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Comitiva em Toronto para divulgar Festas

"Angra Jóia do Mundo" é tema das Sanjoaninas 2010

Angra só se cumpre quando aceita a sua vocação transatlântica e mundial

Por Fernando Cruz Gomes e Noémia Gomes
Sol Português

Uma comitiva jovem. Interessada em divulgar pormenores das Festas. "Angra Jóia do Mundo" é o tema das Sanjoaninas para 2010. As festas vão decorrer na cidade de Angra do Heroísmo de 19 a 27 de Junho. Com o entusiasmo de sempre. Com gente da diáspora a visitar a Cidade Património Mundial. Chamada, de resto, por uma equipa jovem e dinâmica. Raquel Pinheiro, vereadora da Câmara, representa a Presidente Andreia Cardoso. Acompanham-na Litícia Vieira, presidente da Comissão de Festas Sanjoaninas, José Couto, para a Tauromaquia, e Vanessa Martinho. Pena que não fosse possível trazer já programa e esquemas gerais das Festas. Pena que ao seu entusiasmo, os elementos da comitiva que nos visitou... não tivessem a oportunidade de dizer "como vai ser..." Entende-se a brevidade da viagem, como se entende, assim, o tudo ter de ser feito em tempo quase "record".

A presidente da Comissão das Sanjoaninas, de resto, multiplicou-se em esforços. Jogou o jogo da verdade e da transparência. Entendeu deixar falar o coração – como nos disse, uma e muitas vezes – para nos dar pormenores, pormenores que eram a prova de que estamos com a mesma gente, o mesmo entusiasmo, a mesma garridice que desde há muito... faz o convite à gente da diáspora.

Uma Comissão das Sanjoaninas dinâmica

- Vamos à Terceira? Decerto que sim. O que é que esperamos?

Tudo. Calor, amor, carinho, retribuição, presença. Numa primeira fase, é isto que eu espero. A mim, pessoalmente, as comunidades da diáspora dizem-me muito. Por ter muita família, inclusivamente os meus irmãos, emigrados, toca-me muito fundo a comunidade emigrante. E foi desde muito cedo que comecei a preparar tudo. Desloquei-me, desde logo, à Califórnia, que era o maior núcleo de emigrantes para ouvir e tentar melhor o que poderíamos esperar desta nossa digressão... A primeira acção que fiz junto das comunidades foi estudar e tentar preparar esta nossa vinda...

Letícia Vieira começa, assim, uma conversa com os órgãos de Informação. Estava ainda na "sede da saudade", que é, entre nós, o Peper´s Café, de José Rodrigues, também ele entusiasmado. Para a presidente da comissão, houve um planeamento mais cuidado e com mais tempo. Decidiu fazer-se acompanhar de uma prova de vinhos e queijos, "com a noção de que nós é que estamos aqui para vos receber...", como diz. As acções de promoção levadas a cabo, em Portugal, foram rigorosamente iguais às que se propõe fazer nos Estados Unidos e Canadá.

Uma festa mais intensa

A festa – sabe-se – vai ser mais intensa, até por se ter reduzido um pouco a duração. De resto, a promoção, pelos vistos, teve até uma ideia quase inédita. É que o grupo de fadistas e guitarristas, que acompanha a comitiva, começou a cantar logo no aeroporto de Nova Iorque. Foi algo contagiante, com toda a gente a interessar-se por aquilo. "Eu penso – diz-nos Letícia – que o nosso contágio vai passar para as pessoas". Na tauromaquia, de novo um cartel muito forte "com o que de melhor se faz no mundo da tauromaquia". Em termos de concertos, haverá um recinto bem animado, onde a pessoa pode estar a comer ou a beber, a ver um concerto, havendo um leque variado de motivos de interesse, no mesmo espaço.

"As pessoas podem ir oito dias a um determinado sítio e presenciar e sentir experiências, desde os esforços para apresentar o melhor que há em tauromaquia. Jardins públicos, visitas guiadas, etc. Será de tudo um pouco. Podem ir todos a Angra do Heroísmo, com a certeza de que, mesmo que uns gostem disto e outros daquilo... a cidade está preparada para responder ao gosto de cada um".

Letícia entende que tem um discurso muito claro, que tenta mostrar o que de bom as pessoas podem encontrar. "Eu gosto muito da minha terra... mas acredito que esta gente ainda gosta mais". Era a resposta à nossa pergunta sobre o que é que diria se quisesse sensibilizar as pessoas a irem às Festas. "Nós não inventámos nada, mas pegámos nas áreas que são defendidas pelas Sanjoaninas e ajeitámo-las, um pouco, àquilo que nós pensávamos que era melhor". Assim, o espaço do Jardim Público foi adaptado a servir para melhorar tudo. Tem coretos, tem de tudo um pouco. Houve a preocupação de melhorar os horários, para que não fosse apenas o horário nocturno, "mas que fosse também um horário de meio da tarde, a jeito de chá das 5, ou seja, são pequenos pormenores que se consideram cheios de requinte e bom gosto, e dentro do que já existe... faz-se com que a festa seja um pouco diferente...

Pretendeu-se "inovar um pouco"

E nós a insistir: Mas ainda me não disse... porque é que lá hei-de ir.

- Porque... porque... eu acho que vale sempre a pena reviver as emoções, viver a terra... vale sempre a pena. Eu admiro imenso as pessoas que tiveram coragem – eu não a teria – de deixar a sua terra. Voltar é sempre bom...

Letícia é palavra que vem de alegria. E Letícia Vieira é alegre, jovial, encanta a falar e a dar a entender o muito que se pode ver nas Sanjoaninas 2010.

Já antes, quando o cartaz das Sanjoaninas e o respectivo tema geral foram apresentados no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Angra, em cerimónia presidida pela presidente Andreia Cardoso, foi dito que se pretendia "inovar". Era, segundo a sua expressão, "uma clara vontade de mudança".

De resto, o símbolo escolhido pela comissão organizadora das Sanjoaninas 2010 é uma borboleta em forma de jóia. E realçam-se os diversos significados que o insecto possui nas diferentes culturas e por ser o prenúncio de acontecimentos festivos. Está associada a mudança, metamorfose, transformação, viagem, libertação e renascimento, um conjunto de conceitos que a equipa responsável quer ver implementados em Angra durante as Sanjoaninas.

Talvez por isso, a presidente das Sanjoaninas, Letícia Vieira, saliente, a toda a hora, que Angra do Heroísmo está repleta de jóias. E fala no mar, na terra, no basalto, no verde e, especialmente, nas suas gentes, desejando que também por elas a cidade, durante o período de festa, fique repleta de cor e de vida.

De resto, as Festas acabam por ter uma História... de respeito. Começaram no século XVI e desde sempre estiveram integradas na Cultura dos Açores.

Fado a muita emoção

Na segunda-feira, no encontro com a Comunicação Social, e não só, no Pepper´s Café, um naipe de artistas animou a noite. Cantou e fez cantar, fazendo, afinal, vibrar com a saudade, como que em antecipação do que poderá ser o "tom geral" das Sanjoaninas deste ano.

Na terça-feira, entretanto, no Lusitânia Sports Club, houve festa. Com muita gente a estar presente – muito mais poderia ser, claro – para contactar com a comitiva que veio de Angra do Heroísmo.

De novo, o Fado, com José Gaspar, na guitarra, e José Silva, na viola. E com Flávio Sousa a abrir as... "boas hostilidades". A que se seguiu Vera Ávila.


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