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Canadá/Covid-19: Ontário completa 1.ª ronda de inoculações em lares da terceira-idade enquanto número de infecções parece estabilizar

O número de casos de Covid-19 detectados em todo o mundo desde o início da pandemia ascendia no início desta semana a 95,9 milhões – mais 4,7 milhões do que na semana anterior.

Destes, 68,2 milhões já ultrapassaram a doença, mantendo-se a taxa de recuperação em torno dos 71,1 por cento, enquanto que o número de fatalidades ascende acima dos dois milhões.

No Canadá, as 47.000 infecções detectadas na última semana elevaram o total nacional para cerca de 713.000 casos, embora 621.000 tenham já ultrapassado a doença o que elevou a taxa de recuperação para mais de 87 por cento.

Infelizmente, porém, e apesar do número de óbitos registados na semana transacta ter descido ligeiramente em relação à anterior, as vítimas mortais da pandemia contabilizam-se já em quase 18.000.

A meio da última semana, o número de idosos que desde Março passado morreram em lares da terceira-idade no Ontário devido ao coronavírus ultrapassou os 3.000, enquanto o primeiro-ministro provincial, Doug Ford, defendia a decisão do governo de decretar medidas mais restritivas.

Enquanto isso, o Comité Consultivo de Imunização Nacional fez saber que, face aos atrasos na entrega de vacinas ao país, a administração da segunda dose aos que já receberam a primeira injecção poderá ser adiada mais algum tempo, por forma a que o stock existente possa ser dado ao maior número de pessoas possível.

Segundo indicaram, adiar a administração da segunda dose até seis semanas após a primeira – em vez das recomendadas três ou quatro – pode pelo menos dar alguma protecção a mais pessoas, uma vez que os estudos indicam haver alguma protecção a partir da primeira injecção.

Contudo, aquele grupo – composto por peritos em vacinas – destacou que o ideal seria cumprir com os prazos de 21 e 28 dias entre as duas doses, conforme é recomendado para as duas vacinas que até à data foram aprovadas para uso no Canadá.

As previsões eram de que a primeira fase da inoculação abrangesse 1,5 milhões de pessoas e que todos os residentes em lares de alto risco no Ontário viessem a receber a vacina até 21 de Janeiro, com os restantes a serem inoculados até ao dia 15 de Fevereiro.

A segunda fase de vacinação contra a Covid-19, que visa inocular 8,5 milhões de pessoas consideradas prioritárias – incluindo idosos com mais de 80 anos, pessoas que vivem ou trabalham em situações de alto risco e funcionários de primeira linha, assim como doentes crónicos e quem deles cuida – deverá estar completa até ao fim de Julho.

Uma terceira fase, que se destina à população em geral, está prevista começar em Agosto, dependendo da disponibilidade das vacinas, e as autoridades esperam que até finais de Setembro todos os que quiserem receber a vacina já o tenham feito.

Foi também a meio da semana que a transportadora aérea nacional, Air Canada, anunciou que iria eliminar mais 1.700 postos de trabalho e reduzir o nível de actividade.

O anúncio surgiu cinco dias após a sua rival, Westjet, ter anunciado a suspensão de funções, redução de horários e outras medidas que afectam 1.000 funcionários.

No dia seguinte, quinta-feira (14), entrou em vigor no Ontário a ordem que proíbe os cidadãos de saírem de casa excepto em casos de necessidade, com o público a receber um alerta nos seus telemóveis, assim como através das estações de rádio e televisão.

A mensagem, enviada pelo Ministério do Procurador Geral através do sistema provincial de alerta em casos de emergência, pedia ao público para que só saísse quando "essencial" – comprar alimentos, ir ao médico ou fazer exames de saúde, fazer exercício ou deslocar-se para o trabalho.

Não se trata, como destacou o governo, de um recolher obrigatório e os agentes da lei não têm autoridade para mandar parar os veículos só para perguntar para onde é que os seus ocupantes vão – embora o possam fazer caso tenham cometido alguma infracção – assim como estes não são obrigados a indicar porque motivo saíram de casa.

