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Semana de Portugal:

Piquenique minhoto atrai centenas a Milton em dia escaldante

Por João Vicente
Sol Português

Apesar do forte calor que se fez sentir e das muitas "distracções" que cada vez mais dividem as pessoas, o piquenique anual da Associação Cultural do Minho (ACMT) – que teve lugar no passado domingo (17), Dia do Pai, e decorreu integrado nas comemorações da Semana de Portugal da ACAPO – reuniu cerca de meio milhar de convivas no parque Karlovac, em Milton.

"Não é mau", diz-nos Augusto Bandeira, que preside a esta colectividade, mas ainda assim um número que está longe dos tempos em que conseguiam atrair duas mil pessoas a este grande convívio e que este ano realizaram pelo 34.º ano.

O dia apresentava-se mais convidativo a uma ida à praia ou à casa de campo do que necessariamente ao parque, e isso mesmo foi reconhecido pelo presidente da ACMT que recorda, no entanto, que "dantes não era assim" e considera que a prosperidade e a afluência da comunidade, aliada às milhentas actividades e sítios a onde ir, estão a atrofiar eventos como este.

"Hoje tudo tem possibilidades de ter uma "cottage" (casa de campo); há as Internets, os filhos já não querem sair, querem festejar o Dia do Pai em casa; às vezes há dois piqueniques num dia, outras vezes um num dia e um no outro (...) e isso, a parecer que não, complica e vai dividir as pessoas", explica Augusto Bandeira.

Por isso mesmo defende uma maior união entre os clubes e associações a relativo curto prazo, para tentar evitar o destino de outras comunidades etno-culturais cujas celebrações foram caindo em desuso – primeiro estagnando e depois, ao não passarem à geração seguinte, extinguindo-se.

Mesmo assim, o número de participantes que acorreram ao piquenique deste ano esteve sensivelmente igual ao do ano anterior – cerca de 400 a 500 pessoas, contando com participantes de ranchos convidados e seus familiares.

Apesar disso, Augusto Bandeira sonha mais alto e gostaria de ver um festival de dois dias, que englobasse poveiros e outros clubes representantes do Alto e Baixo Minho.

A seu ver, poder-se-ia assim celebrar o São João na noite de sábado, com alho porro e martelinhos, e no segundo dia realizar o piquenique, acampando quem quisesse de um dia para o outro – até porque, diz, o parque Karlovac tem "condições de luxo", tanto sanitárias, como de cozinha e bar, e ainda um segundo palco que permite ter actuações em simultâneo.

Um salutar convívio ao ar livre

A manhã teve início com uma missa campal e a realização de jogos e actividades que mantiveram as pessoas distraídas e ocupadas, principalmente os mais jovens.

De plantão à porta a receber as visitas, juntamente com Elisabete Cardante e a filha, esteve uma das organizadoras do evento, Jennifer Bandeira, filha do presidente.

Segundo ela, a organização de um evento desta natureza implica muitas horas de trabalho na fase de planeamento e também ela reconhece que cada vez está mais difícil mantê-lo com o mesmo nível.

Quanto ao que se pode fazer, "sinceramente não sei – já se faz tanta coisa para integrar os jovens", afirma, citando o multiculturalismo de Toronto e a vontade dos jovens de experimentarem coisas novas como outros factores que distraem a juventude.

"Num dia de calor como este, suponho que estejam todos na praia, como eu estaria, mas não posso", admitiu, salientando que "fazemos sempre pelo melhor para termos os jovens cá connosco" e até já tentaram trazer artistas de fora como chamariz.

Por volta da hora de almoço passeava pelo terreno o animado grupo de bombos e Zés Pereiras da ACMT, serenando as pessoas que se congregavam em pequenos grupos, enquanto o fumo dos fogareiros ia enchendo o ar.

Enquanto isso, outra filha de Augusto Bandeira, Ashlie, ia ajudando, juntamente com um grupo de voluntários, a vender as rifas que ajudaram a colectividade a colmatar as despesas do dia.

Ao longo da tarde, o entretenimento esteve a cargo do rancho e da rusga da ACMT, bem como dos ranchos convidados, do Barcelos e do Académico de Viseu, que foram exemplares na dedicação e esforço demonstrados para actuarem com os seus trajes tradicionais num dia de calor brutal.

Celeste Araújo, que é natural de Viana do Castelo, foi uma das pessoas que encontrámos neste piquenique e que nos indicou que participa porque gosta do ambiente alegre que nele se vive e que a faz recordar os seus tempos de juventude, assim como adora ver a participação infanto-juvenil nos ranchos e que, como nos confessou, "faz o coração bater mais forte".

Ali encontrámos também uma família de raízes luso-francesas, cujos elementos nos confessaram serem todos apreciadores deste encontro.

A filha ainda adolescente, Sissy da Rosa, explica que não mora numa área onde residam outros portugueses, mas aprecia as suas raízes culturais por isso adora estas oportunidades, que considera raras, quando a mãe a leva a eventos como este.

Para o francês Jean-Louis Rénard, embora esta não seja a sua cultura de nascença segue a liderança da mulher e diz que gosta pois é algo que fazem em família, que os une, e chega até a sentir-se "um bocadinho português".

Por seu turno, Lisa da Rosa, também ela já francesa, diz que não cresceu neste meio, mas sente o apelo das raízes minhotas e gosta de participar neste género de eventos sempre que possível.

A dada altura o jogo Brasil-Suíça, para o Mundial de futebol, viria a captar a atenção de alguns dos convivas, mas o centro das atenções continuou a ser o palco, a família e, para muitos, a piscina rasa infantil que contou sempre com muita actividade ao longo do dia.

Mais tarde, e após procederam ao sorteio das rifas, Augusto Bandeira aconselhou aos que se faziam à estrada a terem cuidado na condução de volta às suas casas, embora houvesse quem tenha aproveitado para continuar a conviver e para jantar ali mesmo, antes de seguir caminho.

A ACMT encerra para férias a 13 de Julho, altura em que realiza uma sardinhada na sede e para a qual Augusto Bandeira convida os sócios e amigos da ACMT a comparecerem a esta despedida de Verão.


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