PENA & LÁPIS


Contra-sensos de um Presidente

Por Inácio Natividade

Sol Português

Não faz muito tempo, o Presidente americano Donald Trump sugeriu aos americanos que bebessem lixívia e outros desinfectantes como forma de prevenir o coronavírus. Agora diz que faz uma semana que vem tomando comprimidos da cloriquina como medida de prevenção contra o Covid-19. Como se sabe, a cloriquina é uma droga destinada ao tratamento da malária e desaconselhada pelos médicos para tratamento do coronavírus. Esta funesta é inevitável colisão, mais a recusa de Trump em usar a máscara evidenciam o contra-senso na mente de um Presidente que entendeu desafiar factos e a ciência.

Esta semana, Trump devido a motivos eleitoralistas, mentiu descaradamente ao afirmar que os Estados Unidos estavam em condições de produzir uma vacina para o Covid-19, a ser distribuída gratuitamente antes do presente ano. Nada mais perigoso e intoxicante do que alienar os incautos e distraídos. Prática incrivelmente desonesta, mas politicamente estratégica para ganhar as mentes e os votos.

Donald Trump não foi por acaso eleito Presidente. Pertence a uma escola sem preparação política, mas que usou sempre a política em benefício pessoal. Rude, insensível, inculto e senhor de uma ignorância grosseira, susceptível de matizar a estupidez. Quem o elegeu que o ature!

Mas a realidade de Donald Trump continua a capitalizar votos e fazer as delícias à sua base de apoio, enquanto uma franja bem significativa do eleitorado já nem sequer o podem escutar.

Num momento em que a China iniciou o seu primeiro ensaio clínico para testar uma vacina contra o novo coronavírus e em que vários países estão numa corrida conjugada para encontrar um tratamento eficaz contra o agente patogénico, será que alguém acredita no que sai da boca de Donald Trump?

Ele usa a presidência para se reinventar aos olhos de um público céptico e polarizado. A maioria olha-o como um tipo despreparado e aldrabão, e 30 milhões que o idolatram como Chefe de um bando de rufias de extrema direita racista.

Mas Donald Trump não se importa que as suas declarações choquem a comunidade médica e científica. Sobre o uso da lixívia chegou a afirmar: "Veja bem, ele entra nos pulmões e faz um trabalho tremendo, então seria interessante ver isso. Será preciso ver com os médicos, mas soa interessante para mim."

Duramente criticado, o Presidente americano disse posteriormente que estava sendo sarcástico.

Barack Obama numa crítica indirecta a Trump, sem referir o nome, censurou os líderes que "nem sequer fingem estar no comando" da contenção da crise sanitária, e sublinhou as desigualdades trazidas e reforçadas pela pandemia.

E ainda "acima de tudo, esta pandemia enterrou definitivamente a ideia de que muitos dos responsáveis sabem o que estão a fazer."

As eleições presidenciais na América são em Novembro, a economia entrou em contracção de 8 a 9 por cento, o Coronavírus faz da América o número 1 no mundo: 100 mil mortes e mais de 1 milhão de infectados.

Donald Trump tenta lutar contra a realidade e contra a opinião que lhe é desfavorável e este último gesto de recorrer-se a vacina é de desespero. A opinião científica é de opinião que pode haver uma vacina só daqui a um ano. Ele nunca aconselhou os americanos da importância a que se mantenha o sistema imunológico forte. Trump sempre que abre a boca mente, e pelo que li de vários cientistas e epidemiologistas, esta última diatriebe sobre o desenvolvimento de vacina para o final do ano é uma mentira e das grandes.

Transparência não é com Trump. O presidente americano não tem problemas em mentir, e para alguns segmentos da população até lhe fica bem. Faz parte da sua filosofia de vida, e quanto a esse ponto possuí uma base de apoio, que mesmo dizendo asneiras garantem o seu apoio. Contudo, Donald Trump sabe perfeitamente que não pode enganar a todos ao mesmo tempo.

Ora, quando a mídia desafia as suas mentiras e fanfarronices desbocadas ao longo da semana, recorre a impropérios. E quando a careca é descoberta finge estar amuado como se nada tivesse dito ou acontecido. Assume a pele de vítima.

Deu-lhe agora para acusar Obama, Joe Biden, o antigo director do FBI James Comey e outros oficiais do governo do esquema MAGA, Deep State. Neste esquema todos esses nomes estiveram envolvidos numa campanha de espionagem com base na teoria de conspiração, que deu início à investigação do envolvido com a Rússia, que o levaram ao impeachment.

Trump levou anos a propagar que Barack Obama havia nascido fora da América, mais precisamente em África ou Indonésia.

Exigiu inclusive que o ex-presidente apresentasse a certidão de nascimento, e quando Obama o fez calou-se e nem pediu desculpa.


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