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FPCCC:

Festa dos anos '80 e '90 anima amigos do First Portuguese e angaria fundos

Por João Vicente
Sol Português

A "Festa dos Anos '80 e '90", que sábado (16) animou o salão do First Portuguese Canadian Community Centre (FPCCC), atraiu cerca de uma centena de pessoas à sede da mais antiga colectividade portuguesa de Toronto para um encontro que foi, a todos os níveis, de convívio, mas assente numa campanha de angariação de fundos para facilitar o acesso aos utentes mais idosos e com dificuldades de mobilidade.

Trata-se da segunda realização inspirada nos sons e modas das décadas finais do século XX, a primeira das quais teve lugar há dois anos, sob a tutela de outra Direcção, e que segundo nos explica a actual presidente, Carina Paradela, se revelou um sucesso.

"Achamos que é uma festa muito engraçada, que engloba imensas gerações e a música, o ambiente, as cores, é super-giro", afirmou a dirigente adiantando que por isso decidiram voltar a realizá-la.

O objectivo, revela, é o mesmo do Mercado de Natal: angariar verbas para instalar um sistema hidráulico na porta, accionado por um botão, por forma a facilitar o acesso aos idosos que participam nos programas para a terceira idade.

Por outro lado, considera igualmente importante que os sócios visitem o clube, que as portas estejam abertas e que se realizem festas e outros eventos que ajudem a dinamizar a organização e levem à aproximação dos sócios e simpatizantes.

No convívio de sábado foi notável a participação de famílias inteiras, com gente de todas as idades, incluindo sócios de longa data assim como outros que estão agora a voltar a frequentar o FPCCC após longas ausências.

Exemplo disso era a família de Álvaro Martins, com uma filha na casa dos 40 anos, um filho com cerca de 30 e que, como o próprio nos explica, passaram ambos pela escola do `First' – como o clube é carinhosamente conhecido.

"Ficámos sempre ligados ao First Portuguese", diz-nos, citando o respeito que nutre pelos corpos docentes da escola de português, designadamente "a professora Celina de Melo e o professor Ferreira".

Álvaro Martins lembra-se de quando o First era grande, adiantando que "as coisas caíram, não sei porque razão" mas mostrou-se confiante de que se houver um esforço de reconstrução do First "toda a gente ajuda", especialmente "quem tenha prazer em que os filhos falem português".

António Coelho foi um dos que comprou uma mesa inteira, em nome da sua empresa, Magnum Masonry pois, como nos explica, "gostava de ajudar" o clube, além de ser também amigo de alguns dos elementos da Direcção.

"Passei pelo First em 1982 e depois perdi-me", diz à nossa reportagem, adiantando que "o First foi um nome que ficou marcado – e ainda hoje está muito marcado – nas pessoas que chegaram cá nos anos '60, '70 e '80", e "continua a fazer falta na comunidade".

Trata-se, como refere, de um "nome de marca" e embora essa marca possa não estar a ser tão badalada actualmente, a instituição "é como um bom vinho do Porto" e "a marca fica", por isso gostaria de ver a colectividade aumentar o número de sócios e voltar a ser o que já foi.

Também para Cecília Vitório – que frequentou a escola e dançou no rancho do FPCCC, mas há muitos anos se afastou desta zona da cidade perdendo o contacto com a colectividade – esta noite representava uma espécie de regresso.

Juntamente com o marido, Lino Vitório, o casal acedeu ao convite de uns amigos e comprou uma mesa em nome da sua companhia, Viacon Masonry, uma decisão que dizem ter feito "pela casa, pelo convívio e pelos amigos".

Entretanto, para Maria de Fátima Lima, que tem uma filha no programa de português da escola do FPCCC e há vários anos participa do campo de férias organizado pelo clube, a decisão de apoiar o First Portuguese foi fácil, dizendo em declarações ao jornal Sol Português que a sua presença "é um convívio e uma ajuda também".

Embora a noite fosse de pouca cerimónia, sem discursos nem entidades oficiais, o convívio foi genuíno e o divertimento uma constante, unindo todos quantos participaram neste encontro em torno de uma boa causa.

Depois do jantar, a di-ver-são ficou a cargo do DJ RMP, Adrian de Sousa, que de imediato levou muitos a dançar com uma selecção de temas que realmente puxaram pelo público.

Interessante e gratificante ver mesmo alguns mais jovens, nascidos já no novo milénio, a entoarem com gosto e muito pulmão temas que marcaram a juventude das décadas de '80 e '90.

Em declarações ao jornal Sol Português, Carina Paradela abordou algumas das próximas iniciativas a realizar pelo First, incluindo o rumo que esta Direcção pretende dar à colectividade.

Segundo referiu, desde que assumiram funções, em Novembro, já foram efectuadas algumas obras no salão, têm-se realizado eventos como este com a finalidade de angariar fundos para a instalação do "botão de acesso" para a porta, e prepara-se agora a realização de mais um campo de férias que irá dinamizar cerca de seis dezenas de crianças luso-canadianas.

Trata-se, como destacou, de um programa atraente para os pais e para os pequenos no período de férias, uma vez que o FPCCC está aberto diariamente das 7h00 às 18h00, o que, aliado às três refeições diárias que servem – com comida portuguesa, confeccionada no local – e às animadas actividades dentro e fora do centro, incluindo visitas à piscina e ao parque, entre outras, bem como o uso da língua portuguesa, torna este campo de férias muito popular.

Dado tudo isto ser proporcionado a um preço muito competitivo, não é de admirar que a colectividade tenha já uma lista de espera, com meses de antecedência.

Contudo, como destacou a presidente do Executivo, esta é uma iniciativa também importante para o FPCCC pois além de ser um programa financeiramente auto-suficiente, contribui ainda com verbas que são necessárias para as restantes actividades desenvolvidas pelo First.

E Carina Paradela reconhece ainda outro valor neste programa, além do financeiro: o contacto e a comunicação que estabelece entre o FPCCC e a comunidade, o que, como saliente, ajuda a promover a imagem de que "o First tem um bocadinho de tudo – seniores, crianças e tudo – por isso é realmente um dos nossos fortes".

Actualmente, o único factor limitativo que afecta tanto o vulto dos eventos que realizam, como o de sábado, bem como o número de crianças que podem aceitar para o campo de férias, é o tamanho das instalações onde se encontram, refere a dirigente, que considera por isso a mudança para uma sede própria e mais ampla, uma ambição com sentido prático e útil pela qual a Direcção pretende lutar.

Seria, como destaca, um sinal de que aquele que foi o primeiro, o mais proeminente e talvez até o mais forte clube da comunidade ambiciona voltar a ocupar uma posição de relevo através da qual possa eliminar as listas de espera e dar resposta às necessidades dos jovens e dos idosos que serve.

Entretanto, e tal como realiza o bazar do Natal, o First prepara-se agora para o seu "Mercado de Verão", evento que Carina Paradela descreve como "um festival de Verão, como os nossos santos populares em Portugal", com sardinhas assadas, porco no espeto e música ao vivo.

A data está ainda por definir, mas conta que se venha a realizar em finais de Junho.


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