à porta da igreja, distribuindo longos coletes vermelhos

aos acólitos que viriam a acompanhar e ajudar a levar os estandartes e imagens da procissão, enquanto na cave a esposa, Aldina da Rosa, entregava os últimos trajos e punha os retoques finais no elenco que dali a pouco iria desfilar pelas ruas circundantes.

Há quatro anos que esta portuguesa organiza a procissão de Sexta-Feira Santa de Santa Helena com a ajuda do marido e esta foi a última que o fez nesta paróquia uma vez que em Junho o casal pretende regressar de vez aos Açores.

Quando era pequena a mãe vestia-a de anjo para participar na procissão, o que lhe dava grande alegria. É essa memória que diz guardar no coração e que revive sempre que vê as crianças que agora ajuda a desfilarem no cortejo pascal.

Para ela, o significado da procissão de Sexta-Feira Santa é "amor, paz" e a mensagem de que "Cristo morreu por nós", que tão profundamente marca a religião cristã.

"Hoje é a procissão do Senhor Morto, chama-se lá nos Açores o enterro do Senhor", destaca por seu turno Américo Rego, indicando que "este evento é o ponto maior da nossa religião católica" uma vez que "nessa altura Cristo faleceu e ao cabo ressuscitou".

Estávamos a poucos minutos das 19h00, com a cave cheia de pastores, anjos e afins, e tudo a postos, pelo que não tardou a começar o desfile, acompanhado pela Banda do Sagrado Coração de Jesus, que está sedeada na paróquia.

Podendo não ter a dimensão ou ostentação das procissões de outras paróquias, o cortejo religioso da igreja de Santa Helena é uma cerimónia bonita e prima pela fé, pela solenidade e dignidade que a ocasião exige e merece.

Após a passagem do estandarte, que era transportado por quatro ajudantes, seguia um grupo de romeiros que entoavam preces e cânticos, numa representação das peregrinações que efectuam aos Açores e durante as quais percorrem a pé a ilha de São Miguel.

Surgiam depois muitas crianças com vestimentas de várias cores, quer em representação de pastores, anjos ou outras figuras religiosas.

Algumas levavam pratos com símbolos das diferentes estações da cruz – como a coroa de espinhos ou os pregos e o martelo da crucificação – e pelo meio seguia uma enorme cruz de madeira, carregada por um adulto.

O pároco de Santa Helena, John Cabral, caminhava acompanhado de outros párocos e logo atrás quatro acólitos carregavam a estátua do Senhor Morto, que marca o tema desta procissão.

Depois surgia a Banda do Sagrado Coração de Jesus, cujos porta-estandartes ostentavam as bandeiras do Canadá, do Ontário, dos Açores e de Portugal, assim como um pavilhão especial, representativo das comemorações dos 150 anos da nação canadiana.

Por último, seguia a multidão de paroquianos que se associaram à procissão e que faziam com que o préstito se estendesse ao longo de mais de 200 metros.

Pelo caminho, o padre John Cabral e Aldina da Rosa iam-se certificando de que tudo corria pelo melhor, fazendo pequenos ajustes quando necessário.

Desde a saída da igreja de Santa Helena até ao regresso, o cortejo percorreu mais de um quilómetro, seguindo da intersecção da Dundas e St. Clarens até à rua College, descendo depois a avenida Sheridan para voltar à Dundas e prosseguindo ao longo da mesma até ao templo.

Aldina da Rosa dizia-nos que tem notado uma maior participação nesta cerimónia nos últimos anos, especialmente da camada mais jovem, destacando que "mesmo quando pedi para levarem o Senhor, a cruz e o guião, eu pedi aos jovens e ninguém me negou".

Isso deixa-a esperan-çada quanto ao futuro uma vez que embora esta seja a última vez que organiza a procissão de Santa Helena – um processo que diz levar-lhe cerca de uma semana a preparar – o seu desejo é que a mocidade dê continuidade à tradição.


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