1ª PÁGINA


Ministro das finanças canadiano demite-se

O ministro das Finanças do Canadá e deputado eleito pelo distrito de Toronto-Centro, Bill Morneau, demitiu-se segunda-feira (17) de ambos os cargos, após uma reunião com o Primeiro-ministro Justin Trudeau.

Bill Morneau, que foi eleito pela segunda vez há 10 meses, indicou no seu comunicado que nunca pretendeu participar em mais de dois ciclos eleitorais e que considerava esta a altura certa para passar a pasta das Finanças a um eventual sucessor.

"Visto que não me vou recandidatar e já que prevejo que vamos ter uma recuperação longa e difícil, acho que é importante que o Primeiro-ministro tenha a seu lado um ministro das Finanças com uma visão a mais longo-prazo", justificou, rematando ter sido isso que o "levou a concluir que a demissão é apropriada nesta altura".

Garantindo que a decisão nada teve a ver com o escândalo que deflagrou em torno da organização de caridade WE e da atribuição de contratos milionários àquela instituição, o ministro demissionário deu ainda como justificação ser sua intenção candidatar-se ao cargo de secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Justin Trudeau, por sua vez, emitiu uma declaração enaltecedora do trabalho desenvolvido pelo ministro desde que assumiu o cargo, em 2015, "para melhorar a qualidade de vida dos canadianos e tornar o nosso país num lugar melhor e mais equitativo".

O Primeiro-ministro acrescentou ainda em relação à intenção de Bill Morneau procurar a liderança da OCDE que "o Canadá vai apoiar vigoro-samente a sua candidatura à liderança desta importante instituição global que irá desempenhar um papel crucial na recuperação económica global".

A missiva conclui com um reconhecimento do apoio recebido ao longo dos anos por parte do seu ministro das Finanças, quer em liderança, quer em conselhos e amizade, e a formulação de votos de que essa relação se prolongue por muito anos.

No centro de uma investigação de ética relacionada com a instituição de caridade WE, tanto Justin Trudeau como Bill Morneau – ambos aparentemente ligados à organização por laços familiares – têm-se debatido com o escândalo que daí adveio e estão sob o apertado escrutínio da oposição, dos órgãos de comunicação social e da opinião pública.

Nos últimos dias surgiram revelações por parte de alguns jornais de que existia um crescente desacordo entre os dois líderes governamentais a propósito das medidas económicas a implementar na sequência do confinamento que havia sido decretado para conter a pandemia de Covid-19.

Bill Morneau, cujas filhas trabalham para a WE, teve recentemente que reembolsar a organização em 41.366 dólares, valor das despesas das viagens que fez à custa da WE e que reconheceu ter sido um erro da sua parte.

Ao comunicar a sua demissão, o ministro confessou que "em retrospectiva gostava que tivéssemos feito as coisas de maneira diferente em relação à organização de caridade WE" e admite que se deveria ter demarcado das discussões em torno da atribuição do programa governamental àquela organização.

Os líderes da oposição no Parlamento, o Conservador Andrew Scheer e o Neo-democrata Jagmeet Singh, acusaram Justin Trudeau de usar o seu ministro das Finanças como bode expiatório para apaziguar os ânimos em relação ao mais recente escândalo em torno do seu governo.

Bill Morneau, que indicou que permanecerá no cargo de ministro das Finanças até que seja nomeado um sucessor para o substituir, não terá muito que esperar uma vez que Justin Trudeau anunciou terça-feira que a pasta irá transitar para a actual ministra dos Assuntos Intergoverna-mentais, Chrystia Freeland, que ao ser empossada se torna na primeira mulher a ocupar o cargo.

Para além de reestruturar o governo, o Primeiro-ministro decretou ao mesmo tempo a suspensão do Parlamento até 23 de Setembro.


Voltar a Sol Português