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Vasco da Gama de Brampton:

Colectividade portuguesa apresentou um dos 13 pavilhões multiculturais Carabram 2017

Por João Vicente
Sol Português

O Centro Cultural Vasco da Gama foi mais uma vez o representante da cultura lusa durante o festival multicultural Carabram que no passado fim-de-semana se realizou na cidade de Brampton.

A 35.ª edição do certame teve a duração de três dias e decorreu de sexta-feira (14) a domingo (16), permitindo aos visitantes desfrutar de múltiplos espectáculos, gastronomia e exposições que estiveram patentes em 13 pavilhões espalhados pela cidade e representativos de continentes (África e América Latina) ou países individuais (Portugal, Filipinas, China, Nepal, Irlanda, Índia e Canadá), bem como regiões específicas do globo (Caraíbas e Havai) e grupos étnicos ou culturais (Punjab e Eelam/Támil).

No pavilhão português, Manuel Alexandre, que tem estado sempre envolvido com a organização deste festival, mesmo nos anos em que não houve participação portuguesa, foi não só o mestre-de-cerimónias mas também o "encorajador-mor" e a força motriz por detrás da participação lusa.

"Falei com Manuel Alexandre para me ajudar e ele deu-me duas forças, a dele e metade da minha", admitiu prontamente o presidente do Centro Cultural Vasco da Gama, Luís Pacheco, que está actualmente a cumprir o seu quarto mandato, não consecutivo, nessas funções.

O dirigente da colectividade é também o proprietário da companhia de banquetes luso-canadiana Catita's Catering, que ofereceu uma variedade de pratos para degustação do público visitante, destacando com orgulho o facto de já por duas vezes terem vencido o prémio de melhor gastronomia da Carabram.

Quem foi carimbar o seu passaporte ao pavilhão português – o certame é organizado em forma de uma "volta ao mundo" pela cidade mediante a compra de um bilhete/passaporte que dá acesso a todos os pavilhões – pôde provar sardinhas, febras, chouriço, frango, bife à casa, carne de porco à alentejana, morcela e outras iguarias tipicamente portuguesas.

Contudo, como nos referiu o presidente, o favorito é o camarão e já houve um ano em que durante o fim-de-semana foram consumidos cerca de 300 quilos do delicioso crustáceo marinho.

Claro que para a companhia conseguir fornecer todos estes pratos – além ainda do banquete para um casamento com 240 pessoas, que teve lugar no Centro Cultural Português de Mississauga, e uma festa na Nossa Senhora de Fátima de Brampton para cerca de 440 pessoas, que se realizaram no mesmo dia – o trabalho teve de começar bem cedo, logo pelas 6h00 da manhã.

Entretanto, e a complementar a ementa de salgados, esteve a Ardglen Bakery com artigos da doçaria e pastelaria portuguesa que também suscitaram bastante interesse dos visitantes graças a uma selecção que ia desde as tradicionais mal-assadas aos pastéis de nata e, claro, não esquecendo clássicos como o arroz doce e outras delícias.

Quase 2.000 pessoas passaram pelo pavilhão português ao longo destes três dias, cerca de três centenas das quais na noite de sexta-feira, à volta de 1000 no sábado e mais meio milhar no domingo.

Apesar de haver oficialmente 13 pavilhões, havia apenas cinco locais a visitar, isto porque vários dos participantes partilharam a mesma localização, um modelo de apresentação pelo qual o pavilhão português também já optou em anos anteriores mas que nas duas últimas participações abandonou a favor do uso das instalações do Centro Cultural Vasco da Gama para a mostra portuguesa.

Foram muitos os artistas e grupos que neste fim-de-semana pisaram o palco do Vasco da Gama e na sexta feira, logo após as cerimónias de abertura e de se escutar o hino de Portugal, começaram os espectáculos que incluíram actuações dos cantores Décio Gonçalves, Victor Martins e Ricardo Cidade, bem como do grupo de concertinas Estrelas do Norte e do rancho folclórico da Casa da Madeira de Toronto.

