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Canadá/Covid-19:

Direcções escolares avaliam planos para regresso às aulas

Autoridades preparam planos de contingência para eventual ressurgimento da doença no Outono

Tal como na semana anterior, o número de casos de Covid-19 a nível mundial voltou a aumentar em 1,8 milhões, ultrapassando agora 22 milhões – 14,5 milhões dos quais (66,1 por cento) são dados como recuperados – enquanto que os óbitos, quase 40.000, elevaram o total dos casos com desfecho fatal para mais de 776.000.

No Canadá foram detectados no mesmo período mais 2.600 casos de infecção que elevaram o total para quase 124.000, sendo que cerca de 88,8 por cento, ou 110.000, são considerados já recuperados – 1,5 por cento mais do que na semana anterior – e os óbitos, que ultrapassam os 9.000, registaram um incremento marginal com mais 46 falecimentos atribuídos à doença.

As duas províncias que mais contribuíram para o total nacional, Ontário e Quebeque, continuaram a registar índices de infecção e de mortes baixos, quase sempre inferiores a 100 casos diários e por várias vez sem novos óbitos, enquanto que na Colúmbia Britânica, onde se tem vindo a registar um aumento no número de infecções entre a juventude, a tendência parece querer inverter-se.

Isto levou o actor Ryan Reynolds a responder ao apelo do primeiro-ministro daquela província no sentido de dirigir uma mensagem aos jovens, o que fez no seu característico tom humorístico pedindo-lhes para serem mais cuidadosos para não lhe matarem a mãe.

A meio da semana a região de Windsor-Essex, no Ontário, passou finalmente à terceira fase de desconfinamento, juntando-se assim ao resto da província onde o total de novas infecções diárias continuava inferior a uma centena, tal como as autoridades pretendem, e em Toronto apenas se registavam oito casos novos.

Foi neste ambiente de relativa calmaria face à pandemia que grassa pelo mundo que o governo federal anunciou mais 305 milhões de dólares para combater os efeitos da estagnação económica originada pelas medidas decretadas para conter a doença, parte dos quais fluirá através do fundo de apoio às comunidades indígenas e eleva o total atribuído este ano para 685 milhões de dólares.

Uma percentagem desta verba destina-se também a ajudar os membros das chamadas Primeiras Nações que vivem fora das reservas, bem como inuítas e métis que residem em centros urbanos.

A nível provincial, o governo do Ontário anunciou uma injecção de capital na rede de transportes públicos de Toronto na ordem dos 400 milhões de dólares, valor que representa a primeira ronda de financiamento para o designado "Recomeço Seguro" dos transportes colectivos.

Segundo o ministro das Finanças, Rod Phillips, a província previa um défice de 20,5 mil milhões em Março mas a diferença entre o que o governo gasta e o que recebe ascende já a 38,5 mil milhões de dólares, na sua maioria em consequência da luta contra a Covid-19 e a paragem económica que eliminou 1,2 milhões de empregos na província.

Em Toronto, a descoberta de um caso positivo entre as crianças que participavam no campo de férias diurno no Centro Comunitário Barbara Frum – um dos 120 que são administrados pela autarquia torontina na época estival – levou à suspensão de todos os programas ao abrigo da iniciativa CampTO para mais uma desinfecção profunda das instalações, antes de reabrirem na segunda-feira (17).

Segundo um comunicado da autarquia, a criança em questão foi mandada para casa onde permanecerá em quarentena.

No seguimento da semana e com esta a chegar ao fim, a ministra responsável pela pasta da Infra-estrutura nacional, Catherine McKenna, anunciou que o governo federal ia canalizar 31 milhões de dólares dos 170 milhões que foram dedicados à iniciativa "Desafio das Cidades Inteligentes" para ajudar as autarquias a adaptarem-se à nova realidade da pandemia.

Segundo a ministra, as verbas podem ser utilizadas de diferentes formas, desde a implementação de medidas destinadas a facilitar o distanciamento social nos parques infantis ao desenvolvimento de aplicativos para que o público possa aceder electronicamente aos serviços dos governos locais.

Por seu turno, a ministra da Agricultura, Marie-Claude Bibeau, revelou que o governo federal assinou oito acordos, no valor de 50 milhões de dólares, para ajudar a sincronizar as necessidades dos bancos alimentares e de outros grupos de caridade comunitários com os excedentes da produção alimentar nacional, para que estes não sejam desperdiçados e possam ser canalizados para quem deles necessita.

Perante a revelação de um surto infeccioso numa estância de férias em Muskoka que levou a que 11 dos 30 visitantes ficassem infectados com o vírus corona, o Dr. David Williams, director dos serviços de Saúde do Ontário, viria a alertar para o facto de que certas pessoas se começam a desleixar no cumprimento das directrizes de saúde pública, o que terá contribuído para aquele desfecho.

Entretanto, os quatro maiores sindicatos de professores no Ontário alegam que as medidas propostas pelo governo provincial para o regresso às aulas no próximo ano lectivo violam a sua própria legislação sobre a saúde e a segurança no trabalho.

No contínuo impasse e confronto entre os sindicatos de professores e o governo provincial, a província viria a anunciar que iria permitir às Direcções Escolares acederem a 500 milhões de dólares das suas próprias reservas para implementarem as necessárias medidas para garantirem o cumprimento das regras de distanciamento social.