Apesar disso, as dúvidas persistem e no dia seguinte as forças policiais tiveram de pedir ao público para que deixasse de ligar para os serviços de emergência 911 a fazer perguntas e a pedir esclarecimentos sobre a lei pois estavam a ocupar as linhas, deixando-as inacessíveis a quem delas precisasse em casos urgentes.

Entretanto, e apesar de haver uma moratória nas ordens de despejo comerciais devido ao estado de emergência decretado pelo governo provincial, o Conselho de Senhorios e Inquilinos do Ontário foi autorizado a continuar a realizar audiências e a emitir ordens de despejo para inquilinos residenciais.

Enquanto isso, um vídeo duma tele-reunião da Rede Universitária de Saúde (UHN, na sigla em inglês) revela que este sistema de hospitais está a ser criticado internamente por funcionários que se queixam da forma como está a priorizar a administração das vacinas contra a Covid-19.

A polémica surgiu depois da UHN ter oferecido vacinas excedentárias a vários funcionários de um hospital e de quatro centros de saúde, incluindo alguns que não lidam directamente com pacientes, enquanto algumas regiões que estão fortemente afectadas pela pandemia aguardavam ainda a chegada das primeiras doses.

O presidente da UHN, dr. Kevin Smith, garantiu que a instituição estava a fazer o seu melhor para seguir as regras, ao mesmo tempo que tentava cumprir as instruções do governo no sentido de "aplicar as vacinas" o mais rapidamente possível, salientando que é de esperar alguns erros numa campanha desta envergadura.

Na sexta-feira (15), enquanto o Ontário dava conta de um novo recorde no número de falecimentos diários, com 100 mortes nas últimas 24 horas, era também revelado terem sido vacinadas 15.609 pessoas no dia anterior.

Até aquela data, o número de inoculados totalizava 174.630 pessoas, cerca de 10 por cento dos quais, ou 17.094, tinham já recebido as duas doses da vacina.

Nesse dia, o número de mortes a nível mundial ultrapassou os dois milhões e o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que "por trás deste número estão nomes e rostos – o sorriso que passa a ser memória, o lugar para sempre vago à mesa de jantar, a sala que ecoa com o silêncio de um ente querido".

Ao destacar que o problema se agravou "por não existir um esforço global coordenado", António Guterres concluiu que "a ciência teve sucesso, mas a solidariedade falhou".

Entretanto, a ministra responsável por aquisições a nível federal, Anita Anand, anunciou que problemas na produção das vacinas na Europa vão reduzir temporariamente a capacidade da farmacêutica Pfizer abastecer o Canadá e que, embora a companhia diga que espera poder entregar as quatro milhões de doses previstas até ao fim de Março, esta remessa deixa de estar garantida.

No dia seguinte a ministra urgiu a Pfizer-BioNTech a cumprir o compromisso assumido, enquanto no Ontário o director de saúde da província, dr. David Williams, dizia prever-se que a província viesse também a ser afectada pela situação, embora se desconhecesse ainda o impacto que teria.

Entretanto o Primeiro-ministro Justin Trudeau não descurou a possibilidade de vir a impor mais restrições nas viagens internacionais, incluindo uma proibição total no caso de certos países, citando as preocupantes mutações do vírus identificadas no Brasil e no Reino Unido.

Apesar de tudo isto, nem todos concordam com as restrições que continuam a ser decretadas e que estão a estrangular a economia, pelo que para além de várias manifestações que vão surgindo esporadicamente há até mesmo já deputados a expressarem a sua oposição.

É o caso do deputado Conservador Roman Baber, que no Ontário viria a ser expulso do grupo parlamentar do partido pelo primeiro-ministro provincial após lhe ter dirigido uma carta aberta a indicar ser contra a intensificação das medidas de confinamento.

Também no sábado (16) a Polícia de Toronto acabaria por deter três pessoas, depois de duas manifestações anti-confinamento que se realizaram nas praças Nathan Phillips e Yonge-Dundas.

