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São Valentim no CCPM:

Espectáculos de Jorge Ferreira prolongam Dia dos Namorados

Por João Vicente
Sol Português

Por todo o lado o Dia de São Valentim, ou dos Namorados, é pretexto para celebrar o amor, seja entre casais, seja entre a família alargada, multiplicando-se na comunidade os eventos dedicados a esta ocasião e que na sua maioria se realizam em ambiente sobretudo familiar.

O Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) não é excepção e este ano a sua festa, que decorreu no passado sábado (15), necessitou ser acrescida de uma segunda comemoração no domingo (16), por forma a acomodar todos quantos ali quiseram celebrar o São Valentim.

O feito deveu-se em grande parte à popularidade do artista convidado: Jorge Ferreira, um nome sobejamente conhecido do público luso-canadiano.

"O Jorge Ferreira com certeza que foi uma grande ajuda", confessou o presidente do CCPM, Tony de Sousa, que ainda assim não descura a importância do atendimento que é dado aos visitantes da colectividade: "o nosso serviço de comida e de receber as pessoas também conta muito", refere, lembrando que "isso, juntamente com as bandas, é o que faz encher as casas".

Ao todo passaram pelo CCPM durante o fim-de-semana cerca de 1000 pessoas – 600 no sábado e 400 no domingo – e o dirigente diz que apesar do trabalho árduo de toda a equipa, "não foi difícil" encher a casa pois "toda a gente anda atrás do Jorge Ferreira" e assim que o artista colocou o cartaz do espectáculo na sua página do facebook o CCPM começou imediatamente a receber chamadas.

Passados três dias, o jantar de sábado estava esgotado e os telefonemas não paravam, por isso, embora inicialmente não fosse essa a intenção, a Direcção teve de se render.

"Telefonei ao Jorge e perguntei se podia ficar mais um dia, e ele disse que podia", recorda Tony de Sousa, que adianta: "não é que queiramos fazer disto algo habitual, porque também gostamos de descansar um bocadinho".

O presidente do Executivo teve ainda mais motivos para ficar feliz ao constatar que no sábado os jovens do clube escolheram esta festa para se divertirem – e namoriscarem pois, como refere, alguns já estão nessa idade – e o mesmo aconteceu no domingo quando houve jovens do clube que escolheram ficar por ali mesmo e até quem ajudasse na cozinha, como foi o caso do Daniel, filho mais novo do vice-presidente Jorge Mouselo.

Casados há 45 anos, após 10 de namoro, José Manuel e Lúcia Silva tinham muito que comemorar nesse dia.

"Se a gente tiver sempre saúde como temos, é para continuar", afirma José, enquanto Lúcia diz que comemoram o São Valentim todos os anos e só mesmo "se estiver doente que não possa vir" é que falha, tendo esta sido a terceira vez que escolheram o CCPM para o fazer.

Instados a pronunciar-se sobre o "segredo" de uma relação tão longa, José considera que se deve ao "respeito do marido pela mulher e da mulher pelo marido", enquanto que Lúcia adianta: "temos de concordar um com o outro" e embora isso possa gerar imediatamente a questão: `então e quando discordam?', responde que depois da discutirem e uma vez mais calmos "torna-se a falar, é só", pontuando o fim da frase com uma gargalhada.

José, porém, não quis ficar por ali e acrescenta: "e às vezes um abraço e um beijo também ajuda um bocadinho", ao que Lúcia acena afirmativamente com a cabeça.

Na mesa ao lado estava Isidoro Raposo com a filha, os sogros e a esposa, Sara, que nos explicou que nessa noite juntaram o útil ao agradável.

"É bom sair de vez em quando e o meu marido é um enorme fã de Jorge Ferreira, tal como os meus pais, por isso decidimos aproveitar", refere.

A propósito do Dia dos Namorados, considera que "é bom restabelecer os laços e designar um dia só para nós", "para apreciarmos a companhia um do outro porque por vezes passa da ideia e ficamos demasiado atarefados", sendo por isso "bom abrandar, reencontrarmos-nos" já que "são as pequenas coisas" que contam.

Isidoro e Sara estão casados há "apenas" 10 anos, o que não se compara aos 45 anos do casal Silva, mas nos dias que correm já é também uma meta digna de ser assinalada.

"Não é fácil no princípio e é preciso ceder muito – são precisas duas pessoas – mas a pouco e pouco, um dia de cada vez, vai-se chegando lá", afirma Sara, que acrescenta que "é sempre um trabalho em progresso e nunca se chega aos 100%, mas está bem porque é sinal que se está sempre a trabalhar" nesse sentido.

Se alguma ilação se pode tirar do que dizem estes dois casais é que a perfeição é inimiga de uma relação, enquanto que é na tolerância e na vontade de simplesmente continuarem a caminhar em frente, em conjunto, que reside a sua força.

Tal como eles, nessa noite todos quantos assistiram à actuação do artista convidado estavam unidos também pela sua apreciação do cantor luso-americano, com quem Sol Português teve oportunidade de conversar antes do espectáculo.

Já lá vão cerca de 45 anos desde que Jorge Ferreira deu os primeiros acordes a tocar aos fins-de-semana em casamentos e baptizados na região de Fall River, nos Estados Unidos da América.

Desde então veio a singrar numa carreira que além de o ter levado a actuar junto das comunidades lusas nos quatro cantos do mundo, inclui mais de 40 álbuns gravados e cerca de uma trintena de temas que integram várias compilações musicais.

A profissionalização veio na sequência de um êxito: "Papai", como recorda.

"Um ano ou dois depois, tive que integrar nisto a sério e fazer carreira", explica o artista que considera esta canção como "o motor de arranque" para a sua actividade profissional que "a partir daí é espectáculos".

O ponto exacto de viragem na sua vida consegue precisá-lo melhor ao relatar: "fui convidado para a televisão, para a RTP; estive lá duas semanas e foi a partir daí, logo a seguir a aparecer na televisão, que começaram a aparecer pedidos para espectáculos em Portugal".

Esse salto para o profissionalismo levou-o mais longe do que se calhar imaginou já que, como refere: "depois fomos a todos os países, começámos a ir para a Europa – França, Alemanha, Suíça, Luxemburgo, Inglaterra e tudo isso – América Latina... corremos os quatro cantos".

Questionado sobre o aspecto mais difícil da sua vida profissional, o cantor luso-americano não hesita ao responder que é a preparação para os espectáculos – quer em termos técnicos, quer de logística.

"O espectáculo em si é um prazer: subir em cima do palco, conviver com as pessoas, cantar e desfrutar da ocasião, brincar; enfim, tudo isso é um grande prazer", garante Jorge Ferreira.

Poderá dizer-se que o sentimento do público é mútuo pois ao longo do espectáculo houve sempre múltiplos telemóveis a tirar fotos e a filmar, incluindo nas mãos dos numerosos e alegres casais que encheram a pista de dança.

Apesar de todo o seu sucesso, Jorge Ferreira confessou-nos ter sido para si uma surpresa ver encher por duas vezes o CCPM, agradecendo por isso aos fãs.

"Não tenho palavras para agradecer a este público" que, como salientou, foi o que lhe "abriu as portas" e as" manteve abertas durante esta carreira", despedindo-se com "um obrigado, mas um obrigado que vem do coração para toda esta comunidade".


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