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College fechou para 51.° Piquenique Internacional CHIN e festival gastronómico Taste of Little Italy

Palco luso foi um dos grande sucessos do evento, com actuação memorável dos portugueses Lucky Duckies

Por João Vicente e Noémia Gomes

Sol Português

No último fim-de-semana, um dos grande eventos multiculturais de Toronto voltou às ruas de Toronto com dezenas de artistas e bandas locais e internacionais a entreterem gratuitamente as multidões que sábado (17) e domingo (18) acorrerem à 51.ª edição do Piquenique Internacional CHIN, uma celebração da diversidade étnica e cultural da cidade.

Tendo por palco a zona de Toronto designada por Little Italy, ao longo da rua College, há mais de meio século que este evento anima os Verões em Toronto, onde começou em 1966, quando foi também inaugurada a emissora CHIN Radio que o organiza.

Durante um par de anos foi realizado na própria College, mas só ali voltou em 2015, por ocasião da comemoração do centenário do nascimento do seu fundador, Johnny Lombardi.

No entretanto, foi realizado nas ilhas de Toronto, de 1968 até 1983, quando passou para a Exhibition Place, onde registou as suas maiores multidões merecendo uma distinção no livro de recordes Guiness.

De há três anos para cá o certame não só voltou à College como passou a ser realizado em paralelo com o também popular festival gastronómico Taste of Little Italy, que desde 1998 se passou a realizar nesta zona da cidade.

Ao longo dos dois dias do festival, que se iniciou sábado (17), e do piquenique deste ano passaram largos milhares de pessoas por aquele troço da College que, vedada ao trânsito

de veículos entre as ruas Shaw e Bathurst, foi transformada num destino repleto de atractivos e ao longo do qual dezenas de restaurantes, cafés e bares, muitos deles com esplanadas maiores do que é habitual, bem como vendedores de comida ambulantes fizeram as delícias dos visitantes.

Em simultâneo, toda uma série de espectáculos e animação de rua divertiram o público, incluindo no palco da CHIN Radio, que foi instalado na College e Markham e pelo qual passaram artistas vindos de Porto Rico, Colômbia, República Dominicana, Portugal e Itália, além de talentos locais, representativos das mais diversas origens e culturas.

O espectáculo português, apresentado pelos radialistas Fátima Martins e Carlos Ferreira, teve lugar no domingo, das 15h00 às 18h00, e resultou num dos grandes sucessos do certame.

Sob a supervisão do decano director de programas da CHIN, Dario Amaral, e com som a cargo de Tony Silva, da TNT FX, e de Hernâni Raposo, as três horas de espectáculo correram muitíssimo bem, apesar dos aguaceiros e da ventania que se abateram sobre esta zona da cidade, especialmente durante a última hora, e que nem assim dissuadiram o público de se juntar e assistir, em número cada vez maior.

O primeiro acto em palco coube à Bateria Escola de Samba, que desde logo trouxe a energia dos ritmos brasileiros ao evento. O samba já estava a ter sucesso e depois... entraram as dançarinas em palco!

O chamariz funcionou e em breve os lugares começaram a ficar preenchidos, embora houvesse quem não se quisesse sentar e preferisse dançar.

E foi com música de raiz brasileira que continuou o espectáculo, na voz de Juliana, uma jovem da Bahía que estuda no programa de jazz do instituto técnico Humber College e que acaba de gravar o seu primeiro CD.

A cantora apresentou temas da sua autoria inspiradas na bossa nova, no jazz, no samba e no pop, na sua maioria em português, revelando posteriormente ao jornal Sol Português a sua satisfação, não só pelo ambiente da rua College, que mistura as culturas italiana, portuguesa e brasileira em harmonia, como pelo apoio e encorajamento que tem vindo a receber da comunidade lusa.

O espectáculo atingiu o rubro com a actuação dos Lucky Duckies, uma banda da zona de Lisboa com um repertório internacional inspirado nos clássicos.

Há vários anos que o grupo tem vindo a expressar o seu interesse em tocar neste piquenique internacional, tendo enviado por várias vezes material para a CHIN, segundo nos explicou o seu líder e vocalista, Marco António.

Até agora o impedimento havia sido o facto de que todos os temas que tocavam, na linha dos clássicos do rock & roll, swing, bossa nova, bolero, pop e assim por diante, eram em inglês.

A partir de Janeiro deste ano, com o lançamento do álbum "Os Patinhos Sortudos" na Língua de Camões, foi superada a objecção e eles cá estiveram.

O público adorou e mesmo com chuva, que começou logo que se escutaram os primeiros acordes e que por várias vezes chegou a ser forte, acompanhada por rajadas de vento gelado que se abateram sobre a multidão, os espectadores não só não arredaram pé como foram crescendo em número –muitos deles sem sombrinha nem qualquer tipo de protecção.

A actuação da banda e o poder de clássicos como "Johnny B. Goode", "Marina Marina" e outros temas nostálgicos foi exactamente do que o piquenique da CHIN precisava naquela hora.

Com um espectáculo adaptado a uma assistência multicultural, os Lucky Duckies não só cantaram em português, inglês e italiano –levando aquele público molhado e gelado a cantar e a dançar com eles –como foram ainda "injectando", no momento certo, referências à College Street, ao piquenique da CHIN, a Toronto, aos açorianos e muitos outros pequenos detalhes nas letras das canções que interpretavam, o que deu um toque pessoal e agradou a quem assistiu.

Prova disso e da relação que a assistência criou com os artistas foi a sua entrega e a alegria quase pueril com que pediam, de braços esticados, por um dos patinhos de borracha autografados que a certa altura a banda ia atirando para o público.

Com o público ao rubro os Lucky Duckies despediram-se passando o espectáculo para o domínio dos artistas italianos convidados, numa altura em que a intempérie terminava também.

Era então o final de domingo e após três dias de grande animação e diversão, tanto o piquenique internacional CHIN como o festival gastronómico Taste of Little Italy entravam nos últimos momentos de um bem sucedido evento, antecipando-se já o seu regresso para o ano.


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