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Conselho Mundial das Casas dos Açores despediu-se de Toronto

Jantar de encerramento da XX Assembleia-Geral teve participação de deputados açorianos

Por João Vicente
Sol Português

"Por muito que tenhamos o nome de Casa dos Açores em comum, a função de cada Casa é muito diferente de umas para as outras", destacou Suzanne Cunha, em jeito de síntese à XX Assembleia-Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA), que sábado (16) encerrou oficialmente depois de vários dias de actividades em Toronto.

A presidente da Casa dos Açores do Ontário (CAO) – anfitriã do encontro deste ano – fazia um sumário das conclusões a que chegou pessoalmente ressaltando que, enquanto algumas das 14 Casas dos Açores espalhadas pelo mundo adoptam um papel mais cultural, outras optam por se concentrar no aspecto recreativo, adaptando-se às circunstâncias, necessidades e desejos das comunidades onde se inserem.

Isto significa que apesar de partilharem de uma raiz e de objectivos comuns, são, todas elas, diferentes e, por isso, únicas, concluiu.

A comemorar duas décadas desde a fundação do CMCA, a Assembleia-Geral deste ano englobou uma série de reuniões, palestras e exposições que reuniram em Toronto representantes de todas as Casas dos Açores de Portugal e da diáspora e que decorreram de quarta-feira (13) a sábado (16).

O jantar de encerramento, que teve lugar no sábado, contou com a presença de vários dignitários, incluindo uma delegação de deputados da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRA), constituída por José San-Bento, António Vasco Viveiros, Artur Lima e Paulo Teves.

Presentes estiveram também as representantes políticas do distrito de Davenport – onde a CAO está localizada – nas três esferas governamentais, designadamente as deputadas Cristina Martins (Assembleia provincial), Julie Dzerowicz (Assembleia federal) e a vereadora Ana Bailão (Assembleia Municipal) – que teve de se ausentar mas deixou a sua assessora, Marlene Araújo, em sua representação.

Depois de se escutarem os hinos do Canadá, de Portugal e da Região Autónoma dos Açores, tocados pelo músico luso-canadiano Tony Silveira, a mestre de cerimónias e vice-presidente da Assembleia-Geral da CAO, Fátima Bento, convidou Suzanne Cunha e o director regional das Comunidades, Paulo Teves, que acompanhou estes trabalhos em representação do Governo Regional dos Açores, a dirigirem algumas palavras ao público.

Paulo Teves destacou a necessidade de uma "agenda única" no âmbito do relacionamento com as Casas dos Açores, uma relação que gostaria de ver "pautada pelo diálogo, assente em acções práticas e consonantes com o Projecto de Desenvolvimento dos Açores".

"A diáspora é um actor fundamental neste processo e as Casas dos Açores, entidades por excelência da representatividade da nossa região, constituem pilares essenciais que contribuirão para o sucesso das metas que formos atingindo", ressalvou, destacando simultaneamente a importância de envolver a juventude neste processo.

No decorrer do serão foram atribuídas medalhas de mérito CMCA/ALRA à vice-presidente do executivo da CAO, Maria Conceição Casimiro, e a Susana Amaral, que foi a primeira directora feminina desta colectividade, assim como ao sindicato LIUNA Local 183, que se fez representar por José Gomes.

Foi também feito um louvor ao artista Tomás Borba Vieira, autor de um quadro que foi oferecido pelo Governo Regional dos Açores à CAO por ocasião da sessão de abertura desta Assembleia-Geral, que decorreu na Universidade de Toronto, e premiada com a distinção "Produto Açoriano de Qualidade" a Federação Agrícola dos Açores - Carne dos Açores, na pessoa de Jorge Rita.

Entretanto, um dos pontos altos desta noite de encerramento foi a apresentação de um vídeo elaborado pela equipa da RTP Açores com imagens colhidas durante os eventos que marcaram esta Assembleia-Geral do CMCA.

Recorde-se que o programa de actividades incluiu duas exposições, uma na biblioteca Bloor-Gladstone e dedicada aos intelectuais açorianos Antero de Quental e Vitorino Nemésio, e a outra na Câmara Municipal de Brampton em comemoração dos 20 anos do CMCA.

O livro de José Andrade, "Açores no Mundo", que foi lançado aquando da visita a Brampton na sexta-feira (15) e que conta com um prefácio do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve à venda durante o jantar de encerramento do certame.

Segundo o autor, este tomo – que já foi lançado em Lisboa, por ocasião do 90.° aniversário da mais antiga Casa dos Açores, e de novo em Ponta delgada, em Maio, por ocasião das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres – visa sobretudo "homenagear a diáspora açoriana, reconhecer e valorizar o trabalho importantíssimo que as nossas comunidades em geral e as nossas Casas dos Açores, em particular, desenvolvem nos países de acolhimento", ao mesmo tempo que celebra os 20 anos da fundação do CMCA, referiu José Andrade.

Terminado o jantar e as formalidades, o serão passou para o domínio do artista Tony Silveira que tomou conta do microfone, puxando muita gente para a pista de dança com a música animada com que levou a festa até cerca da 1h00 da manhã.

Tal como a presidente da CAO havia indicado na sua alocução nessa noite e durante a qual referiu a conclusão desta Assembleia-Geral do CMCA e as resoluções nela adoptadas, a próxima edição terá lugar no Brasil, tendo por anfitriã a Casa dos Açores do Estado de Rio Grande do Sul, actualmente presidida por Célia Jachemet.


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