O governo anunciou também um investimento adicional de 50 milhões de dólares na actualização dos sistemas de aquecimento e ar condicionado das escolas, e ainda 18 milhões de dólares para a contratação de mais professores para ajudarem a ministrar as aulas online.

As Direcções Escolares, porém, responderam na sexta-feira que não foram consultadas, que essas reservas já estavam orçamentadas para outras iniciativas de alta prioridade que não estão relacionadas com a pandemia e que estas não deveriam ser usadas para a tomada de medidas destinadas a reduzir o tamanho das turmas ou a contratação de mais professores.

A maior Direcção Escolar do país, que gere o sistema público de ensino em Toronto, indicou também que teria de recomeçar a planear o regresso às aulas para os alunos do primeiro ao 12.° anos de escolaridade, após a sua proposta inicial ter sido rejeitada pela província.

Por sua vez, o primeiro-ministro do Ontário, Doug Ford, acusa os sindicatos de professores de "brincarem à política" ao oporem-se aos planos do governo, na continuação de um conflito que já vem desde o início do último ano escolar, muito antes da pandemia.

Entretanto, os pais das crianças na Área da Grande Toronto reclamam da situação dizendo sentirem-se entre a espada e a parede no que toca à decisão de mandarem ou não os filhos para a escola, indicando não terem informações suficientes para escolherem criteriosamente entre as opções de ensino online ou presencial.

Tudo isto numa altura em que, a nível nacional, o próprio Primeiro-ministro Justin Trudeau admitiu não ter ainda decido se os seus filhos iriam à escola em Setembro.

Enquanto isto, no final da semana a dra. Theresa Tam, directora dos serviços de Saúde pública do Canadá, fez uma avaliação sóbria do que se perspectiva para o Outono e indicou que se prevê que venham a ocorrer surtos e aumento do número de infecções com a chegada da nova estação e a retoma da actividade económica depois de retiradas muitas das medidas de confinamento.

Por isso mesmo incentiva o público a continuar a seguir as regras de higiene e de distanciamento social, uma vez que surtos súbitos de infecção poderão vir a suplantar temporariamente a capacidade de resposta do sistema de saúde nacional – motivo porque o governo federal se está a preparar para responder à pior das hipóteses, referiu.

Para evitar o contágio por parte de viajantes vindos dos Estados Unidos, a fronteira entre os dois países tem estado encerrada desde meados de Março, excepto para a circulação de pessoas, bens e artigos considerados "essenciais", e o ministro da Segurança Pública, Bill Blair, indicou que assim irá continuar pelo menos até 21 de Setembro.

Com a maior parte dos novos casos de infecção associados a convívios em grupo, o Departamento de Saúde Pública de Toronto emitiu um aviso dirigido aos cerca de 550 clientes que se estima terem frequentado o bar de strip-tease Brass Rail, na baixa da cidade, entre 4 e 9 de Agosto, alertando-os para o facto de que poderão ter sido expostos ao vírus corona e pedindo-lhe para se auto-isolarem durante 14 dias e prestarem atenção ao desenvolvimento de eventuais sintomas da doença.

Por outro lado, no sábado (15) o mesmo departamento avisou os pais para não contarem com o encerramento de uma escola inteira caso venha a ser detectado um caso de Covid-19 entre os alunos, quando estes regressarem às aulas.

O presidente da Câmara de Toronto, John Tory, viria a anunciar que aquele Departamento de Saúde Pública vai contratar mais enfermeiras – cerca de 70, com diferentes graus de experiência – para darem apoio às escolas no sentido de darem treino e formação a funcionários e pais, e para melhor poderem rastrear eventuais surtos que possam deflagrar.

Entretanto, e num alerta para o "difícil caminho pela frente" na recuperação económica, o primeiro-ministro Doug Ford destacou que mesmo perante o crescente défice provincial o governo do Ontário está preparado para investir o que for necessário para ajudar os municípios que estão a ter dificuldade em recuperar da pandemia.

Foi também no fim-de-semana que as esperanças dos adeptos do futebol canadiano com respeito à disputa da taça Grey Cup 2020 foram goradas pelo anúncio de que a liga cancelou o campeonato – a primeira vez que tal acontece desde 1919.

A decisão surgiu na sequência da impossibilidade da liga resolver uma série de dificuldades, incluindo económicas face à recusa do governo federal em conceder os 30 milhões de dólares em ajuda financeira que havia sido solicitada.

Apesar das muitas dificuldades que grande número de pessoas e empresas enfrenta na sequência das medidas de confinamento decretadas pelos vários níveis de governo, nem todos os sectores da economia foram afectados da mesma forma.

A Associação Canadiana de Imobiliária revelou segunda-feira (17) que a venda de 62.355 imóveis registadas em Julho bateram todos os recordes, desde que há mais de 40 anos se começaram a contabilizar estes dados.

O número recorde de vendas surge mesmo perante os elevados preços das propriedades, também eles a baterem recordes.

Entretanto, continuam os esforços em todo o mundo, incluindo no Canadá, no sentido de encontrar uma vacina capaz de prevenir a Covid-19 ou um tratamento eficaz para tratar a doença.

Apesar de ter sido o primeiro país a anunciar ter produzido uma vacina, porém, a inoculação recentemente aprovada pela Rússia não consta entre as nove vacinas experimentais que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera estarem actualmente em fase avançada de testes clínicos.


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