No sábado a nossa reportagem teve oportunidade de acompanhar as actuações de Sónia Tavares, João Marques, Jessica Amaro e dos ranchos As Tricanas e Ribatejano, se bem que antes já tinha por lá passado Paulinho do Minho e mais tarde veio a a actuar também o "crooner" luso-canadiano Andy de Campos.

Tanto Sónia Tavares como Jessica Amaro tiveram fortes actuações, embora de conteúdo, carácter e apresentação bastante diferentes, sendo que o espectáculo de Sónia incorporou bastantes temas portugueses e o de Jessica, além de centrado em temas mais conhecidos do público canadiano, beneficiou da hora mais tardia da sua actuação, quando a sala já estava "quente" e cheia.

Os grupos folclóricos infelizmente sofreram de falta de elementos, especialmente As Tricanas, dada ser época de Verão, durante a qual muita gente se ausenta em férias, mas o público recebeu muito bem as suas actuações, com destaque especial para a das crianças do rancho Ribatejano, que encantaram a assistência e a deixaram predisposta a uma boa ovação também ao grupo de adultos e à sua emotiva dança do pau.

No domingo, além da participação do grupo folclórico Os Camponeses, actuaram de novo Décio Gonçalves, Paulinho do Minho e Victor Martins.

No seu papel de apresentador, Manuel Alexandre interagiu com os artistas e elementos dos grupos folclóricos, bem como com a assistência, a quem ia despertando o interesse dando explicações sobre o espectáculo mas também dos objectos e artesanato disposto nas mesas.

Ora realçando o trabalho dos artistas e a perícia necessária para criar as loiças decoradas à mão, ora dando a conhecer um pouco da história de Portugal, da lenda do galo de Barcelos e outras informações, o mestre-de-cerimónias sem dúvida elucidou muita gente quanto a quem somos e de onde vimos.

Aquando da visita ao pavilhão da presidente da Câmara de Brampton, Linda Jeffrey, a sala em peso ergueu-se de repente para lhe dar uma salva de palmas, desconhecendo muitos que a autarca já por lá estava havia algum tempo, a observar a actuação do rancho Ribatejano.

Linda Jeffrey ficaria ainda mais um pouco, mesmo depois de ter proferido publicamente algumas palavras para exprimir o seu agradecimento pelo empenho de todos quantos estiveram envolvidos nesta iniciativa e os incentivar a darem continuidade à participação de um pavilhão português neste certame.

O som para estes três dias de espectáculos no pavilhão português da Carabram esteve a cargo de Jaime Machado, da Elite Sounds, e segundo os organizadores o dinheiro conseguido pelo pavilhão, através da venda de bilhetes e das comidas, reverteu a favor do hospital de Brampton.

Entretanto, Luís Pacheco fez uma breve resenha da actual situação do Vasco da Gama para a nossa reportagem, destacando que com a renovação do salão, que está em curso, estão já a conseguir mais reservas para o alugar, o que estabilizará a situação financeira, havendo ainda outros melhoramentos a fazer.

No entanto, "ainda faz falta um pouco mais de apoio da comunidade", ressalvou, lembrando que se fossem alguns a umas festas, outros a outras, de forma a que houvesse sempre umas 200 a 250 pessoas presentes, já estariam em muito melhor posição.

O Vasco da Gama realiza no dia 12 de Agosto um torneio de golfe cuja receita reverte a favor do próprio Centro Cultural e os seus responsáveis estendem desde já um convite aos interessados para que se inscrevam e participem.

Poderão fazê-lo junto do Centro Cultural Vasco da Gama (Tel. 905-840-6061), ou contactando com Luís Pacheco (905-840-6561), Francisco Araújo (416-885-2563) ou Joe Maiato (416-889-5337).

"Gostava que quem lesse, nos apoiasse mais, porque nós precisamos", concluiu Luís Pacheco.

Na região de Brampton residem actualmente mais de 60.000 portugueses e seus descendentes,


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