Nesse mesmo dia, com os hospitais em Toronto a queixarem-se de estar perto do ponto de ruptura, apesar do número de infectados per capita ser bem menor do que em vários outros países, havia já algumas instituições de saúde a transferir doentes para cidades mais distantes.

Para além de Burlington, Kitchener e Peterborough, onde primeiro se concentraram as transferências, as opções em consideração referiam também Kingston, a cerca de 250 quilómetros de Toronto, como mais uma possibilidade para dar resposta à crescente vaga de pacientes com Covid-19 na capital do Ontário.

Enquanto a província prepara um novo hospital – Mackenzie Health, previsto entrar em funcionamento em Vaughan a 7 de Fevereiro e que deverá ajudar a comportar a próxima vaga de pacientes com Covid-19 – os restantes hospitais do Ontário recebiam o protocolo de triagem a usar caso as unidades de cuidados intensivos atinjam os limites da sua capacidade.

Na eventualidade de não haver recursos suficientes para tratar todos os pacientes, os hospitais são instruídos a ter em considerações vários critérios para determinarem quem recebe tratamento, incluindo a probabilidade do paciente poder viver pelo menos mais um ano.

Segundo previsões do governo provincial, as unidades de cuidados intensivos devem estar sobrelotadas em meados de Fevereiro, enquanto que a autarquia torontina projecta que isso venha a ocorrer nos hospitais locais até ao fim de Janeiro.

Na véspera, a Câmara de Toronto terminou a primeira ronda de vacinação nos 87 lares de idosos da cidade, 10 dos quais geridos pelo município – substancialmente mais cedo do que a data limite de 21 de Janeiro que havia sido estipulada pelo governo provincial.

Apesar disso, este foi o segundo fim-de-semana consecutivo em que o número de inoculações caiu muito abaixo das que estavam a ser administradas durante os dias úteis, facto que o ministério da saúde atribui à falta de vacinas, que começam a escassear.

Entretanto, uma inspecção feita pelo governo provincial às grandes superfícies realizada no fim-de-semana mobilizou 50 inspectores que visitaram estabelecimentos em Toronto, Hamilton, e nas regiões de Peel, York e Durham, e de que resultaram 23 multas por incumprimento das regras, mas que em nenhum dos casos foram além dos 1.000 dólares.

Os inspectores visitaram um total de 240 estabelecimentos de comércio e constataram que cerca de 30 por cento não estavam a cumprir com as directrizes, nomeadamente em termos das regras de distanciamento, inspecção dos clientes antes de entrarem e obrigatoriedade do uso correcto de máscaras.

Já a começar a semana, o Ontário registou segunda-feira (18) o menor número de infecções diários desde o início do mês (2.578), mas o governo provincial apressou-se a esclarecer que para se aliviarem as regras de confinamento o número de casos tem de descer muito mais, para menos de 1.000 por dia.

No dia seguinte, o Primeiro-ministro Justin Trudeau aconselhou os canadianos que ainda têm viagens marcadas para o estrangeiro a cancelarem-nas pois as variantes do vírus descobertas no Brasil, no Reino Unido e na África do Sul podem levar a que a situação se altere rapidamente e o Canadá poderá impor novas restrições fronteiriças a qualquer momento e sem aviso prévio.

Com as vacinas a escassearem e a preocupação com o seu fornecimento a aumentar, a ministra Anita Anand anunciou ter falado com a Pfizer e indicou não estarem previstos mais atrasos no seu fornecimento a partir de meados de Fevereiro.

Contudo, também o Ontário terminou mais cedo do que estava previsto a primeira ronda de vacinação nas regiões mais afectadas pela pandemia e o primeiro-ministro provincial, Doug Ford, deu largas à sua frustração e impaciência com o fornecimento de vacinas.

Segundo foi já indicado, o Ontário não está previsto receber novas remessas na próxima semana e ao longo do próximo mês serão milhares de doses a menos do que eram inicialmente esperadas.

A nível nacional, e durante pelo menos quatro semanas, a Pfizer deverá reduzir para metade o número de doses destinadas ao Canadá, situação que a ministra Anita Anand diz afectar também as outras nações.


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